• 27 de março de 2026
#Eleições 2026 #Mato Grosso #Política #Redes

POLÍTICA

Se o Senado era prioridade, por que Wellington vai disputar o Governo?”: fala de Medeiros escancara racha no PL em Mato Grosso

Declaração transforma tensão interna em confronto aberto e expõe embate direto com Wellington Fagundes sobre influência de Janaína Riva
Foto:

A disputa pelo Senado em Mato Grosso entrou em rota de colisão dentro do Partido Liberal após uma declaração direta do deputado federal José Medeiros, do PL, que elevou o tom do embate interno e expôs publicamente a crise na sigla. “Se o Senado era prioridade, por que Wellington vai disputar o Governo?”, questionou o parlamentar, sintetizando a insatisfação de parte do partido com a estratégia adotada pelo senador Wellington Fagundes, também do PL.

A fala evidencia um conflito que vinha sendo construído nos bastidores e agora se transforma em confronto aberto. O alvo é a movimentação de Wellington Fagundes, que articula sua pré-candidatura ao Governo do Estado enquanto o partido tenta manter protagonismo na disputa ao Senado. Para Medeiros, há uma incoerência estratégica que fragiliza o projeto político da legenda e compromete a unidade do campo conservador em Mato Grosso.

Com a declaração, a divergência interna deixa de ser pontual e passa a ocupar o centro do debate político dentro do partido. Medeiros sinaliza que não há mais espaço para acomodação e que os projetos passaram a disputar espaço dentro da própria sigla.

No centro desse embate está a deputada estadual Janaína Riva, do MDB, que é nora de Wellington Fagundes. Entre aliados de Medeiros, cresce a avaliação de que a movimentação do senador abre espaço para que a parlamentar tenha influência direta em um eventual projeto de governo.

Esse fator é apontado como decisivo para o agravamento da crise. Lideranças alinhadas ao deputado federal interpretam o cenário como uma retomada de práticas políticas que afirmam combater, especialmente diante do histórico do ex-deputado José Riva, pai da parlamentar, frequentemente citado como símbolo de corrupção na política mato-grossense.

A leitura predominante nesse grupo é de que permitir a construção de um projeto com essa influência representaria uma ruptura com o discurso de combate à corrupção e de renovação política defendido por setores ideológicos do partido, principalmente os alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL.

Internamente, a resistência a Wellington Fagundes é considerada consolidada. O senador enfrentou dificuldades durante o processo eleitoral municipal, chegou a ser vaiado em eventos políticos e não é reconhecido por parte da militância como uma liderança orgânica da direita. Dentro do partido, pesa o fato de não ser considerado alinhado integralmente ao bolsonarismo.

Também são lembradas posições recentes do senador contrárias a candidaturas estratégicas do partido, como as de Cláudio Ferreira em Rondonópolis e Flávia Moretti em Várzea Grande. Com prefeitos eleitos e fortalecidos, muitos deles resultado de articulações alinhadas ao projeto defendido por Medeiros, cresce a crítica de que Wellington tenta agora se apoiar nessas mesmas lideranças para viabilizar sua candidatura.

O pano de fundo do embate revela um cenário mais amplo de fragmentação da direita em Mato Grosso. Medeiros aponta que o governador Mauro Mendes, do União Brasil, sempre esteve alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que, na avaliação do grupo, torna ainda mais evidente a contradição interna do campo político.

Na prática, o confronto entre Medeiros e Wellington Fagundes deixa de ser um episódio isolado e passa a representar uma disputa mais profunda sobre os rumos da direita no estado. Com a influência política de Janaína Riva no centro do conflito, o Partido Liberal enfrenta um cenário de divisão que tende a se intensificar com o avanço do calendário eleitoral.

 

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Se o Senado era prioridade, por que Wellington vai disputar o Governo?”: fala de Medeiros escancara racha no PL em Mato Grosso

Se o Senado era prioridade, por que