Lelis critica “omissão” da Prefeitura de Poxoréu antes do plebiscito e rejeita judicialização após derrota
Vereador afirma que Executivo deveria ter questionado a consulta popular antes da votação e diz que agora município precisa buscar alternativas para reduzir impactos da perda territorial Foto: Reprodução
O vereador professor Lelis criticou a atuação da Prefeitura de Poxoréu durante o processo que culminou no plebiscito sobre a incorporação de parte do distrito de Nova Poxoréu a Primavera do Leste. Segundo ele, apesar da mobilização realizada pela Câmara Municipal e por entidades locais, faltou uma participação mais efetiva do Poder Executivo na tentativa de manter o território pertencente a Poxoréu.
A consulta popular foi realizada no domingo (25) e terminou com aprovação da proposta considerando o resultado conjunto dos municípios envolvidos. Em Poxoréu, a maioria dos eleitores votou contra a mudança, enquanto em Primavera do Leste prevaleceu o voto favorável.
Lelis afirmou que respeita a decisão das urnas e reconhece que, diante do resultado, o processo segue agora para as próximas etapas. No entanto, atribuiu parte do resultado à postura adotada pelo Executivo poxorense antes da votação.
“Nossa posição é respeitar as urnas, respeitar o resultado do plebiscito. Fizemos todo o trabalho com a sociedade poxorense e a resposta do povo de Poxoréu foi contra essa anexação a Primavera do Leste. Porém, o contexto do plebiscito deu o resultado para Nova Poxoréu ser anexada ao município de Primavera do Leste”, afirmou.
“Houve uma omissão do Poder Executivo”, diz vereador
Durante a entrevista, Lelis disse que vereadores e representantes de entidades se mobilizaram pela manutenção do território, mas afirmou não ter observado o mesmo envolvimento por parte da administração municipal.
“Tivemos a participação de todos os vereadores, tivemos a participação da Maçonaria, do Instituto Histórico de Poxoréu, porém teve uma omissão do Poder Executivo. Nós não vimos o mesmo empenho que teve a Câmara de Vereadores”, criticou.
Segundo o parlamentar, faltou uma mobilização maior de integrantes da administração municipal junto à população.
“Nós não vimos a mobilização dos secretários, dos comissionados, do próprio prefeito, que poderia estar nas ruas pedindo para que o povo votasse não. Não fez essa campanha”, declarou.
Lelis disse ainda que os defensores da permanência de Nova Poxoréu no município sabiam das dificuldades impostas pela diferença entre os eleitorados de Poxoréu e Primavera do Leste, mas consideravam necessário defender o território.
Vereador aponta possíveis impactos na arrecadação
Outra preocupação levantada por Lelis está relacionada aos possíveis reflexos financeiros e administrativos da alteração territorial.
O vereador avalia que Poxoréu poderá sofrer redução de receitas e impactos em áreas como educação e saúde. Ele também manifestou preocupação com a manutenção, no futuro, de estruturas públicas existentes no município.
“Dentro do orçamento do Fundo de Participação, nós teremos uma perda. Na educação, no Fundeb, teremos uma perda; na questão da saúde também, além de correr o risco de perder instituições como Fórum, comarca e cartório eleitoral”, afirmou.
As projeções apresentadas pelo vereador durante a entrevista não vieram acompanhadas de estimativas financeiras ou estudos sobre a dimensão desses eventuais impactos.
Para Lelis, diante do resultado das urnas, o momento agora deve ser de buscar alternativas para reduzir possíveis prejuízos ao município.
“O exercício agora é tentar minimizar isso, buscar alternativa para solucionar isso, mas é preciso um posicionamento mais firme do Poder Executivo. É preciso que o Poder Executivo tenha coragem de enfrentar essa problemática”, declarou.
Lelis diz que eventual questionamento deveria ter ocorrido antes
Um dos pontos mais contundentes da entrevista foi a posição do vereador sobre uma possível judicialização do processo após o resultado do plebiscito.
Lelis afirmou ser contrário a uma tentativa de reverter somente agora, pela via judicial, aquilo que foi decidido nas urnas. Para ele, eventuais questionamentos jurídicos sobre a realização da consulta deveriam ter sido apresentados antes da votação.
“Eu vejo aí a argumentação: ‘vamos judicializar’. Não. Quando nós entramos no jogo, sabíamos as regras do jogo. Então deveria ter feito isso antes”, afirmou.
O vereador argumentou que havia uma diferença significativa entre o número de eleitores dos dois municípios e que essa questão poderia ter sido levada previamente ao Judiciário.
Segundo Lelis, vereadores chegaram a discutir o assunto com integrantes do Judiciário e, conforme seu relato, houve orientação para que o município avaliasse a possibilidade de ingressar com mandado de segurança contra a realização do plebiscito. O parlamentar responsabilizou o Executivo por não ter adotado essa medida.
“O município que tem o poder, o Poder Executivo que tem o poder de impetrar mandado de segurança, de judicializar isso, não fez. Não é agora que nós vamos fazer”, declarou.
Lelis também citou a atuação do vereador Leondas, que presidiu a Câmara no ano passado, e disse que o Legislativo buscou interlocução com a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Justiça durante as discussões sobre o plebiscito.
Ao criticar uma eventual tentativa de reverter o resultado somente depois da votação, Lelis foi enfático: “É a mesma coisa entrar no jogo sabendo as regras e depois querer ganhar no tapetão”.
Prefeitura diz que acompanhará processo e defenderá interesses de Poxoréu
Em nota, a Prefeitura de Poxoréu afirmou respeitar a manifestação popular expressa nas urnas e destacou que o plebiscito representa uma etapa do procedimento de alteração territorial.
A administração reconheceu que houve posições distintas entre os dois municípios, com Poxoréu votando majoritariamente contra o desmembramento e Primavera do Leste favorável à proposta.
A Prefeitura informou que acompanhará os próximos trâmites junto à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e defenderá que o processo seja conduzido com transparência, respeito ao devido processo legal, segurança jurídica e observância das normas constitucionais e legais.
Ainda conforme a nota, uma alteração territorial dessa dimensão exige análise dos aspectos jurídicos, administrativos, territoriais e sociais e dos possíveis impactos sobre a população e os serviços públicos.
A administração também ressaltou os vínculos históricos de Poxoréu com Nova Poxoréu e afirmou que permanecerá “vigilante e atuante, dentro dos instrumentos legais cabíveis”, na defesa dos interesses do município e de seus cidadãos.
A nota da Prefeitura não responde diretamente às críticas feitas por Lelis sobre a suposta falta de atuação do Executivo antes da realização do plebiscito.
Veja a nota na íntegra:
A Prefeitura Municipal de Poxoréu manifesta-se a respeito do resultado do plebiscito realizado no dia 25 de outubro de 2026, que tratou da proposta de desmembramento de parte do território do distrito de Nova Poxoréu para incorporação ao município de Primavera do Leste.
O resultado da consulta popular demonstrou posições distintas entre os municípios envolvidos, com a população de Poxoréu votando majoritariamente contra o desmembramento, enquanto a população de Primavera do Leste votou favoravelmente à proposta.
A Administração Municipal respeita a manifestação expressa nas urnas e reconhece a importância da participação popular nas decisões que envolvem a organização territorial dos municípios. Entretanto, o resultado do plebiscito representa uma etapa do procedimento, cabendo acompanhar os atos e as deliberações subsequentes das autoridades competentes.
Sendo assim, o município de Poxoréu acompanhará atentamente os próximos trâmites junto à Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, defendendo que todas as etapas sejam conduzidas com total transparência e respeito ao devido processo legal, à legalidade, à segurança jurídica e às normas constitucionais e legais aplicáveis.
A Administração Municipal entende que uma alteração territorial dessa dimensão exige análise criteriosa de seus aspectos jurídicos, administrativos, territoriais e sociais, considerando os impactos para a população diretamente envolvida e para os serviços públicos prestados à comunidade.
Poxoréu possui uma história, uma identidade e vínculos construídos ao longo de décadas com o distrito de Nova Poxoréu. Por isso, o resultado do plebiscito é acompanhado com atenção e respeito ao sentimento da população poxorense, que expressou nas urnas sua posição contrária à proposta.
A Prefeitura reafirma seu compromisso com a defesa dos interesses do município e de seus cidadãos, mantendo-se vigilante e atuante, dentro dos instrumentos legais cabíveis, para que a continuidade do processo observe integralmente as garantias legais e institucionais.






