• 1 de setembro de 2026
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ELEIÇÕES 2026

Furando a bolha: onda Augusto Cury explode nas redes e já coloca escritor como terceira força na disputa

Psiquiatra salta para 11% nas pesquisas, supera Renan Santos e transforma crescimento digital em votos na corrida pela Presidência
Foto: Redes sociais

A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo componente capaz de alterar o tabuleiro eleitoral na reta final para o primeiro turno. Depois de crescer de forma explosiva nas redes sociais, o psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) transformou engajamento digital em intenção de voto e já aparece como terceira força da disputa pela Presidência da República. O movimento ganhou intensidade após o primeiro debate presidencial, realizado pela Band no dia 23 de agosto, e avançou durante a sequência de sabatinas e o início da propaganda eleitoral.

Conhecido nacional e internacionalmente por seus livros sobre inteligência emocional e gestão da mente, Cury saiu da faixa de 1% a 2%, onde aparecia até poucas semanas atrás, e alcançou 11% em dois dos levantamentos nacionais mais recentes. A arrancada é uma das maiores registradas por um candidato durante a campanha presidencial deste ano e começa a romper a configuração que vinha mantendo a eleição praticamente concentrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (1º) mostra Lula na liderança com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 30%. Augusto Cury aparece isolado numericamente na terceira colocação, com 11%, enquanto Renan Santos (Missão) tem 7%, Ronaldo Caiado (PSD) 4% e Romeu Zema (Novo) 2%. O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre os dias 27 e 31 de agosto e possui margem de erro de dois pontos percentuais.

O resultado confirma uma tendência que já havia aparecido com força nas pesquisas divulgadas na segunda-feira (31). No levantamento BTG/Nexus, Cury também alcançou 11% das intenções de voto, atrás apenas de Lula, com 39%, e Flávio Bolsonaro, com 33%. Ronaldo Caiado apareceu com 5%, enquanto Renan Santos caiu para 3%.

A velocidade da mudança chama ainda mais atenção quando observada a evolução da candidatura. Na rodada anterior do BTG/Nexus, Augusto Cury tinha apenas 2%. Em uma semana, saltou nove pontos percentuais e chegou aos 11%, deixando de ocupar o grupo das candidaturas periféricas para assumir a terceira colocação.

A AtlasIntel/Bloomberg, também divulgada na segunda-feira, captou o mesmo movimento. Cury passou de 1,6% para 7,8% e apareceu numericamente à frente de Renan Santos, que registrou 7,6%. Lula liderou esse levantamento com 43,4%, enquanto Flávio Bolsonaro marcou 33,7%. Considerando a margem de erro de um ponto percentual, Cury e Renan estão tecnicamente empatados, mas o avanço do candidato do Avante novamente aparece como uma das principais movimentações da rodada.

O fenômeno eleitoral ocorre paralelamente a uma forte expansão da presença de Cury nas redes sociais. Desde sua participação no debate da Band, o interesse pelo nome do escritor disparou nas ferramentas de busca e seus vídeos passaram a acumular milhões de visualizações. Diferentemente do pico de interesse normalmente provocado por debates e grandes entrevistas, que costuma perder força nos dias seguintes, as buscas por Augusto Cury permaneceram elevadas durante a semana.

Nas aparições públicas, debates e sabatinas, o escritor tem procurado ocupar um espaço distante do confronto direto que marca a polarização nacional. O discurso de pacificação, saúde mental e equilíbrio emocional é combinado com propostas relacionadas à gestão pública, inteligência artificial e segurança, construindo uma candidatura que tenta se apresentar como alternativa ao embate permanente entre os principais grupos políticos do país.

O crescimento encontra terreno principalmente entre eleitores não polarizados. Dados do próprio BTG/Nexus mostram Cury chegando a 19% nesse segmento, aproximando-se de Flávio Bolsonaro, com 21%, e Lula, com 22%. O desempenho ajuda a explicar por que sua ascensão passou rapidamente a preocupar principalmente o campo oposicionista.

Embora retire votos de diferentes segmentos, os levantamentos mais recentes indicam impacto maior sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno. O perfil de Cury dialoga com parcelas do eleitorado de centro e centro-direita, incluindo conservadores moderados e brasileiros que rejeitam Lula, mas também não demonstram identificação automática com o bolsonarismo.

A movimentação atinge diretamente também Renan Santos, que vinha tentando ocupar justamente o espaço de alternativa aos dois principais polos da eleição. Até poucas semanas atrás, o candidato do Missão aparecia como um dos nomes em ascensão da disputa. Agora, passou a enfrentar um concorrente que cresceu em velocidade muito maior e já o ultrapassou numericamente nos três levantamentos nacionais mais recentes.

A arrancada de Augusto Cury, portanto, já deixou de ser um fenômeno restrito às redes sociais e passou a produzir efeitos concretos na corrida presidencial. Depois de aparecer com 11% e isolado na terceira colocação no BTG/Nexus e numericamente à frente de Renan Santos no AtlasIntel/Bloomberg, o escritor voltou a alcançar 11% na pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira, contra 7% do candidato do Missão.

Os números reforçam uma mudança rápida no segundo pelotão da disputa. No Real Time Big Data, Cury tinha apenas 1% em julho e agora alcança 11%. No BTG/Nexus, passou de 2% para 11% em apenas uma semana. Já na AtlasIntel/Bloomberg, avançou de 1,6% para 7,8%, ficando numericamente à frente dos 7,6% registrados por Renan.

Com três levantamentos nacionais captando praticamente ao mesmo tempo a mesma movimentação, Augusto Cury entra em setembro como a terceira força da corrida presidencial e começa a alterar um cenário que até poucas semanas atrás permanecia concentrado entre Lula e Flávio Bolsonaro. A onda que ganhou força nas redes já chegou às pesquisas e coloca uma nova questão no centro da eleição: até onde poderá avançar uma candidatura que encontrou espaço justamente entre brasileiros que procuram uma alternativa à polarização que domina a política nacional.

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