Deputado Faisal Calil e desembargador de MT são alvos da PF em operação contra suposta venda de sentenças
Operação Gemini é desdobramento da investigação sobre comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no TJMT Foto: Reprodução
A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta segunda-feira (8), mandados de busca e apreensão contra o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o desembargador afastado Dirceu dos Santos, em Cuiabá. A ação faz parte da Operação Gemini, que investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Além das buscas em endereços ligados aos investigados, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos alvos. Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.
A operação é um desdobramento da Operação Sisamnes, conduzida pela Polícia Federal há cerca de dois anos para apurar um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais em Mato Grosso e em outras instâncias do Judiciário brasileiro.
Embora a PF não tenha detalhado oficialmente qual seria a participação de cada investigado, a apuração aponta uma ligação entre Faissal Calil e Dirceu dos Santos que vai além da relação profissional. O parlamentar trabalhou no gabinete do magistrado entre 2017 e 2018, antes de ser eleito deputado estadual nas eleições de 2018.
Segundo informações da investigação, ambos também teriam participado da aquisição, por meio de permuta, de um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 1 milhão, localizado no edifício Vila Real, no bairro Duque de Caxias, área nobre de Cuiabá. O imóvel teria sido identificado em documentos do processo de divórcio do parlamentar, mas não constaria na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral.
Dirceu dos Santos está afastado do Tribunal de Justiça desde março deste ano por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O magistrado passou a ser investigado após indícios de que teria recebido vantagens indevidas em troca de decisões judiciais.
Durante as investigações, a Polícia Federal identificou movimentações patrimoniais superiores a R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos, além de um patrimônio estimado em mais de R$ 16 milhões. Os valores foram considerados incompatíveis com os rendimentos declarados pelo desembargador.
A Operação Gemini integra a mesma linha investigativa iniciada após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em Cuiabá no fim de 2023. A análise do celular da vítima revelou indícios de um suposto comércio de decisões judiciais que teria origem no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e alcançado outras instâncias do Judiciário, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Desde então, a Operação Sisamnes já resultou no afastamento de magistrados em Mato Grosso e em outros estados, ampliando as suspeitas sobre a existência de uma rede de influência e negociação de decisões judiciais.
Até a publicação desta reportagem, Faissal Calil e a defesa de Dirceu dos Santos não haviam se manifestado sobre a operação. O espaço permanece aberto para posicionamentos.






