• 4 de maio de 2026
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POLÍTICA

Fávaro reforça palanque de Lula em Mato Grosso e amplia desgaste com produtores às vésperas da eleição

Senador retorna ao cargo após deixar o Ministério da Agricultura dentro do prazo legal, intensifica atuação ao lado do presidente e enfrenta críticas no campo
Foto: Reprodução: O Globo

O senador Carlos Fávaro (PSD) deixou o Ministério da Agricultura no prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral e retornou ao Senado para disputar a reeleição, assumindo de vez protagonismo na articulação política em Mato Grosso ao reforçar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um estado onde o agronegócio domina a economia e influencia diretamente o voto.

A movimentação reposiciona Fávaro no cenário estadual em um momento sensível, já que o alinhamento firme com Lula passa a ter peso direto no ambiente eleitoral. Em Mato Grosso, onde a esquerda historicamente encontra dificuldade para avançar, a presença ativa ao lado do presidente e a construção de palanques com nomes ligados ao PT ampliam a resistência de parte do eleitorado, especialmente no interior.

No campo, a cobrança é crescente e já não fica mais restrita aos bastidores. Pequenos e médios produtores têm manifestado insatisfação com o que consideram uma condução que favoreceu grandes grupos do agronegócio durante a passagem de Fávaro pelo ministério, sem respostas efetivas para quem está na base da produção. A percepção de distanciamento virou discurso recorrente e começa a ganhar força no debate político.

Esse desgaste se soma a um fator que acompanha o senador desde o início do mandato: Fávaro não foi eleito diretamente, tendo assumido a vaga após a cassação da então senadora Selma Arruda. Desde então, a construção de uma base eleitoral própria sempre foi um desafio, agora ampliado por um cenário mais polarizado e por cobranças mais duras dentro do próprio estado.

De volta ao Senado e com a eleição no horizonte, Fávaro tenta equilibrar a força política construída em Brasília com a necessidade de reconectar sua imagem ao eleitor mato-grossense, especialmente no setor produtivo. A equação, no entanto, não é simples: o mesmo alinhamento que garante espaço no governo federal cobra um preço alto em um estado majoritariamente conservador.

Esse cenário já começa a aparecer nas pesquisas eleitorais, onde Fávaro patina e, em alguns levantamentos recentes, sequer figura entre os três primeiros colocados, sinalizando a dificuldade de consolidar seu nome diante de um eleitorado mais exigente e crítico.

Com adversários avançando no interior e o desgaste entre produtores se consolidando, a disputa tende a ser mais dura do que o esperado. A reeleição, que dependeria de consolidação natural após passagem pelo ministério, passa agora por um teste real de capacidade política, articulação e reconquista de confiança dentro de Mato Grosso.