• 26 de maio de 2026
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POLÍCIA

Patrão é preso suspeito de manter trabalhadores gaúchos em condições análogas à escravidão em fazenda de MT

Trabalhadores relataram ameaças, agressões e retenção de salários em propriedade rural de Alta Floresta; Mato Grosso lidera ranking nacional de resgates em situação análoga à escravidão
Foto: Reprodução

Dois trabalhadores do Rio Grande do Sul foram resgatados após denunciarem ameaças, agressões físicas e condições análogas à escravidão em uma fazenda localizada em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso. O empregador, de 39 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar após uma das vítimas procurar ajuda e relatar os maus-tratos sofridos.

Conforme o boletim de ocorrência, os trabalhadores contaram que vieram do Rio Grande do Sul após receberem promessas de emprego feitas por um empreiteiro. Eles afirmaram que estavam alojados em uma residência ligada ao suspeito, na comunidade Rio Verde, e eram levados diariamente até a fazenda onde realizavam os serviços.

Segundo os relatos, o empregador fazia constantes ameaças, reclamava do rendimento dos funcionários e dizia que os deixaria sem dinheiro para retornar ao estado de origem. As vítimas também denunciaram que recebiam apenas metade do salário mensal, ficando o restante condicionado ao fim do período combinado de três meses de trabalho. Além disso, parte dos vencimentos era retida pelo suspeito.

Ainda de acordo com a ocorrência, na sexta-feira (22), durante o deslocamento até a fazenda, o suspeito acusou os trabalhadores de furtarem uma caixa de som de sua residência. Após negarem a acusação, uma das vítimas teria sido agredida com tapas e chutes. Depois das agressões, o trabalhador procurou a Polícia Militar.

Os militares realizaram buscas no alojamento utilizado pelos funcionários e registraram imagens do local em condições consideradas degradantes. Inicialmente, o suspeito não foi localizado, mas acabou encontrado em uma estrada próxima da propriedade. Após abordagem, ele recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil para as providências cabíveis.

O caso volta a expor os números alarmantes relacionados ao trabalho escravo contemporâneo em Mato Grosso. Conforme o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025”, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT-MT), o estado lidera o ranking nacional de trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão. Somente em 2025, 606 trabalhadores foram libertados de situações degradantes em Mato Grosso. O principal caso ocorreu em Porto Alegre do Norte, onde 586 pessoas foram encontradas em situação semelhante durante a construção de uma usina de etanol.

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