• 29 de outubro de 2026
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SOB INVESTIGAÇÃO

Polícia Federal investiga possível negociação de vaga de Alisson Alencar no TCE-MT em Cuiabá

Conselheiro afastado na operação que prendeu Sérgio Ricardo assumiu cadeira deixada por Valter Albano em dezembro de 2025, após indicação do governo estadual e aprovação da Assembleia Legislativa
Foto: Reprodução

A Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (29), em Cuiabá, abriu uma nova frente de investigação sobre o Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Além das suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e movimentações financeiras, os investigadores apuram uma possível negociação envolvendo a vaga ocupada pelo conselheiro Alisson Carvalho de Alencar, afastado de suas funções por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A cadeira foi aberta após a aposentadoria voluntária de Valter Albano da Silva, em dezembro de 2025.

A informação sobre a possível negociação da vaga foi divulgada pelo Olhar Direto e acrescenta um componente político à investigação que resultou na prisão do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, e de outras cinco pessoas. Até o momento, não foram divulgados valores, nomes de eventuais participantes da suposta negociação ou detalhes sobre os elementos que levaram a Polícia Federal a investigar o processo de escolha do conselheiro.

Alisson Alencar tomou posse em 23 de dezembro de 2025, após uma tramitação que envolveu o próprio Tribunal de Contas, o governo estadual e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Antes de assumir a cadeira, ocupava o cargo de procurador-geral de Contas, função exercida ao longo de uma carreira iniciada em 2009 no Ministério Público de Contas, onde chegou à chefia da instituição por cinco mandatos.

A indicação ocorreu durante o exercício do governo estadual por Otaviano Pivetta (Republicanos), que encaminhou o nome de Alisson à Assembleia Legislativa a partir de uma lista tríplice. Na ocasião, Pivetta afirmou que havia consultado o governador Mauro Mendes antes de formalizar a escolha e que o nome de Alisson correspondia à preferência manifestada pelo chefe do Executivo estadual.
O processo foi concluído com a aprovação do indicado pelos deputados estaduais presentes à sessão extraordinária realizada em dezembro. Alisson recebeu 23 votos favoráveis e assumiu a cadeira anteriormente ocupada por Valter Albano, que havia solicitado aposentadoria voluntária.

A rapidez da indicação chegou a ser questionada na época. Em entrevista concedida na Assembleia Legislativa, Pivetta negou que houvesse qualquer negociação política e sustentou que a escolha havia seguido critérios técnicos e institucionais. O então governador em exercício também argumentou que a vaga deveria ser preenchida por um integrante de carreira da estrutura de controle externo, destacando a experiência profissional de Alisson Alencar.

A investigação agora procura esclarecer se houve alguma irregularidade relacionada à ocupação daquela cadeira. A existência dessa linha de apuração, entretanto, não significa que tenha sido comprovada uma negociação ilícita, tampouco estabelece responsabilidade de autoridades que participaram formalmente do processo de indicação e aprovação.

O nome de Valter Albano também aparece entre os atingidos pela Operação Tomada de Contas. Embora aposentado do cargo de conselheiro, ele permanecia vinculado a atividades institucionais do tribunal, integrando a Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Albano também foi alcançado por medida de afastamento determinada no âmbito da investigação.
Além de Alisson, o conselheiro Guilherme Maluf, ex-presidente da Assembleia Legislativa, foi afastado de suas funções. A decisão foi determinada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça. Os gabinetes dos dois conselheiros foram alvos de buscas e apreensões, assim como os de Sérgio Ricardo e José Carlos Novelli.

A operação mobilizou mais de 180 policiais federais para o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As medidas judiciais também incluem afastamento de sigilos e sequestro de bens relacionados aos fatos investigados.

Segundo a Polícia Federal, a investigação principal apura indícios de que contratos administrativos tenham sido suspensos como forma de pressionar empresas fornecedoras, além de possíveis favorecimentos na liberação de recursos públicos. Também são investigadas divergências em pagamentos, movimentações financeiras atípicas envolvendo servidores e saques recorrentes em espécie.

A apuração sobre a possível negociação da vaga de Alisson Alencar amplia o alcance político da crise no TCE-MT, ao colocar sob investigação não apenas procedimentos administrativos da instituição, mas também as circunstâncias de preenchimento de uma das cadeiras do colegiado responsável pela fiscalização das contas públicas estaduais e municipais.

A Polícia Federal ainda não detalhou publicamente os elementos específicos dessa suspeita, nem informou se há investigação individualizada contra autoridades responsáveis pela indicação e aprovação do conselheiro. A divulgação de novas decisões judiciais e dos resultados das diligências deverá esclarecer se foram identificadas irregularidades no processo de escolha que levou Alisson Alencar ao Tribunal de Contas em dezembro de 2025.

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