Wellington chega sozinho à reta final e nem é convidado para lançamento de Medeiros
Após bancar aliança com o MDB, candidato ao Governo acumula afastamento de prefeitos do próprio PL, resistência no núcleo ligado à campanha de Flávio Bolsonaro e fica fora do lançamento da campanha de José Medeiros ao Senado Foto: Montagem NMT
A campanha eleitoral entrou na reta final e Wellington Fagundes (PL) chega ao momento decisivo da disputa pelo Governo de Mato Grosso cada vez mais sozinho. Depois de bancar a aliança com o MDB, o senador viu prefeitos importantes do próprio partido tomarem outros caminhos, perdeu espaço junto ao núcleo ligado à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e agora sequer foi convidado para o lançamento da campanha de José Medeiros, candidato ao Senado pelo mesmo PL.
A questão, a essa altura, já não é mais saber se existe ou não racha dentro do partido. Essa discussão ficou para trás. Os grupos fizeram suas escolhas, as campanhas seguiram caminhos diferentes e o que aparece agora é a consequência política dessa divisão: na reta final da eleição, Wellington está abandonado por uma parcela importante das lideranças que deveriam formar sua principal base de sustentação. O lançamento da campanha de Medeiros tornou essa situação ainda mais explícita.
Questionado sobre a ausência de Wellington, Odílio Balbinotti, primeiro suplente de Medeiros, afirmou que o candidato ao Governo não havia sido convidado. “Acho que o Wellington não foi convidado. É o Medeiros que controla essa parte”, respondeu. Na sequência, Balbinotti colocou novamente no centro do afastamento a composição construída por Wellington. “O MDB entrou forçado dentro dessa coligação, forçado pensando no Medeiros. A gente sempre foi contra essa entrada do MDB, isso não é nem uma novidade”, afirmou.
Balbinotti também deixou claro que o grupo de Medeiros decidiu parar de discutir a composição e seguir seu próprio caminho na eleição. “E o que nós resolvemos? Fazer a nossa campanha sozinhos. Fazendo a nossa campanha, cuidando da campanha do Medeiros e foi isso. Isso que nós fizemos, isso que nós estamos fazendo”, declarou. A fala praticamente oficializa aquilo que os movimentos políticos já demonstravam: Medeiros e seu grupo decidiram tocar a campanha de forma independente.
Segundo apuração do NMT junto a pessoas diretamente envolvidas no processo eleitoral, o afastamento chegou ao ponto de Wellington ser tratado como persona non grata no núcleo da campanha de Medeiros. A situação, porém, não nasceu agora. Um dos primeiros sinais contundentes apareceu ainda na convenção que homologou a candidatura de Wellington ao Governo, quando 18 dos 22 prefeitos do PL em Mato Grosso não compareceram ao ato, evidenciando que conquistar a legenda para disputar o Palácio Paiaguás estava longe de significar ter o partido inteiro ao seu lado.
Entre os prefeitos que tomaram distância estão alguns dos nomes politicamente mais relevantes do PL no Estado. Cláudio Ferreira, prefeito de Rondonópolis, escolheu apoiar Otaviano Pivetta. Flávia Moretti, prefeita de Várzea Grande, também se afastou da candidatura de Wellington, enquanto Sérgio Machnic, prefeito de Primavera do Leste, igualmente seguiu outro caminho. São três municípios importantes política e eleitoralmente nos quais o candidato do PL ao Governo não conseguiu reunir ao seu redor nem mesmo os principais representantes municipais da própria legenda.
O caso de Abilio Brunini, prefeito de Cuiabá, tornou o cenário ainda mais emblemático. Abilio esteve na convenção partidária, mas posteriormente deixou claro que não apoiaria Wellington depois da confirmação da aliança com o MDB. Mais recentemente, ao fazer manifestação pública pedindo votos, citou Samantha Iris, José Medeiros e Flávio Bolsonaro, deixando de fora justamente Wellington, candidato ao Governo pelo seu próprio partido. O distanciamento chegou ao ponto de Wellington ser questionado publicamente sobre a ausência do apoio do prefeito da Capital e responder lembrando que esteve ao lado de Abilio na campanha municipal de 2024 e citando recursos destinados a Cuiabá.
Assim, o isolamento já não está restrito a uma disputa entre Wellington e Medeiros. Quando se colocam no mesmo quadro Cuiabá, Rondonópolis, Várzea Grande e Primavera do Leste, fica evidente o tamanho do problema político enfrentado pelo candidato nesta reta final. Wellington carrega a candidatura oficial do PL ao Governo, mas não conseguiu transformar essa condição formal em unidade entre algumas das principais lideranças municipais da própria sigla.
A escolha pela aliança com o MDB aparece no centro dessa ruptura. O grupo de Medeiros nunca escondeu a resistência à composição e Balbinotti voltou a dizer isso de forma explícita no lançamento da campanha. Para essa ala do PL, o MDB entrou na coligação contra a vontade do grupo. Wellington bancou a composição e seguiu com sua estratégia; Medeiros e seus aliados decidiram fazer a própria campanha. Meses depois, o resultado dessa escolha está materializado em palanques separados, agendas distintas e ausência de Wellington até mesmo no lançamento da campanha do candidato ao Senado de seu próprio partido.
O problema também alcançou o núcleo ligado à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Segundo informações apuradas pelo NMT, a decisão de Wellington de caminhar com o MDB provocou forte resistência entre lideranças diretamente identificadas com o bolsonarismo em Mato Grosso. Odílio Balbinotti, primeiro suplente de Medeiros, também ocupa posição de destaque na campanha de Flávio no Estado, enquanto Wellington já ficou fora de agendas organizadas justamente por esse grupo.
Em agosto, por exemplo, Wellington não participou de um almoço articulado por Balbinotti com o senador Rogério Marinho, coordenador nacional da campanha de Flávio Bolsonaro, empresários e lideranças políticas. Em outra demonstração do distanciamento, Abilio Brunini, Medeiros e Balbinotti participaram de uma gravação com Flávio em Brasília na qual Wellington não foi citado. Wellington e Flávio já apareceram juntos durante a campanha, mas os episódios mostram a dificuldade do candidato ao Governo para ocupar de forma permanente o espaço que naturalmente seria esperado para o principal candidato estadual do partido do presidenciável.
Outro episódio reforçou essa situação durante a passagem de Flávio Bolsonaro por Campo Novo do Parecis. Wellington não estava inicialmente inserido na agenda, enquanto Medeiros participou da programação. Segundo informações de bastidores, Wellington precisou se deslocar às pressas de avião para tentar se integrar à movimentação. O episódio se somou a outros sinais do distanciamento entre o candidato ao Governo e o núcleo que conduz a campanha presidencial do PL em Mato Grosso.
O conjunto dos fatos produz uma fotografia política difícil de ignorar nesta reta final e agora o isolamento também coincide com a piora do cenário eleitoral para Wellington. Pesquisa Paraná divulgada nesta quinta-feira (17) mostra Otaviano Pivetta à frente do candidato do PL e ampliando a distância na disputa pelo Governo. A nova rodada reforça uma tendência já registrada nos levantamentos anteriores do instituto: Pivetta ultrapassou Wellington e passou a abrir vantagem justamente quando a campanha entra em seu período decisivo. O candidato que iniciou a disputa carregando uma das principais estruturas partidárias do Estado chega às últimas semanas pressionado simultaneamente pela perda de aliados e pelo avanço do principal adversário nas pesquisas.
No centro de todo esse processo está uma escolha que ultrapassa a simples aliança partidária. Janaina Riva (MDB), candidata ao Senado, é nora de Wellington, e a leitura política do NMT é de que o senador colocou a eleição dela no centro de seu projeto eleitoral. Wellington sustentou a composição mesmo diante da reação de prefeitos do próprio PL, do afastamento do grupo de Medeiros e da resistência de setores ligados à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Mais do que uma escolha pelo MDB, foi uma escolha por Janaina. Um projeto familiar que Wellington decidiu preservar praticamente a qualquer custo e que, ao invés de fortalecer sua candidatura ao Governo, contribuiu para implodir sua própria base política. Na reta final, enquanto Pivetta avança nas pesquisas, Wellington segue tentando assegurar todas as condições possíveis para eleger a nora ao Senado, mas chega ao momento decisivo da disputa pelo Palácio Paiaguás cada vez mais sozinho.





