Deputados defendem apuração sobre investigação do STJ envolvendo Mauro Mendes e Banco Master
Parlamentares afirmam que é preciso aguardar o andamento das investigações e evitam antecipar conclusões sobre o caso revelado pelo jornal O Globo Foto: Christiano Antonucci - Secom - MT
Deputados estaduais comentaram nesta quarta-feira (24), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a informação divulgada pelo jornal O Globo de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu uma investigação contra o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) por suspeitas de possíveis irregularidades e favorecimento ao Banco Master no credenciamento do programa Credcesta, modalidade de crédito consignado destinada a servidores públicos.
Durante entrevista coletiva, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União Brasil) afirmou que qualquer suspeita deve ser devidamente apurada pelos órgãos competentes, mas ressaltou que, até o momento, não vê elementos que apontem irregularidades comprovadas.
Segundo o parlamentar, o governo estadual deve disponibilizar toda a documentação necessária para auxiliar nas investigações.
“Tem que passar as informações para quem precisa. Eu acredito que as coisas foram feitas de forma clara. O governo deve oferecer todos os documentos necessários para que a investigação tenha uma definição final”, declarou.
Dilmar também destacou que o sistema de crédito consignado envolve responsabilidade das instituições financeiras e dos próprios tomadores de empréstimos, observando que muitos servidores acabam contraindo dívidas sem avaliar adequadamente os juros e o comprometimento da renda.
O deputado lembrou ainda que a Assembleia Legislativa já recebeu informações sobre as instituições autorizadas a operar consignados junto aos servidores estaduais.
“Já foi pedido requerimento, já vieram as respostas para o Parlamento e foi divulgado quais são os consignados que emprestam dinheiro aos servidores públicos. Agora é aguardar a investigação”, afirmou.
Já o deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) disse ter recebido a notícia com surpresa e reforçou que não é momento para julgamentos antecipados.
“Foi aberto um inquérito. Todo inquérito precisa ser investigado. Não se pode fazer pré-julgamento”, afirmou.
Júlio Campos lembrou que o próprio Mauro Mendes já havia se manifestado anteriormente sobre as acusações, negando qualquer irregularidade.
“Vamos aguardar. É muito cedo para fazer qualquer previsão do que vai ocorrer. A gente confia na palavra dele”, declarou.
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) também falou com a imprensa e disse que, mesmo ainda, não tendo conhecimento sobre a reportagem, confia no ex-governador e que a verdade vai prevalecer.
“Eu, apesar de ter levantado cedo, já fui logo cedo trabalhar, fiz bastante coisa hoje de manhã, eu não tinha conhecimento. Ninguém está livre de ser investigado, né? A lei está acima de todos nós. Todos nós temos sujeito a isso. Eu confio no Mauro Mendes e nesse período, muitas coisas acontecem além da verdade. Então vamos aguardar os fatos, vamos aguardar a justiça. A justiça sempre prevalece”, afirmou.
O caso
De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Globo, a investigação foi aberta pelo STJ a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tramita sob sigilo.
A apuração busca esclarecer se houve favorecimento ao Banco Master durante o credenciamento do Credcesta em Mato Grosso, em 2023. O processo chamou atenção dos investigadores pela rapidez com que ocorreu após a criação de uma margem consignável específica para o programa.
Mauro Mendes nega qualquer irregularidade e afirma que todos os atos praticados por sua gestão seguiram os princípios legais da administração pública. O ex-governador também sustenta que outras instituições financeiras foram credenciadas no mesmo período e que o Banco Master era apenas uma entre diversas empresas autorizadas a atuar no Estado.
O caso segue em investigação e, até o momento, não há decisão judicial sobre eventual responsabilidade de Mauro Mendes ou de integrantes de sua gestão.






