• 30 de outubro de 2026
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APREENSÕES

PF apreende R$ 4,3 milhões, 31 veículos, 167 relógios e 16 armas em operação que prendeu presidente do TCE-MT em Cuiabá

Balanço divulgado na noite desta quinta-feira (29) aponta ainda a apreensão de dólares, euros, milhares de munições e 112 garrafas de vinho; investigação sobre pagamentos milionários já provocou seis prisões e o afastamento de conselheiros
Foto: Reprodução

A Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (29), em Cuiabá, revelou a dimensão do patrimônio encontrado durante as buscas realizadas contra investigados por um suposto esquema de corrupção no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). O balanço divulgado pela corporação aponta a apreensão de R$ 4.360.607 em dinheiro, 31 veículos, 167 relógios, 16 armas de fogo e 6.512 munições, além de valores em moedas estrangeiras, equipamentos eletrônicos e outros bens recolhidos durante o cumprimento das determinações judiciais.

Os números foram apresentados em uma atualização do balanço da operação, realizada no início da noite. Entre os valores encontrados estão US$ 106.865, € 19.870, £ 2 mil e 3.650 pesos argentinos. Os policiais também apreenderam 27 aparelhos celulares e 112 garrafas de vinho. A quantidade de bens recolhidos chama a atenção pela variedade e pelo volume, especialmente em uma investigação que procura esclarecer a origem de movimentações financeiras milionárias envolvendo integrantes da cúpula de um órgão responsável pela fiscalização dos gastos públicos.

A Polícia Federal não individualizou os proprietários dos veículos, relógios, armas e demais objetos apreendidos. Também não informou quais bens foram encontrados em cada endereço. A identificação da origem do patrimônio e de sua eventual relação com as irregularidades investigadas dependerá da análise dos documentos, registros bancários e demais provas recolhidas.

A operação resultou na prisão preventiva do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, e de outras cinco pessoas ligadas à estrutura administrativa e jurídica do tribunal. Também foram presos o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, os assessores Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke, a chefe de gabinete Roseli Loss e o servidor Adriangelo Barros Antunes.

As prisões foram determinadas pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável pela autorização das medidas judiciais. Ao todo, mais de 180 policiais federais participaram do cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Além das prisões, a investigação atingiu diretamente a composição do Tribunal de Contas. Os conselheiros Guilherme Antônio Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Carvalho de Alencar foram afastados de suas funções. O conselheiro aposentado Valter Albano da Silva também foi alcançado por restrições judiciais que o impedem de exercer atividades vinculadas à instituição.

A apuração da Polícia Federal aponta a existência de um possível mecanismo de pagamentos realizados fora da folha convencional de remuneração, com utilização de ordens bancárias avulsas e registros administrativos associados a fornecedores. Segundo informações da decisão judicial divulgadas pela imprensa, a investigação identificou aproximadamente R$ 75,8 milhões em movimentações financeiras consideradas suspeitas.

Somente nas contas de Sérgio Ricardo, os investigadores identificaram créditos superiores a R$ 15,4 milhões em menos de dez meses de 2025. No mesmo período, foram registrados aproximadamente R$ 15,6 milhões em saques de dinheiro vivo. A diferença entre os valores movimentados e a remuneração oficialmente divulgada pelo tribunal é um dos pontos examinados pela Polícia Federal.

A investigação também atribui movimentações milionárias a outros conselheiros e servidores. Guilherme Maluf teria recebido aproximadamente R$ 10,6 milhões por meio de pagamentos investigados, enquanto José Carlos Novelli aparece associado a R$ 8,87 milhões. Alisson Alencar teria recebido R$ 8,18 milhões e Valter Albano, R$ 6,6 milhões, conforme informações extraídas da decisão judicial e divulgadas pela imprensa.

Outro núcleo investigado envolve servidores da estrutura jurídica e financeira da instituição. O consultor Grhegory Maia aparece associado a movimentações superiores a R$ 32 milhões. A Polícia Federal analisa a utilização de diferentes contas bancárias, saques em espécie e possíveis mecanismos de ocultação patrimonial.

As suspeitas não se limitam aos pagamentos internos. A investigação também examina a possibilidade de que suspensões de contratos administrativos tenham sido utilizadas para pressionar empresas fornecedoras, enquanto determinados pagamentos continuavam sendo liberados. Os investigadores procuram esclarecer se houve favorecimento de empresas e eventual retorno de parte dos recursos a integrantes do grupo investigado.

A quantidade de dinheiro e bens apreendidos durante a operação deverá contribuir para essa apuração. Veículos, relógios e outros objetos de alto valor poderão ser confrontados com declarações patrimoniais, registros fiscais, movimentações bancárias e documentos encontrados nos endereços dos investigados. A apreensão, por si só, não significa que os bens tenham origem criminosa.

O balanço da Polícia Federal também registra um flagrante relacionado a armas de fogo e a lavratura de um termo circunstanciado envolvendo drogas. A corporação não divulgou, nas informações apresentadas, a identificação dos responsáveis por essas ocorrências.

A repercussão da operação provocou uma crise administrativa no TCE-MT. Com Sérgio Ricardo preso e outros três conselheiros titulares afastados, o vice-presidente Waldir Júlio Teis assumiu interinamente o comando da instituição. O tribunal anunciou a suspensão do expediente e dos prazos processuais desta quinta-feira, além do cancelamento da sessão plenária prevista para terça-feira (3).

Em manifestação institucional, o TCE-MT informou que cumprirá as determinações judiciais e adotará providências para preservar a continuidade de suas atividades. A instituição terá de reorganizar sua composição enquanto a Polícia Federal aprofunda a investigação sobre a movimentação de recursos públicos.

O balanço das apreensões amplia a dimensão material da Operação Tomada de Contas, mas os R$ 4,36 milhões encontrados em espécie não devem ser confundidos com os valores identificados nas movimentações bancárias investigadas. A origem do dinheiro e a eventual participação individual dos investigados ainda dependem de apuração. As prisões e os afastamentos são medidas cautelares, e não condenações.

Nota de checagem: os quantitativos detalhados do balanço noturno foram utilizados conforme a atualização anterior da apuração. Na nova consulta ao portal público da PF, a versão acessível ainda apresentava o comunicado inicial, sem a discriminação desses bens; por isso, a confirmação documental independente dos números permanece pendente.

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