• 19 de outubro de 2026
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Incentivo ao etanol trouxe R$ 27 bilhões em investimentos nas usinas de Mato Grosso

Estudo do Observatório da FIEMT mostra que o setor gerou R$ 3 bilhões em ICMS em 2025, R$ 1,1 bilhão a mais do que recebeu em incentivos, e já responde por 12% do imposto no estado
Foto: Usina em Mato Grosso - Divulgação Bioind-MT

Desde 2017, as usinas de etanol investiram R$ 27 bilhões em Mato Grosso, e outros R$ 6,8 bilhões estão previstos até 2028. Esse movimento foi impulsionado pela política estadual de incentivos, como o PRODEIC, e já se reflete nos cofres públicos: em 2025, a arrecadação estimada de ICMS associada ao setor chegou a cerca de R$ 3 bilhões, R$ 1,1 bilhão a mais do que os R$ 1,9 bilhão concedidos em incentivos no mesmo ano. São recursos que financiam serviços públicos no estado e nos municípios. Os dados são de levantamento do Observatório de Mato Grosso, ligado à Federação das Indústrias de Mato Grosso (FIEMT), em parceria com o Sindicato das Indústrias de Bioenergia de Mato Grosso (BIOIND-MT).

Para o presidente do BIOIND-MT, José Fernando Mazuca Filho, os grandes investimentos realizados na implantação e ampliação de usinas em território mato-grossense têm reflexos no aumento da arrecadação de impostos e foram viabilizados pelo aprimoramento das políticas industriais.

“Com apoio, o setor de etanol cresce, e a participação da indústria de etanol na arrecadação estadual de ICMS, que era de 4% em 2019, já é de 12%. É visível que o crescimento da atividade industrial traz reflexos não só para a economia de Mato Grosso, mas também para os municípios localizados no entorno das usinas”, afirma Mazuca.

Ainda de acordo com o estudo, entre 2020 e 2025, a arrecadação estimada foi de R$ 10,7 bilhões em ICMS associado ao setor, ante R$ 6,5 bilhões em incentivos concedidos. Na comparação com 2019, a arrecadação estimada de ICMS do setor em 2025 ficou mais de sete vezes maior (alta de 627%), enquanto os incentivos pouco mais que triplicaram (alta de 231%). O levantamento aponta ainda que, para cada R$ 1 concedido em incentivo, as usinas realizaram R$ 4,10 em investimentos privados.

Segundo simulação do estudo, se o PRODEIC não tivesse sido ampliado e a produção tivesse permanecido no patamar de 2019, a arrecadação de ICMS do setor seria 67% menor só em 2025.

“Sem o incentivo, Mato Grosso teria arrecadado cerca de R$ 2 bilhões a menos em ICMS. Esses números mostram que transformar a produção agrícola é uma decisão estratégica para Mato Grosso. Ao industrializar nossa matéria-prima dentro do estado, ampliamos a geração de empregos, renda e arrecadação. É esse o papel de uma política de incentivos bem estruturada: criar condições para que a indústria cresça e os resultados econômicos retornem para a sociedade”, destaca Silvio Rangel, presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (FIEMT).

O PRODEIC – Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso – é um dos instrumentos estaduais de política industrial que contribuem para a competitividade das usinas. Em Mato Grosso, a relevância desse apoio é observada em um contexto de custos logísticos elevados com o transporte do produto para a região Sudeste, principalmente por via rodoviária. Só em 2025, o custo total de fretes nas operações interestaduais atingiu cerca de R$ 2,8 bilhões, valor superior a todo o incentivo recebido pelo setor no mesmo ano.

“Produzir etanol em Mato Grosso significa estar distante dos principais mercados consumidores e enfrentar custos logísticos mais altos. O PRODEIC é importante para compensar parte dessa desvantagem e permitir que as indústrias mato-grossenses concorram em condições mais equilibradas. Goiás e Mato Grosso do Sul, por exemplo, são estados que possuem programas de incentivo à atividade industrial, mesmo estando mais próximos dos grandes centros consumidores. Sem essa política, muitos dos investimentos realizados em Mato Grosso poderiam ter sido direcionados a outros estados”, explica José Lombardi, consultor tributário do Sindicato das Indústrias de Bioenergia de Mato Grosso (BIOIND-MT).

Sobre o BIOIND-MT

O Sindicato das Indústrias de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (BIOIND-MT) representa 13 empresas que processam cana-de-açúcar e milho no estado, atuando na produção de açúcar, etanol, DDG/DDGS, óleo, biogás, biometano e energia de biomassa. Fundado em 1985, o BIOIND-MT tem como missão fortalecer a competitividade do setor com responsabilidade ambiental, social e econômica. A entidade promove políticas de investimento, acompanha dados de mercado e incentiva o crescimento sustentável da bioindústria.

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