Prefeitura de Colíder moderniza combate ao mosquito Aedes aegypti com tecnologia de ponta e monitoramento digital
Uso de ovitrampas e sistema Conta Ovos do Ministério da Saúde permite identificar áreas de risco e intensificar atuação das equipes de endemias Foto: Assessoria
A Prefeitura de Colíder e a Secretaria Municipal de Saúde e Saneamento Básico estão dando um salto importante na proteção da população ao implementar o sistema Conta Ovos, uma plataforma tecnológica de alta precisão voltada para o monitoramento do mosquito Aedes aegypti. A iniciativa substitui métodos tradicionais de contagem manual por uma solução digital que utiliza geolocalização e processamento de imagens, permitindo que a administração municipal antecipe ações de bloqueio e concentre esforços nos bairros com maior densidade populacional do vetor.
O sistema é fruto de uma cooperação técnica entre o Instituto Oswaldo Cruz e a Fundação Getúlio Vargas, sob supervisão do Ministério da Saúde. Em Colíder, a modernização do setor de Vigilância Ambiental visa oferecer uma resposta mais ágil e baseada em evidências científicas para conter a propagação de doenças como dengue, zika e chikungunya.
Para o prefeito Rodrigo Benassi, o investimento em tecnologia é um pilar essencial para a eficiência da gestão pública na saúde. “A Prefeitura de Colíder não está medindo esforços para trazer o que há de mais moderno no combate às endemias. O uso do sistema digital nos permite agir com precisão, direcionando nossos agentes e recursos para onde realmente existe o perigo, garantindo que a nossa cidade esteja sempre um passo à frente do mosquito”, afirma Benassi.
ARMADILHAS
O cerne da nova estratégia reside nas chamadas ovitrampas, que são armadilhas compostas por potes pretos contendo água, levedo e uma palheta de madeira que simula o criadouro ideal para a fêmea do mosquito. Diferente do levantamento tradicional, que busca larvas em imóveis, a contagem de ovos é considerada um indicador sensível e precoce.
A iniciativa, conduzida pela Vigilância Ambiental, busca antecipar cenários de risco e fortalecer o trabalho preventivo contra doenças como dengue, zika e chikungunya. “As ovitrampas funcionam como um termômetro da infestação. Elas simulam um ambiente ideal para a fêmea do mosquito depositar ovos, permitindo medir a presença do vetor antes mesmo do surgimento de casos”, explica a responsável técnica de Vigilância Ambiental, Crizeide Costa da Silva Melo.
Crizeide detalha o rigoroso processo de coleta. “As armadilhas são instaladas a cada 20 dias e recolhidas no quinto dia após a instalação. Após a secagem das palhetas, realizamos a leitura utilizando uma lupa estereoscópica e inserimos os dados no sistema. Isso nos mostra a real situação do município e a densidade populacional em áreas infestadas”, explica.
Os números dos primeiros meses de 2026 já desenham o mapa de calor da infestação no município. Em março, foram instaladas 98 ovitrampas, resultando na coleta de 2.394 ovos. Já em abril, o monitoramento foi intensificado com 107 armadilhas, que capturaram 3.319 ovos. O Índice de Densidade de Ovos (IDO) saltou de 42% para 61% no período, sinalizando um alerta para as equipes de saúde.
PONTOS CRÍTICOS
Com os dados georreferenciados em mãos, a Secretaria Municipal de Saúde consegue identificar quais localidades exigem intervenção imediata. No último levantamento, em abril, o bairro Boa Esperança apresentou o maior índice de positividade. Outras áreas que aparecem em nível crítico (acima de 101 ovos por palheta) incluem o Jardim Ipanema, Centro, Jardim Alvorada, Sagrada Família, da Torre, Celídio Marques e Parque dos Ipês. Até mesmo a Comunidade Nova Galileia entrou no radar de monitoramento constante.
A secretária de Saúde, Mara Lemos, ressalta que a tecnologia não substitui o trabalho de campo, mas o torna muito mais eficaz. “Nosso objetivo principal é identificar onde o mosquito está se reproduzindo com mais força para trabalhar de forma intensificada na orientação e conscientização”, pontua.
Mara esclarece, ainda, que a borrifação de inseticida (fumacê) segue protocolos rígidos: “A nebulização só pode ser realizada mediante a notificação de casos suspeitos avaliados por médicos. Por isso, o foco total agora é na eliminação dos criadouros identificados pelo sistema”, informa a secretária.
A partir das informações coletadas, as equipes de combate às endemias também intensificam as visitas domiciliares, promovem orientação direta à população, realizam tratamento de depósitos com água parada e eliminam possíveis criadouros “Nosso foco principal é eliminar os criadouros e conscientizar a população”, reforça Mara Lemos.
CONSCIENTIZAÇÃO E PREVENÇÃO
A precisão do sistema digital gera mapas de calor que orientam os agentes de combate às endemias em visitas domiciliares mais assertivas. Nestas incursões, os profissionais realizam o tratamento de depósitos de água e eliminam recipientes que possam acumular líquidos. No entanto, o sucesso do cerco digital em Colíder depende de um fator humano: o acesso aos imóveis.
Mara Lemos reforça que, embora o monitoramento por ovitrampas consiga retirar milhões de potenciais mosquitos de circulação antes mesmo da eclosão dos ovos, a manutenção da limpeza urbana e dos quintais particulares permanece indispensável. “A integração entre a inteligência de dados da Fiocruz e a mobilização comunitária é a aposta de Colíder para manter os índices de arboviroses sob controle durante todo o ano”, reforça Mara Lemos.
Redação: Assessoria






