• 14 de julho de 2026
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ELO OCULTO

Vereador de Poxoréu é preso em operação que apura execução de jovem dentro de boate

Túlio César é investigado por suposta participação no homicídio de Lavignia Gabrielly, de 20 anos. Polícia Civil afirma que crime foi ordenado por facção criminosa e cumpriu oito ordens judiciais em três cidades
Foto: Reprodução

A investigação sobre a execução de Lavignia Gabrielly Guimarães Coutinho, de 20 anos, ganhou um novo desdobramento na manhã desta terça-feira (14). A Polícia Civil deflagrou a Operação Elo Oculto e prendeu temporariamente o vereador de Poxoréu Túlio César (Republicanos), além de cumprir sete mandados de busca e apreensão em Poxoréu, Primavera do Leste e Canarana. A ação representa uma nova fase do inquérito que busca esclarecer todos os envolvidos no assassinato da jovem, morta a tiros dentro de uma casa noturna no dia 10 de maio.

Em entrevista coletiva concedida na Delegacia Regional de Primavera do Leste, o delegado Honório Neto afirmou que as novas medidas judiciais são resultado do avanço das investigações iniciadas logo após o crime.

Segundo ele, Lavignia foi executada com pelo menos cinco disparos de arma de fogo, todos direcionados a regiões vitais do corpo.

“Era uma jovem de apenas 20 anos. Ela foi executada dentro de uma casa noturna com pelo menos cinco disparos de arma de fogo, todos na face e no tórax. Inclusive, alguns tiros foram efetuados quando a vítima já estava caída ao solo, demonstrando de forma muito clara que se tratava de uma execução”, declarou.

Vereador Túlio Cesar (Republicanos), foi preso na manhã desta terça-feira (14)

O delegado explicou que, após a instauração do inquérito, diversas diligências foram realizadas, incluindo o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência do vereador, no início de junho. A análise do material recolhido e dos relatórios produzidos permitiu identificar pessoas que poderiam possuir informações relevantes ou possível participação no homicídio.

“Com base nesses elementos arrecadados, conseguimos identificar algumas pessoas que pudessem ter algum tipo de informação e envolvimento nesse homicídio. Representamos por novas buscas e também pela prisão temporária de um dos investigados”, afirmou.

A prisão temporária do vereador tem validade inicial de 30 dias. Conforme Honório Neto, o parlamentar será ouvido apenas ao final das diligências, respeitando a estratégia da investigação e o direito de defesa do investigado.

“Nós só faremos o interrogatório dele ao final da investigação. Primeiro vamos concluir todas as diligências. Havendo elementos suficientes, ele será interrogado e, se for o caso, indiciado”, explicou.

A audiência de custódia do vereador estava prevista para a tarde desta terça-feira.

Lavignia Gabrielly, de 20 anos, foi assassinada no dia 10 de maio

Facção teria ordenado a execução

De acordo com a Polícia Civil, a principal linha investigativa aponta que o homicídio foi determinado por integrantes de uma facção criminosa atuante na região.

A suspeita é de que Lavignia tenha sido confundida com uma informante das forças de segurança porque sua mãe trabalhava na base da Polícia Militar de Poxoréu e, ocasionalmente, ela acompanhava a mãe no local.

“A possível motivação desse homicídio foi o envolvimento de uma organização criminosa. A mãe da vítima trabalhava no batalhão da Polícia Militar e a jovem às vezes comparecia ao local. Por conta dessa desconfiança, teria sido decretada a morte dela”, afirmou o delegado.

Segundo Honório, a forma como o crime foi praticado reforça a hipótese de execução planejada.

“A maneira como ela foi atingida e o fato de terem efetuado disparos quando já estava caída demonstram que realmente foi um crime elaborado e planejado por uma organização criminosa.”

Investigação já havia avançado

As investigações tiveram início logo após o assassinato e já haviam apresentado resultados importantes antes da operação desta terça-feira.

Poucos dias após o crime, um dos suspeitos de participação no homicídio foi localizado e preso em Rondonópolis durante uma ação da Polícia Civil.

Já outro investigado morreu durante confronto com equipes da Força Tática da Polícia Militar em Poxoréu, durante o cumprimento de diligências relacionadas ao caso.

No início de junho, a Polícia Civil também cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência de Túlio César. Na ocasião, o vereador divulgou uma nota afirmando que recebeu a investigação com surpresa, negou qualquer participação no homicídio e declarou estar à disposição para colaborar com a Justiça.

Operação Elo Oculto

Ao todo, a Justiça expediu oito ordens judiciais, sendo sete mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, cumpridos simultaneamente em Poxoréu, Primavera do Leste e Canarana.

Durante as buscas, os policiais procuram documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para esclarecer a dinâmica do crime, identificar eventuais outros envolvidos e individualizar a participação de cada investigado.

O nome Elo Oculto faz referência às conexões que a Polícia Civil busca comprovar entre os investigados, a execução da jovem e os acontecimentos posteriores ao homicídio.

O inquérito segue sob sigilo. Com a análise do material apreendido nesta nova fase da operação, a Polícia Civil pretende concluir as diligências, ouvir os investigados e definir a responsabilização criminal de cada um dos envolvidos no assassinato de Lavignia Gabrielly.

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