Bolsonaro volta ao jogo e fortalece Pivetta, enquanto PL entra em guerra interna em Mato Grosso
Movimento do ex-presidente reposiciona forças no estado, pressiona Wellington Fagundes e recoloca projeto original no centro da disputa eleitoral Foto: Reprodução
A volta de Jair Bolsonaro (PL) à articulação política nos bastidores, mesmo sob restrições, já começou a redesenhar o cenário eleitoral de Mato Grosso e trouxe de volta ao centro do jogo o nome do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), ao mesmo tempo em que escancarou uma disputa interna dentro do PL que vinha sendo empurrada com a barriga.
Antes da crise que o afastou momentaneamente do tabuleiro político mais ativo, Bolsonaro havia sido direto com Valdemar Costa Neto (PL) ao tratar do projeto para o estado: queria Pivetta como candidato ao governo, José Medeiros (PL) ao Senado e uma composição que ainda poderia envolver o governador Mauro Mendes (União Brasil), formando um palanque alinhado ao bolsonarismo e com forte respaldo do agronegócio.
Esse desenho foi interrompido quando Bolsonaro, pressionado no cenário nacional por nomes da direita que disputam protagonismo — como Ratinho Júnior (PSD), Eduardo Leite (PSDB), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Romeu Zema (Novo) — decidiu endurecer o jogo e lançar Flávio Bolsonaro (PL) como peça central do projeto presidencial, movimento feito sem a construção tradicional dentro do partido.
Para sustentar essa estratégia nos estados, foi necessário reorganizar as peças, e em Mato Grosso isso significou empurrar o nome do senador Wellington Fagundes (PL) como pré-candidato ao governo, uma escolha que nunca foi unanimidade dentro da própria sigla e que passou a conviver com resistência silenciosa desde o início.
Essa resistência agora ganha forma mais clara com a retomada da influência de Bolsonaro nos bastidores. De um lado, há a tentativa de consolidar Wellington como candidato competitivo; de outro, um grupo que nunca abriu mão do plano original e que volta a se movimentar com mais força, liderado por Medeiros e pelo empresário Odílio Balbinotti, suplente do senador e figura com forte peso no agronegócio.
Medeiros mantém alinhamento direto com Bolsonaro e segue a orientação política do ex-presidente, enquanto Balbinotti atua com uma lógica mais pragmática, ligada ao setor produtivo, que vê em Pivetta um nome mais confiável e alinhado aos interesses do agro. Nos bastidores, a leitura é de que não há espaço para apoiar um projeto que gere insegurança ou desalinhamento com esse setor, e essa posição já teria sido levada, inclusive, à direção nacional do partido em conversas anteriores.
Com Bolsonaro novamente exercendo influência política, ainda que de forma indireta, esse grupo passa a ganhar peso dentro da estrutura do PL em Mato Grosso, o que fragiliza ainda mais a pré-candidatura de Wellington Fagundes, que nunca chegou a se consolidar como um projeto fechado e agora enfrenta um ambiente interno ainda mais hostil.
Não se trata de uma ruptura formal, mas o movimento indica claramente um reposicionamento político. Wellington passa a perder espaço enquanto Pivetta volta a ser visto como alternativa viável, com respaldo político, aceitação no setor produtivo e alinhamento direto com o núcleo bolsonarista.
O que está em curso é uma disputa interna que pode definir o rumo do PL no estado. A legenda, que deveria chegar organizada para a eleição, se vê agora dividida entre um projeto construído em Brasília e a realidade política de Mato Grosso, onde alianças, interesses econômicos e fidelidade política caminham juntos.
Com Bolsonaro novamente influente nos bastidores, o cenário muda de direção e recoloca o jogo em aberto, mostrando que, na política, decisões tomadas fora do tempo ou sem base consolidada costumam cobrar seu preço — e, neste momento, quem sente esse peso é o próprio PL no estado.





