• 28 de maio de 2026
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TOLERÂNCIA ZERO

Trio é preso após execução ligada a facção criminosa em Bom Jesus do Araguaia

Vítima foi morta com tiro na cabeça às margens da BR-158 após passar por “triagem” em ponto de venda de drogas
Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu em flagrante três integrantes de uma facção criminosa envolvidos em um homicídio qualificado consumado, uma tentativa de homicídio, tráfico de drogas e atuação de organização criminosa em Bom Jesus do Araguaia. As prisões ocorreram nesta terça-feira (26), após uma das vítimas conseguir escapar da ação criminosa e acionar as forças de segurança.

Entre os presos estão uma mulher de 40 anos e dois homens, de 35 e 28 anos. Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Ribeirão Cascalheira, com apoio da Polícia Militar, o grupo atuava impondo domínio territorial e intimidação na região da Vila Planalto, conhecida também como Arno.

De acordo com a Polícia Civil, o crime aconteceu na noite de segunda-feira (25), quando José Inácio de Jesus Brito e um colega foram até um imóvel conhecido como “Biqueira da Luciana” para comprar entorpecentes. No local, os dois acabaram submetidos a uma espécie de “triagem” criminosa, com verificação de celulares, ameaças armadas e cárcere privado.

Durante as buscas nos aparelhos, os suspeitos encontraram uma fotografia que interpretaram como possível ligação de uma das vítimas com uma facção rival. A partir disso, um integrante apontado como “disciplina” da organização criminosa foi acionado.

Segundo a investigação, José Roberto foi levado até as margens da BR-158, onde acabou executado com um disparo na cabeça. Já o colega dele também foi levado ao local, mas conseguiu fugir em direção a uma área de lavoura enquanto os criminosos efetuavam disparos.

Assim que a fuga foi comunicada, equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar iniciaram diligências para localizar os envolvidos. Dois suspeitos, um homem e uma mulher, foram identificados e presos inicialmente como participantes diretos do crime.

As buscas continuaram até a localização do terceiro suspeito, apontado como “disciplina” da facção no município. Conforme a polícia, no momento da abordagem, ele tentou destruir o próprio celular ateando fogo no aparelho, numa tentativa de ocultar provas e dificultar o avanço das investigações.

Durante as diligências, os policiais apreenderam drogas, celulares danificados e outros materiais relacionados à investigação. No imóvel apontado como ponto de tráfico, foram encontradas porções de entorpecentes embaladas para venda, além de vestígios de sangue e objetos utilizados para manter as vítimas em cárcere.

Após serem interrogados pelo delegado Victor Donizete de Oliveira Pereira, os três suspeitos foram autuados em flagrante pelos crimes de integrar organização criminosa ultraviolenta, homicídio qualificado consumado, homicídio qualificado tentado e outros delitos correlatos. O homem e a mulher presos inicialmente também responderão por tráfico de drogas.

Já o suspeito apontado como “disciplina” da facção responderá ainda por fraude processual, em razão da destruição do aparelho celular.

O delegado também enquadrou os suspeitos no crime de domínio social estruturado por organização criminosa ultraviolenta, previsto na nova Lei Antifacção, a Lei nº 15.358/2026, sancionada em março deste ano. A pena pode chegar a 40 anos de prisão.

“Ficou demonstrado que a violência praticada e os homicídios não foram episódios isolados, mas parte de um contexto mais amplo de atuação faccionada ultraviolenta na Vila Planalto/Arno”, destacou o delegado.

A Justiça converteu as prisões em flagrante em preventivas. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que busca identificar outros envolvidos na atuação criminosa. A ação integra a Operação Pharus, desenvolvida dentro do programa Tolerância Zero, de combate às facções criminosas em Mato Grosso.