Sindicato Rural de Rondonópolis busca solução para acabar com o desabastecimento no mercado de vacinas contra clostridioses
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O Sindicato dos Produtores Rurais de Rondonópolis articula junto aos órgãos federais e entidades que os representam, a respeito do desabastecimento no mercado agropecuário de vacinas para gado contra clostridioses, tanto em âmbito local como nacionalmente. Atualmente, o principal entrave não está na produção dos imunizantes, mas sim na morosidade no processo de validação dos lotes para aprovação junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
O presidente do Sindicato Rural de Rondonópolis, Beto Torremocha, explica que após o sindicato tomar conhecimento da falta desta vacina nas prateleiras das lojas agropecuárias, iniciou contatos com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e com a Associação dos Criadores de Mato Grosso (ACRIMAT), entidade representativa dos pecuaristas do estado, além de buscar apoio para questão junto a Frente Parlamentar de Apoio à Agropecuária, em Brasília, por meio do deputada federal, Rodrigo da Zaeli. “Pelo que sabemos, há 30 milhões de vacinas no mercado nacional para serem comercializadas, que precisam da liberação do Mapa, e que por questões burocráticas estão retidas. Os pecuaristas estão apreensivos por causa desta demora de validação, que pode refletir seriamente na sanidade animal de seus rebanhos”, explicou.
Segundo veterinário e pecuarista, Ricardo Lima Carvalho, essa situação das vacinas para clostridioses se arrasta desde outubro do ano passado, ele conta que participou de uma reunião solicitada pela ACRIMAT, com o MAPA e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), onde na oportunidade se comprometeram que não faltaria o imunizante no mercado nacional, uma realidade que não se concretizou segundo o veterinário, que também tem uma loja de produtos agropecuários em Rondonópolis. “Para se ter uma ideia, temos 300 mil doses da vacina na minha câmara fria, o Mapa mandou recolher a vacina, porque deu uma inconformidade lá, mas não mencionou qual. Só mandou recolher, o laboratório já mandou emitir nota de devolução e a vacina vai ser recolhida. Agora o Sindan, enviou um comunicado de quanto que vai produzir do imunizante nos meses de maio, junho e julho, 22 milhões de doses. Só que o nosso rebanho nacional é 208 milhões, ou seja 10% do rebanho bovino brasileiro vai ser liberado daqui até o final de julho”, destacou.
A ACRIMAT também se manifestou por meio de uma nota oficial, enviada para o Ministério da Agricultura e Pecuária, onde expôs a preocupação da classe, com o atual cenário de desabastecimento de vacinas destinadas à prevenção das clostridioses. Onde solicitou a mais breve a regularização da oferta de vacinas no mercado e garantia de condições para o cumprimento adequado dos protocolos sanitários pelos produtores.
Sobre a doença
Conhecidas como “doenças do solo”, as clostridioses continuam sendo um dos principais gargalos sanitários da pecuária nacional. Causadas por bactérias do gênero Clostridium, essas enfermidades são caracterizadas por uma evolução fulminante, muitas vezes levando o animal ao óbito antes mesmo que os primeiros sintomas sejam detectados pelo produtor.
Diferente de outros patógenos, os clostrídios possuem a capacidade de formar esporos, estruturas de resistência que permitem à bactéria sobreviver por anos no ambiente, resistindo ao calor e à seca. O contágio geralmente ocorre pela ingestão de água ou pastagem contaminada, ou através de ferimentos profundos.
As manifestações mais comuns no rebanho incluem:
Carbunculo Sintomático (Manqueira): Afeta principalmente jovens, causando inflamações musculares graves.
Gangrena Gasosa: Geralmente associada a infecções pós-parto ou ferimentos de manejo.
Botulismo: Ligado à ingestão da toxina em carcaças ou água parada, causando paralisia motora.
Tétano: Rigidez muscular extrema, frequentemente após castrações ou marcações sem higiene.






