Laudo da defesa aponta “adoecimento mental grave” e “psicose” em acusada de matar adolescente grávida em Cuiabá
Documento elaborado por psiquiatra forense e psicólogos indica que Nataly Helena Martins Pereira pode ter tido a capacidade de entendimento comprometida no momento do crime; Justiça aguarda definição sobre sanidade mental para prosseguir com júri popular. Foto:
O Mídia Jur teve acesso a um laudo psicossocial que pode mudar os rumos do caso que chocou Mato Grosso. Elaborado por profissionais contratados pela defesa de Nataly Helena Martins Pereira, acusada de matar a adolescente Emilly Azevedo Sena, de 16 anos, o documento aponta que a ré apresentava um quadro de adoecimento mental grave com sintomas de psicose no momento do crime, ocorrido em março de 2025, em Cuiabá.
Produzido em novembro de 2025 pelo psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro e pelas psicólogas Elise Karam Trindade e Gabriela Cristina Favero, o laudo foi solicitado após a Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) suspender o julgamento pelo Tribunal do Júri para aguardar a análise da sanidade mental da ré.
De acordo com os especialistas, há indícios consistentes de que Nataly apresentava, à época dos fatos, sintomas como “delírios de natureza mística e persecutória, alucinações auditivas, desorganização do pensamento e comportamento desadaptativo”. Para os profissionais, essas condições podem ter comprometido, total ou parcialmente, sua capacidade de entendimento e determinação.
O documento também destaca um histórico de “tentativas de suicídio, automutilação, sofrimento psíquico intenso e necessidade de uso contínuo de medicação em doses elevadas, sem resposta satisfatória”. Fatores pregressos como abuso sexual, perda gestacional, uso de drogas e vulnerabilidade social são apontados como elementos que podem ter agravado o quadro de saúde mental da acusada.
Relatos de familiares e do ex-companheiro de Nataly, incluídos no laudo, indicam mudanças progressivas de comportamento, incompatíveis com seu padrão anterior, levantando a hipótese de surtos psicóticos. Diante disso, a defesa pede a instauração de incidente de insanidade mental, previsto no Código de Processo Penal, para que uma perícia oficial multiprofissional aprofunde a avaliação. O laudo também recomenda que a acusada tenha acesso contínuo a tratamento especializado em saúde mental.
O homicídio ocorreu em março de 2025, em Cuiabá. A vítima, Emilly Azevedo Sena, estava grávida de quase nove meses quando foi atraída por Nataly com a promessa de receber doação de roupas de bebê.
O corpo da adolescente foi encontrado enterrado em uma cova rasa no quintal de um irmão da acusada, no dia seguinte ao desaparecimento. A perícia revelou extrema violência: o bebê foi retirado do ventre da vítima enquanto ela ainda estava viva. Emilly morreu em decorrência de hemorragia.
Após o crime, Nataly simulou um parto em casa e chegou a procurar atendimento médico com a criança, fingindo ser a mãe. A equipe de saúde, no entanto, desconfiou da situação e acionou a polícia. Ela foi presa e confessou o assassinato. Investigações também apontaram que a ré tentou contato com outras gestantes antes do crime, em uma possível tentativa de repetir o mesmo modus operandi.
Em julho de 2025, a Justiça decidiu levar Nataly a júri popular por feminicídio qualificado e outros oito crimes, mas o julgamento foi suspenso para a análise de sua sanidade mental. Agora, com o laudo concluso, o Ministério Público Estadual (MPMT) recorre da decisão que suspendeu o júri e aguarda um novo posicionamento da Justiça para definir os próximos passos do caso.






