• 1 de junho de 2026
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POLÍTICA

Desconfiança cresce em torno de Pivetta e amplia espaço para Wellington na corrida pelo Paiaguás

Vice-governador assumiu protagonismo do governo para fortalecer projeto de 2026, mas enfrenta dificuldades para transformar visibilidade em força política
Foto: Reprodução Facebook

A sucessão estadual de 2026 ainda está distante, mas um assunto já domina boa parte das conversas políticas em Mato Grosso. Nos corredores do poder, nos gabinetes, nos restaurantes frequentados pela classe política, nos bares, nos encontros empresariais e em praticamente todos os ambientes onde a política é discutida em Cuiabá, cresce a desconfiança em torno da capacidade de Otaviano Pivetta de se viabilizar como candidato competitivo ao Governo do Estado.

Ao assumir temporariamente o comando do Palácio Paiaguás durante a licença do governador Mauro Mendes (União Brasil), Pivetta recebeu a oportunidade que qualquer pré-candidato gostaria de ter. Com a estrutura do governo nas mãos, visibilidade diária e espaço constante na imprensa, a expectativa era de que o vice-governador ganhasse musculatura política e começasse a consolidar sua imagem como sucessor natural do grupo governista.

O efeito, porém, tem sido diferente daquele imaginado por seus aliados.

A cada coletiva de imprensa, entrevista ou manifestação pública, aumentam as críticas sobre sua capacidade de comunicação e articulação política. Nos bastidores, a avaliação recorrente é que Pivetta ainda não conseguiu demonstrar a habilidade exigida para uma disputa majoritária estadual. Declarações que deveriam fortalecer sua imagem acabam frequentemente gerando repercussões negativas e alimentando questionamentos dentro e fora da base governista.

O reflexo desse cenário já começa a ser percebido também na relação com lideranças municipais. Prefeitos continuam recebendo recursos estaduais, convênios, investimentos e obras. Mantêm boa relação administrativa com o governo e participam das agendas oficiais. Mas, segundo apuração feita junto a lideranças políticas, o apoio mais enfático que muitos esperavam simplesmente não aparece.

A leitura predominante é que boa parte dos prefeitos prefere permanecer em silêncio. Recebem os investimentos, mantêm a relação institucional necessária com o Estado, mas evitam assumir qualquer compromisso político antecipado. O comportamento é visto por muitos analistas como um sinal de cautela diante das dúvidas que cercam a viabilidade eleitoral do atual governador em exercício.

Enquanto isso, quem observa o cenário de maneira confortável é o senador Wellington Fagundes (PL). Sem precisar enfrentar desgastes administrativos e longe das polêmicas produzidas pelo governo, o parlamentar atravessa a pré-campanha em uma situação considerada favorável por seus aliados.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que cada desgaste enfrentado por Pivetta acaba beneficiando indiretamente Wellington. O senador não precisa atacar, não precisa responder crises e nem administrar decisões impopulares. Em muitos momentos, basta observar. O desgaste acontece do outro lado.

A situação chama atenção porque a exposição que deveria impulsionar a construção da candidatura de Pivetta começa a produzir efeito contrário. Quanto mais aparece, mais aumenta o número de questionamentos sobre sua capacidade de liderar o projeto político que pretende suceder Mauro Mendes. E quanto mais dificuldades encontra para consolidar seu nome, mais confortável se torna o caminho percorrido por Wellington Fagundes.

Ainda falta muito para outubro de 2026. Pesquisas, alianças, movimentos partidários e o próprio desempenho do governo poderão alterar completamente o cenário. Mas, neste momento, a conversa que domina os bastidores políticos de Mato Grosso é uma só: enquanto Pivetta tenta convencer a classe política de que é o herdeiro natural do grupo governista, Wellington segue avançando sem precisar fazer força, assistindo ao principal adversário enfrentar sozinho os desgastes de uma pré-campanha que ainda nem começou oficialmente.

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