Quaest confirma onda Cury: escritor salta de 2% para 10% e assume terceiro lugar na corrida presidencial
Em menos de três semanas, Augusto Cury multiplicou por cinco sua intenção de voto, ultrapassou adversários tradicionais e começa a se consolidar como terceira força na disputa pelo Palácio do Planalto Foto: Reprodução
A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), confirmou de forma contundente a ascensão do médico psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) na corrida pela Presidência da República. Depois de começar a aparecer com mais força em levantamentos recentes de outros institutos, Cury agora registra um salto expressivo também na Quaest: passou de apenas 2% para 10% das intenções de voto em menos de três semanas e assumiu isoladamente a terceira colocação na disputa.
Na pesquisa anterior da Quaest, divulgada em 14 de agosto, Cury aparecia com apenas 2%, empatado com Romeu Zema (Novo) e atrás de Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), que tinham 4% cada. Lula (PT) liderava com 38%, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparecia com 31%.
O cenário mudou substancialmente na rodada divulgada nesta quarta-feira. Lula oscilou de 38% para 37% e Flávio Bolsonaro passou de 31% para 30%, enquanto Cury disparou de 2% para 10%. Renan Santos caiu de 4% para 3%, Caiado recuou de 4% para 1% e Zema passou de 2% para 1%.
Na prática, enquanto os dois primeiros colocados permaneceram praticamente estáveis, dentro da margem de erro, Augusto Cury ganhou oito pontos percentuais e multiplicou por cinco seu percentual de intenção de voto. Com os 10%, o escritor abriu sete pontos de vantagem sobre Renan Santos, agora quarto colocado, e passou a ser o único candidato fora da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro a atingir dois dígitos.
A comparação entre as duas rodadas também ajuda a identificar de onde pode estar vindo parte desse crescimento. Entre 14 de agosto e 2 de setembro, praticamente todos os principais adversários de Cury perderam terreno numericamente. Lula recuou um ponto, de 38% para 37%; Flávio Bolsonaro perdeu um, de 31% para 30%; Renan Santos caiu de 4% para 3%; Ronaldo Caiado sofreu a maior queda, de 4% para 1%; e Romeu Zema passou de 2% para 1%. Somadas, essas oscilações negativas representam sete pontos percentuais — número próximo dos oito pontos conquistados por Cury no mesmo período.
Isso não significa, porém, que seja possível simplesmente atribuir cada um desses votos ao escritor. Pesquisas agregadas não acompanham individualmente o mesmo eleitor de uma rodada para outra e, portanto, não permitem determinar uma transferência direta. Além disso, brancos e nulos passaram de 8% para 7%, enquanto os indecisos oscilaram de 10% para 11%. O desenho geral, entretanto, mostra que Cury cresceu justamente em um momento de perda ou estagnação de praticamente todos os seus adversários.
O movimento sugere que o escritor não está apenas concentrando votos do chamado terceiro campo. Há sinais de que sua candidatura começa também a penetrar no eleitorado que até então se dividia entre Lula e Flávio Bolsonaro, especialmente entre aqueles que faziam essa escolha mais pela rejeição ao adversário do que por identificação com um dos dois polos. Análise divulgada recentemente sobre outra pesquisa nacional, a BTG/Nexus, apontou justamente esse fenômeno: Cury estaria atraindo eleitores que declaravam voto em Lula ou Flávio “a contragosto”.
Esse componente ajuda a explicar por que o crescimento de Cury ocorre de maneira tão rápida. Se os oito pontos tivessem vindo exclusivamente de Caiado, Renan Santos e Zema, a matemática praticamente esgotaria o eleitorado desses candidatos. Mas Cury chega aos 10% enquanto os três continuam somando votos e, ao mesmo tempo, Lula e Flávio apresentam pequenas perdas. A fotografia das pesquisas sugere, portanto, uma movimentação mais ampla, envolvendo eleitores de candidaturas menores e uma parcela do eleitorado anteriormente acomodada nos dois principais polos.
O resultado reforça uma tendência de crescimento que já vinha sendo apontada por outros levantamentos e muda a configuração da chamada terceira via na eleição presidencial. Se anteriormente Cury disputava espaço no bloco de candidatos que apareciam entre 1% e 4%, agora passa a ocupar sozinho um segundo patamar da corrida, ainda distante dos dois líderes, mas também significativamente à frente dos demais concorrentes.
A ascensão também deixou de ser um movimento isolado de um único instituto. Levantamentos divulgados nos últimos dias já haviam identificado uma disparada semelhante. Na pesquisa BTG/Nexus, Cury saltou de 2% para 11%, enquanto na AtlasIntel/Bloomberg avançou de 1,6% para 7,8%. A chegada aos 10% na Quaest reforça a percepção de que há um movimento nacional em curso em torno de sua candidatura, e não apenas uma oscilação estatística pontual.
A Quaest também incluiu pela primeira vez Augusto Cury em uma simulação de segundo turno contra Lula. Nesse cenário, o presidente aparece com 40%, enquanto Cury alcança 34%. A diferença é de seis pontos percentuais. O desempenho ganha relevância principalmente por se tratar da primeira medição do escritor em um confronto direto no levantamento.
Na principal simulação de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados. Lula tem 42% e Flávio, 41%. Na pesquisa de 14 de agosto, o placar era de 43% a 40%, respectivamente.
A nova pesquisa Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07065/2026.





