Prefeitura apresenta R$ 163 milhões em projetos contra alagamentos
Planejamento inclui drenagem, viadutos e intervenções em pontos críticos de Primavera do Leste; parte das obras ainda está em análise, negociação ou depende de autorização de outros órgãos Foto: Reprodução
A Prefeitura de Primavera do Leste apresentou um conjunto de projetos e intervenções estimado em aproximadamente R$ 163 milhões para enfrentar problemas de drenagem, alagamentos e infraestrutura em diferentes pontos da cidade. Do total, cerca de R$ 106 milhões são tratados pela administração como investimentos conquistados ou viabilizados, enquanto outros R$ 57 milhões ainda precisam ser captados.
Os números foram apresentados pelos secretários municipais de Governo, Daniel Russo, e de Infraestrutura, Valfredo Rodrigues, durante sessão extraordinária da Câmara Municipal realizada na terça-feira (13). Os dois foram convocados para prestar esclarecimentos sobre obras, projetos, valores, cronogramas e medidas adotadas diante dos recorrentes problemas provocados pelas chuvas.
Apesar do volume financeiro apresentado, parte das intervenções ainda está em fase de projeto, análise técnica, negociação ou depende da liberação de recursos e de autorizações de órgãos estaduais e federais. Algumas delas também não possuem prazo definido para execução.
Daniel Russo reconheceu durante a apresentação que nem todos os problemas estão solucionados e evitou estabelecer datas para intervenções que ainda dependem de outras etapas.
“Não vou afirmar que todos os problemas estão sendo resolvidos, porque não estão. Também não vou anunciar prazos que ainda não podem ser tecnicamente garantidos”, afirmou.
O secretário também argumentou que os problemas de drenagem são antigos e apresentou registros de ocorrências anteriores à atual administração. Segundo ele, as soluções de maior porte exigem planejamento, projetos, recursos e continuidade das ações.
RUA DO COMÉRCIO TEM PROJETO DE R$ 43,7 MILHÕES
Entre as maiores intervenções apresentadas está a da Rua do Comércio, região que voltou a registrar alagamentos e prejuízos a empresas durante as fortes chuvas.
O projeto está dividido em duas etapas e prevê intervenções em aproximadamente 4,74 quilômetros, envolvendo drenagem e pavimentação. O investimento estimado é de R$ 43,7 milhões e o projeto ainda está em análise na Secretaria Municipal de Infraestrutura.
Na mesma região, está prevista a transposição de dois pontos de concentração natural de água sob a BR-070. A proposta prevê duas travessias, cada uma com três aduelas.
Como a intervenção atinge uma rodovia federal, o projeto depende de análise e autorização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O custo dessa etapa ainda não foi definido.
A Prefeitura informou ainda que concluiu três novas bacias de contenção na região da Rua do Comércio como medida para ampliar a retenção e direcionamento da água.
PREFEITURA VAI REPARAR MURO DANIFICADO
Durante a sessão, Valfredo Rodrigues também confirmou que a Prefeitura pretende reparar muros de imóveis atingidos pelos alagamentos na região.
Segundo o secretário, a aquisição dos materiais necessários para reconstrução do primeiro muro atingido no alagamento mais recente já foi autorizada.
“Já foi autorizado a aquisição do material do primeiro muro, que foi do último alagamento, e dos demais nós vamos executar conforme o nosso cronograma”, declarou.
PROJETOS DE DRENAGEM SOMAM CERCA DE R$ 22 MILHÕES
Outro projeto apresentado prevê intervenções nas avenidas Duvílio Ometto, Massao Sakakima e parte da Avenida Florianópolis.
São aproximadamente 2,3 quilômetros de rede de drenagem, com investimento estimado em R$ 5,9 milhões e prazo previsto de 12 meses. O projeto está em análise na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT).
Já o sistema que contempla a Avenida São Paulo, Avenida Santo Antônio e parte da Rua Olivério Porta prevê aproximadamente 4,8 quilômetros de rede.
O investimento estimado é de R$ 16 milhões, com prazo projetado de 26 meses. A proposta também passa por análise.
Além disso, a Prefeitura apresentou um projeto específico para a Rua Olivério Porta, com 3,56 quilômetros de intervenções envolvendo drenagem, pavimentação, ampliação da via e rede de energia.
O orçamento estimado é de R$ 24 milhões. A proposta está em negociação com o Governo do Estado e ainda não há data definida para início das obras.
VIADUTOS SOMAM MAIS DE R$ 84 MILHÕES
Dois projetos de viadutos também foram incluídos na apresentação.
Na BR-070, está prevista uma estrutura com aproximadamente 103 metros, associada a intervenções de drenagem. O investimento estimado é de R$ 45,7 milhões.
A execução deverá ficar sob responsabilidade do Governo do Estado, sem previsão de contrapartida financeira do município. O projeto passa por adequações antes da licitação e ainda não há cronograma definitivo para a obra.
Na MT-130, na região da Avenida das Nações Unidas, o projeto prevê um viaduto de aproximadamente 180 metros, também acompanhado de intervenções de drenagem.
O investimento está estimado em R$ 38,3 milhões. O projeto foi protocolado na Sinfra e a expectativa apresentada pela administração municipal é de que seja licitado até o final de 2026, com possibilidade de ordem de serviço em 2027.
A previsão, no entanto, ainda não representa um cronograma definitivo do Governo do Estado.
NOVA GALERIA DEPENDE DE R$ 8,6 MILHÕES
A administração municipal também busca aproximadamente R$ 8,6 milhões junto ao Estado para aquisição de aduelas destinadas a uma nova galeria.
A estrutura deverá partir da região da Rua São Paulo, atravessar a faixa de domínio da BR-070 e direcionar a água para a região do córrego Velha Joana.
A intervenção envolve ainda questões ambientais e depende de autorizações para avançar.
R$ 57 MILHÕES AINDA PRECISAM SER CAPTADOS
Ao apresentar o balanço das ações, Daniel Russo informou que a administração considera ter conquistado ou viabilizado cerca de R$ 106 milhões em investimentos, principalmente em articulação com o Governo de Mato Grosso.
Outros R$ 57 milhões, entretanto, ainda precisam ser captados para que novas intervenções possam avançar.
A Prefeitura também defendeu a participação dos vereadores na busca por recursos junto a deputados estaduais, federais e ao Governo do Estado.
O cenário apresentado na Câmara mostra que Primavera do Leste possui hoje uma carteira de projetos de grande porte para tentar enfrentar problemas históricos de drenagem. Parte das soluções, porém, ainda precisa percorrer etapas como análise técnica, autorização de órgãos externos, formalização de convênios, licitação e, principalmente, garantia dos recursos necessários para sair do papel.






