• 4 de maio de 2026
#Agronegócio #Destaque #Economia #Mato Grosso #Política #Redes

POLÍTICA

Pressão no agro força debate do Fethab na Assembleia e expõe racha sobre rumos do setor em Mato Grosso

Pacote que prevê congelamento do fundo e fim do Fethab 2 entra na pauta desta quarta-feira, com produtores cobrando alívio diante de perdas e queda das commodities
Foto: Reprodução

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso deve votar nesta quarta-feira o pacote que trata do congelamento dos valores do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) e do fim do chamado Fethab 2 a partir de 2027, proposta que ganhou força diante da pressão crescente do setor produtivo em meio a um cenário de queda das commodities, excesso de chuvas e aperto nas margens no campo.

O movimento ganhou respaldo público de lideranças do agronegócio, como o empresário Eraí Maggi Scheffer, que saiu em defesa das medidas ao afirmar que o produtor precisa de “fôlego” para atravessar o momento atual. A leitura é de que, mesmo sem resolver estruturalmente os problemas do setor, o pacote funciona como um sinal político necessário diante de um ciclo considerado difícil dentro das propriedades.

Nos bastidores, a avaliação é de que o governo estadual tenta equilibrar a pressão do campo com a necessidade de manter arrecadação, já que o Fethab é uma das principais fontes de receita vinculadas à infraestrutura. A proposta de congelamento até o fim do ano e a não renovação do Fethab 2 a partir de 2027 surge como uma saída intermediária, sem romper completamente com o modelo atual.

A fala de Eraí reforça esse entendimento ao admitir que a medida tem efeito mais simbólico do que prático no curto prazo, mas cumpre o papel de sinalizar sensibilidade do governo diante da realidade enfrentada pelo produtor. O setor, que sustenta boa parte da economia de Mato Grosso, enfrenta um dos momentos mais pressionados dos últimos anos, com custos elevados e receitas comprimidas.

Dentro da Assembleia, o tema deve provocar debate mais acalorado, já que há parlamentares que defendem uma revisão mais profunda da política tributária sobre o agro, enquanto outros alertam para o impacto direto na capacidade de investimento do estado caso haja redução brusca na arrecadação.

A expectativa é de que a votação desta quarta-feira consolide um posicionamento político importante, não apenas sobre o Fethab, mas sobre o modelo de relação entre governo e setor produtivo em um momento em que o agro cobra respostas mais rápidas e efetivas para garantir a sustentabilidade das atividades no campo.