• 30 de abril de 2026
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POLÍTICA

Presidente do TCE alerta para avanço da pobreza em Cuiabá e Várzea Grande e propõe plano estratégico até 2050

Sérrgio Ricardo afirma que cidades vivem cenário de abandono enquanto interior prospera e defende industrialização como saída para reduzir desigualdades em Mato Grosso
Foto: Reprodução

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Sérgio Ricardo, fez um diagnóstico duro sobre a realidade social de Cuiabá e Várzea Grande ao apresentar as diretrizes iniciais de um projeto estratégico que está sendo elaborado pela instituição. Batizado de Plano de Metas Mato Grosso 2050, o estudo pretende nortear políticas públicas de longo prazo e provocar uma mudança estrutural no desenvolvimento do estado.

Segundo Sérgio Ricardo, uma das principais teses do plano é levar para os centros urbanos o modelo de crescimento que transformou o interior mato-grossense, especialmente regiões do médio-norte e norte do estado. Para ele, enquanto cidades como Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop avançam em desenvolvimento, a capital e sua região metropolitana caminham no sentido oposto.

“No projeto que o Tribunal está desenhando, uma das propostas é trazer o sucesso do campo para a cidade. Cuiabá e Várzea Grande serão cada vez mais grotões de pobreza. Serão centros de abandono e de miséria. Hoje, grande parte da periferia já é, e isso só vai aumentar”, afirmou.

O presidente do TCE destacou que o crescimento econômico do estado tem se concentrado em regiões específicas, deixando vazios sociais nas áreas urbanas mais populosas. Ele citou dados que apontam a existência de dezenas de comunidades em situação precária na capital e em Várzea Grande, cenário que, segundo ele, tende a se agravar sem uma mudança de rumo.

“Nós temos cerca de 80 favelas em Cuiabá e Várzea Grande. Isso só vai piorar. O desenvolvimento está indo para o sul, médio-norte e norte. Não é possível ter um interior próspero e uma capital na situação que vemos hoje”, disse.

Sérgio Ricardo também criticou a ausência histórica de um planejamento estruturado de longo prazo em Mato Grosso. Para ele, o estado tem sido conduzido por decisões pontuais de governo, sem continuidade entre gestões, o que compromete o enfrentamento de problemas crônicos como a pobreza.

“Há décadas não existe plano de Estado. O que existe é plano de governo. Cada gestor faz o que acha importante. Quando não há visão estratégica, o pobre fica mais pobre e a desigualdade aumenta”, pontuou.

Como resposta, o Plano de Metas Mato Grosso 2050 pretende estabelecer diretrizes permanentes que deverão ser apresentadas aos futuros candidatos ao governo. A ideia é que o Tribunal convoque os postulantes para debater propostas concretas baseadas nesse planejamento.

“Nós vamos chamar os candidatos e apresentar esse plano. Eles vão ter que dizer o que pretendem fazer. Qualquer governo que vier terá que ter como prioridade enfrentar a pobreza em Cuiabá e Várzea Grande”, afirmou.

Entre os pilares defendidos pelo presidente do TCE estão a industrialização do estado e a qualificação da mão de obra como caminhos essenciais para romper o ciclo de desigualdade. Segundo ele, sem educação e oportunidades de emprego, não há transformação social possível.

“A única saída é industrializar e qualificar. Não se muda a vida do cidadão sem educação e sem oportunidade de emprego”, disse.

O diagnóstico apresentado também inclui dados preocupantes sobre a distribuição populacional e econômica no estado. De acordo com o presidente, dezenas de municípios já registram perda de população, enquanto outros enfrentam dificuldades para se manter economicamente.

“O último censo mostrou que 51 municípios perderam habitantes. Temos cidades que não se sustentam mais. Mato Grosso tem ilhas de riqueza absoluta e ilhas de pobreza absoluta”, destacou.

Sérgio Ricardo afirmou ainda que cerca de meio milhão de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza no estado, sendo aproximadamente 120 mil concentradas em Cuiabá e Várzea Grande. Para ele, o problema exige ação imediata e vontade política.

“Temos meio milhão de pessoas passando fome em Mato Grosso. Em Cuiabá e Várzea Grande são 120 mil. Isso é grave. Não vai melhorar sem estratégia e sem vontade política”, concluiu.

A iniciativa do Tribunal de Contas coloca o órgão no centro do debate sobre o futuro do estado e pressiona o meio político a apresentar propostas mais consistentes para enfrentar desigualdades históricas que, segundo o próprio presidente, já não podem mais ser ignoradas.