• 15 de outubro de 2026
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A disputa pela Câmara de Rondonópolis já começou; Quem terá força para comandar o Legislativo em 2027?

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A eleição da próxima Mesa Diretora da Câmara Municipal de Rondonópolis já deixou de ser uma possibilidade distante. Na última quarta-feira (14), os vereadores aprovaram a resolução que antecipa a eleição para o biênio 2027/2028. A votação para escolher o novo presidente e os demais membros da Mesa Diretora está marcada para o próximo dia 23.

A decisão formal é simples. A disputa política, nem tanto.

Nos bastidores, a avaliação é de que o prefeito Cláudio Ferreira (PL) conta atualmente com uma base de 14 vereadores. Mas, quando se observa quem efetivamente esteve ao seu lado no projeto político que levou a primeira-dama Alessandra Ferreira à vitória na eleição para deputada estadual, o grupo mais diretamente identificado com essa composição se reduz a nove nomes: Kaza Grande, Wesley Cláudio, Gelsão da Saúde, Adonias, Kalynka Meirelles, Paulo Schuh, Investigador Gerson, Wellington Pereira e Adilson do Naboreiro.

É desse grupo que, segundo as conversas de bastidores, poderá sair o próximo presidente do Legislativo municipal.

Mas a eleição da Mesa Diretora raramente se resume à quantidade de vereadores que integram uma base. Há diferenças entre apoio político, fidelidade, interesse próprio e capacidade de construir maioria. E é justamente nesse espaço que a disputa começa a ficar mais interessante.

O Vereador Adonias, que assumiu a vaga da Vereadora Mariúva por decisão judicial, ainda não possui a mesma segurança jurídica sobre o mandato que os demais vereadores. Essa circunstância naturalmente pesa nas projeções sobre seu futuro político e torna menos provável, neste momento, que seu nome seja colocado no centro da disputa pela Presidência da Câmara.

Por outro lado, a situação de Adonias não significa que ele esteja fora do jogo político. Sua experiência no Legislativo, o bom relacionamento construído com os demais vereadores e sua atuação durante a campanha da primeira-dama Alessandra Ferreira lhe deram espaço dentro do grupo político do prefeito. Nesse período, também teria construído uma relação de maior proximidade com Cláudio Ferreira, o que pode colocá-lo em outra posição estratégica, a de possível líder do prefeito na Câmara. Mesmo que não esteja hoje entre os nomes mais cotados para presidir o Legislativo, Adonias pode desempenhar um papel importante na condução da base e na interlocução entre o Executivo e os vereadores.

Como não temos bola de cristal, é preciso trabalhar com o cenário possível e não com certezas que ainda não existem.

Dentro desse grupo, quatro nomes aparecem com maior potencial para a disputa: Gelsão da Saúde, Wellington Pereira, Kaza Grande e Kalynka Meirelles.

E, é aí que surge uma possibilidade inesperada: Gelsão da Saúde. Sua eventual escolha seria, sem dúvida, uma das maiores surpresas da eleição. Seu nome não aparece necessariamente como o mais óbvio quando se olha para a composição atual da Câmara, mas política não se faz apenas com nomes previsíveis. Faz-se com capacidade de reunir apoios, confiança e, principalmente, votos suficientes para formar uma maioria.

O prefeito Cláudio Ferreira já demonstrou força política na primeira eleição da Mesa Diretora. Naquela ocasião, conseguiu conduzir uma composição que terminou com a escolha unânime de Paulo Schuh para presidir a Câmara no primeiro biênio, mandato que se encerra em dezembro de 2026. Essa experiência não pode ser ignorada.

A eleição de Paulo Schuh mostrou que o Executivo municipal conseguiu participar ativamente da formação de uma maioria no Legislativo. Agora, porém, será diferente? Talvez exista alguém que tenha construído maior influência dentro da Câmara. A questão é saber também qual será o grau de proximidade entre Executivo e Legislativo nos próximos dois anos.

Por isso, mais do que saber quem será o candidato, será preciso observar quem conseguirá reunir os votos necessários para vencer.

Até o dia 23, muitos acordos ainda podem ser construídos, nomes podem ganhar força e alianças podem mudar de direção. Na política, especialmente quando se trata da Presidência de uma Câmara Municipal, aquilo que parece definido hoje pode não estar definido amanhã.

A eleição da Mesa Diretora será, portanto, um teste de força. Para os vereadores, será a oportunidade de demonstrar autonomia e capacidade de construir maioria. Para o prefeito, será mais uma prova de sua habilidade política dentro do Legislativo.

E, entre os nomes que começam a aparecer no tabuleiro, Gelsão da Saúde pode ser justamente a peça que hoje parece menos previsível, mas que amanhã poderá ocupar o centro da mesa, justamente por ser, hoje, o nome que goza de maior da confiança do prefeito.

 

*Ilson Galdino – Advogado e servidor público

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