• 9 de outubro de 2026
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CASO EM INVESTIGAÇÃO

Professor Breno foi vítima de emboscada e polícia investiga participação de mais dois no crime em VG

Delegado Bruno Abreu afirma que vítima foi atraída por uma pessoa conhecida; suspeito preso apresentou versão sobre supostas chantagens e revelou participação de outros homens
Foto: Reprodução

O professor Breno Antônio Humberto de Moraes, de 25 anos, encontrado morto após ficar 12 dias desaparecido em Várzea Grande, foi vítima de uma emboscada, segundo a Polícia Civil. A investigação aponta que ele foi atraído por uma pessoa conhecida e levado de motocicleta até a região onde ocorreu o assassinato. Pelo menos três pessoas são investigadas por participação no crime.

O principal investigado até o momento é o serralheiro Elias Samuel Delgado da Silva, de 26 anos, conhecido como “Bigode”. Ele foi preso na quinta-feira (8), na região do Lago do Manso, e posteriormente indicou aos investigadores o local onde estava o corpo de Breno.

O delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou nesta sexta-feira (9) que as imagens registradas na noite do desaparecimento reforçam que Breno conhecia o motociclista que foi buscá-lo.

“Foi uma emboscada para ele. Dificilmente o Breno ia subir numa moto se não fosse alguém muito conhecido. Tanto que ele vai ali com o capacete, ele bate na mão da pessoa, então a pessoa já é conhecida dele, o motoqueiro, e leva ele para o local do crime”, explicou o delegado.

Breno desapareceu no dia 26 de setembro. Imagens de câmeras de segurança registraram o professor com um capacete e, posteriormente, subindo na garupa de uma motocicleta. A investigação agora aponta que esse deslocamento fazia parte da preparação do crime.

De acordo com o depoimento prestado por Elias, um dos envolvidos teria buscado Breno de motocicleta. O serralheiro teria seguido logo atrás em um Toyota Corolla. No local escolhido para o crime, uma terceira pessoa estaria esperando pelo grupo.

A Polícia Civil entende que Breno já foi levado para o local com a intenção de ser morto. Para o delegado, a dinâmica apurada até agora não é compatível com uma ação planejada apenas para ameaçar ou agredir a vítima.

“Não faz sentido ele dar uma surra, sendo que o Breno ia ficar vivo e aí sim ia fazer o que estava prometendo fazer. Então, não tem lógica. Sim, eles levaram ele para matar”, afirmou Bruno Abreu.

O delegado confirmou ainda que a investigação trabalha com a participação de outras pessoas além de Elias.

“Outras pessoas participaram, com certeza. Informalmente, durante a prisão, ele confessou que estaria dentro do Corolla e na moto estaria o Breno e mais uma pessoa que está sendo investigada”, revelou.

A identidade dos outros investigados não foi divulgada pela DHPP para não prejudicar as diligências.

Versão sobre chantagem

Em depoimento, Elias apresentou aos investigadores uma versão para a motivação do crime. Segundo o delegado, o serralheiro afirmou que estaria sofrendo chantagens e sendo pressionado por Breno.

Conforme a versão do investigado, Breno ameaçaria enviar à esposa dele fotografias e informações envolvendo sua vida pessoal. Elias também teria afirmado que chegou a fazer pagamentos à vítima, embora os valores ainda não tenham sido esclarecidos.

“Ele alega que estava recebendo muita chantagem. Segundo ele, no dia dos fatos, o Breno teria enviado uma foto da filhinha dele, dizendo que ele ia ficar sem família, porque a esposa ia descobrir”, relatou Bruno Abreu.

O delegado explicou que, segundo Elias, Breno insistia para que os dois se encontrassem.

“Breno estaria sempre tentando um encontro com ele. Ele não queria, estava relutando, e foi pressionado”, relatou.

Essa versão, entretanto, ainda está sendo investigada. A Polícia Civil analisa celulares e outros elementos para verificar as declarações prestadas pelo suspeito e esclarecer qual era a relação entre os dois.

Bruno Abreu também ressaltou que seria precipitado afirmar neste momento que havia um relacionamento afetivo entre Breno e Elias.

“É uma coisa grave afirmar aqui, de forma prematura, que o cara tinha uma relação afetiva com a vítima. A gente precisa analisar com calma, ter a prova”, ponderou.

Segundo o delegado, as informações obtidas até agora indicam que Breno e Elias já se conheciam havia algum tempo.

“Segundo o irmão, já tinham uma relação de muito tempo, até porque, pelas mensagens que o irmão analisava, eram mensagens muito extensas, de um bom tempo”, afirmou.

Polícia diz não ter encontrado indícios criminosos contra Breno

Ao comentar a trajetória da vítima durante as diligências, Bruno Abreu afirmou que os investigadores fizeram um levantamento sobre a vida de Breno e, até o momento, não encontraram indícios de envolvimento dele em atividades criminosas.

“A personalidade da vítima, a retrospectiva da vida dela, a gente sempre faz nesses casos de homicídio. A gente não detectou, pelo contrário, a gente viu que era uma pessoa muito querida”, declarou o delegado.

A polícia continua confrontando as declarações do investigado com as provas reunidas no inquérito.

Suspeito mudou versão

Elias inicialmente teria afirmado aos policiais que conhecia Breno apenas de vista. Segundo o delegado, essa versão começou a mudar após o suspeito ser confrontado com provas técnicas obtidas durante a investigação.

“No início, ele também relatava que não conhecia o Breno, era só de vista, mas durante a conversa, até trazer ele ao local aqui, ele foi se abrindo”, contou Bruno Abreu.

Após horas de conversa com os investigadores, Elias indicou onde estava o corpo.

Apesar de o investigado sustentar que não teria sido o responsável direto pela execução, a Polícia Civil considera que existem elementos apontando participação direta dele no homicídio.

“Ele alega que, nas palavras dele, ele não matou, mas entregou onde estava o corpo”, explicou o delegado.

“Para a Polícia Civil, ele tem um envolvimento direto no caso”, completou.

O corpo de Breno foi localizado em uma região de mata e brejo em Várzea Grande. Devido ao tempo transcorrido desde o desaparecimento, estava em avançado estado de decomposição.

A perícia também identificou uma lesão provocada por objeto cortante na região íntima da vítima. As circunstâncias e a relação desse ferimento com a dinâmica do homicídio ainda dependem do avanço dos exames e da investigação.

A prisão de Elias é temporária, inicialmente por 30 dias. Durante esse período, a DHPP pretende aprofundar a análise dos aparelhos celulares apreendidos, confrontar os depoimentos com provas técnicas e identificar a participação de cada pessoa envolvida.

“A prisão temporária, de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, é para que a gente possa materializar com mais provas, análise de telefones apreendidos e, com certeza, prender todas as pessoas que participaram desse crime”, afirmou Bruno Abreu.

A investigação continua para esclarecer a motivação, reconstruir toda a dinâmica da emboscada e localizar os demais envolvidos no assassinato.

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