Ex-procurador anuncia representação no Ministério Público contra atos da Câmara; Marco Aurélio diz desconhecer denúncia e afirma estar tranquilo
Jefferson Lopes questiona gastos com diárias e defende investigação mais aprofundada sobre atos administrativos do Legislativo de Primavera do Leste Foto: Montagem NMT
O ex-procurador da Câmara Municipal de Primavera do Leste, Dr. Jefferson Lopes, afirmou nesta segunda-feira que irá protocolar diretamente no Ministério Público uma representação para pedir a apuração de possíveis irregularidades envolvendo atos administrativos do Legislativo municipal, especialmente relacionados à concessão de diárias. Segundo ele, a decisão de procurar o MP ocorre por entender que o órgão possui competência para instaurar investigação civil e aprofundar a análise dos fatos.
Durante entrevista ao NMT, Jefferson afirmou que identificou situações que, em sua avaliação, ultrapassam a discussão sobre moralidade administrativa e podem avançar para a ilegalidade. Entre os pontos citados estão concessões de diárias consideradas por ele como indevidas e extraordinárias. O ex-procurador afirmou ainda que, apenas em maio deste ano, os valores pagos em diárias pela Câmara já teriam ultrapassado R$ 800 mil, chegando próximo de R$ 900 mil.
Jefferson argumentou que os números chamam atenção diante da estrutura do Legislativo municipal e destacou que a Constituição Federal prevê princípios de moralidade e legalidade na administração pública. Segundo ele, a representação busca justamente permitir uma investigação mais aprofundada sobre a utilização dos recursos públicos.
O ex-procurador também comparou a situação ao recente pedido de abertura de investigação contra o prefeito Sérgio Machnic, rejeitado por unanimidade pela Câmara de Vereadores na última semana. Na ocasião, parlamentares alegaram ausência de provas concretas para dar andamento à denúncia envolvendo a abertura de unidades de saúde em horário noturno. Jefferson afirmou que entende existir limitação da própria Câmara para realizar investigações mais profundas e, por isso, decidiu encaminhar diretamente ao Ministério Público.
Apesar das críticas, Jefferson Lopes ressaltou que não acusa o presidente da Câmara, vereador Marco Aurélio Salles (PRD), de corrupção ou roubo. Segundo ele, o objetivo é pedir esclarecimentos e apuração sobre atos administrativos envolvendo dinheiro público.
“Entendo que, como gestor, certos atos, assim como foi acusado o prefeito, ultrapassam a legalidade e devem ser melhor apurados. Porque é dinheiro público, é nosso”, afirmou.
Em resposta ao NMT, o presidente da Câmara, vereador Marco Aurélio Salles (PRD), disse ter sido surpreendido pela situação e afirmou que, até o momento da entrevista, desconhecia formalmente o teor da denúncia apresentada pelo ex-procurador.
Segundo Marco Aurélio, Jefferson Lopes pediu exoneração do cargo nesta segunda-feira e nenhuma representação havia sido oficialmente protocolada junto à presidência da Casa. O parlamentar afirmou ainda que todos os atos administrativos da Câmara são realizados dentro da legalidade e possuem parecer jurídico.
O presidente destacou que a Câmara mantém as informações disponíveis no Portal da Transparência e afirmou que trabalha para que o Legislativo alcance o selo diamante em transparência pública, ampliando o acesso da população aos documentos e atos administrativos praticamente em tempo real.
“Estou tranquilo, não devo nada, estou em paz, mas vou continuar trabalhando pela população de Primavera do Leste”, declarou Marco Aurélio.
Marco Aurélio Salles preside atualmente a Câmara Municipal de Primavera do Leste no biênio 2025/2026. Filiado ao PRD, ele foi secretário municipal de Desenvolvimento Econômico antes de assumir mandato no Legislativo municipal.





