Vereadora Maria Garzella defende ampliação do debate sobre concessão do lixo e propõe modelo que gere riqueza em Primavera do Leste
Parlamentar apresentou dados de consórcio referência em Santa Catarina e alertou para riscos de perder oportunidades econômicas, ambientais e sociais com o atual modelo em discussão Foto: Assessoria
Durante a sessão ordinária desta segunda-feira, 1º de junho, a vereadora e empresária Maria Garzella utilizou a tribuna da Câmara Municipal para defender a ampliação do debate sobre o futuro da gestão dos resíduos sólidos em Primavera do Leste. Em seu pronunciamento, a parlamentar pediu o apoio dos demais vereadores para aprofundar a discussão sobre o projeto de concessão do serviço e avaliar alternativas capazes de gerar emprego, renda e desenvolvimento dentro do próprio município.
Para embasar sua argumentação, Maria Garzella apresentou aos parlamentares um vídeo e dados obtidos durante visita técnica ao Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (CIMVI), em Santa Catarina, considerado uma das principais referências nacionais em gestão integrada de resíduos sólidos.
Segundo a vereadora, o consórcio reúne 14 municípios e recebe aproximadamente 1.200 toneladas de resíduos por mês, das quais 800 toneladas são efetivamente recicladas e transformadas em novos produtos. O modelo gera um faturamento médio de R$ 830 por tonelada reciclada, alcançando cerca de R$ 664 mil mensais, recursos que fortalecem cooperativas, promovem inclusão social e impulsionam a economia regional.
“Estamos falando de uma atividade que transforma um passivo ambiental em ativo econômico. O lixo deixa de ser um problema para se tornar uma fonte de riqueza, emprego, renda e sustentabilidade. Precisamos discutir se Primavera do Leste está aproveitando todo esse potencial”, destacou a vereadora.
Maria Garzella afirmou que sua preocupação não está apenas na destinação final dos resíduos, mas principalmente na oportunidade de agregar valor aos materiais recicláveis dentro do próprio município.
“Se o lixo produzido em Primavera for reciclado, beneficiado e transformado aqui, estaremos gerando arrecadação, fortalecendo cooperativas, criando empregos e movimentando a economia local. Caso contrário, estaremos transferindo riqueza e possibilidade de lucro para outras cidades”, argumentou.
Durante o discurso, a parlamentar também levantou questionamentos sobre o modelo de concessão em análise. Segundo ela, propostas que podem vincular o município por até 35 anos precisam ser amplamente debatidas pela sociedade e pelo Poder Legislativo.
“Não sou contra a concessão. Sou favorável a um modelo eficiente, moderno e ambientalmente responsável. O que defendemos é que o projeto seja readequado, discutido e aperfeiçoado para garantir o melhor custo-benefício para a população”, afirmou.
Outro ponto destacado foi a ausência de previsão para construção de um aterro sanitário em Primavera do Leste, o que, segundo a vereadora, manteria a necessidade de transportar os resíduos até Rondonópolis, preservando custos logísticos elevados ao longo dos anos.
“A preocupação é legítima. Estamos falando de um contrato de longo prazo que pode definir o futuro da gestão ambiental da cidade por décadas. Precisamos avaliar todas as possibilidades antes de tomar uma decisão definitiva.”
Em um dos momentos mais enfáticos de sua fala, Maria Garzella chamou a atenção para a responsabilidade coletiva sobre a questão dos resíduos sólidos.
“Porque o lixo não desaparece quando sai da nossa porta. Por estar na rua está resolvido? Não. O que está na rua é público. É problema de todos nós. Precisamos parar, refletir e agir pela cidade.”
A vereadora também ressaltou que modelos modernos de gestão de resíduos podem ampliar a arrecadação municipal, reduzir impactos ambientais, fortalecer cooperativas de reciclagem, gerar inclusão social para trabalhadores do setor e criar novas oportunidades de negócios ligados à economia circular.
Após a sessão, em contato com a imprensa, Maria Garzella informou que pretende levar a discussão ao prefeito Sérgio Machnic, juntamente com os demais vereadores, buscando construir alternativas que conciliem eficiência operacional, segurança ambiental e desenvolvimento econômico.
“O que vimos em Santa Catarina mostra que existem caminhos inovadores e sustentáveis. O objetivo agora é buscar soluções que ofereçam mais eficiência, melhor custo-benefício e segurança ambiental para Primavera do Leste. Porque lixo não é apenas descarte. Lixo é patrimônio, responsabilidade, sustentabilidade e também oportunidade de desenvolvimento”, concluiu.
A expectativa da parlamentar é que o tema continue sendo debatido com transparência, participação popular e análise técnica aprofundada antes da definição do modelo que será adotado pelo município para as próximas décadas.






