Primavera do Leste repudia episódio de racismo contra servidora da saúde e caso é registrado em boletim de ocorrência
Ocorrência aconteceu em unidade da Estratégia de Saúde da Família na zona rural do município; Prefeitura afirma que racismo é crime e que dará apoio institucional à servidora. Foto: Reprodução
A Prefeitura de Primavera do Leste manifestou repúdio público a um episódio de racismo ocorrido na manhã desta quinta-feira (05) em uma unidade da rede municipal de saúde localizada na zona rural do município. O caso aconteceu na unidade da Estratégia de Saúde da Família (ESF Rural – 16) e resultou no registro de boletim de ocorrência para apuração dos fatos pelas autoridades competentes.
De acordo com a nota oficial divulgada pela administração municipal, uma usuária procurou o setor administrativo da unidade em busca de informações sobre o retorno de consulta. Durante o atendimento, realizado por uma servidora pública, a paciente interrompeu as orientações e afirmou que “não aceitava ser atendida por uma pessoa preta”, recusando-se a continuar o atendimento com a profissional.
A situação foi presenciada por outras pessoas que estavam no local e gerou tumulto dentro da unidade de saúde. Segundo o relato institucional, a coordenação da unidade interveio imediatamente e orientou a usuária sobre a necessidade de tratar os servidores públicos com respeito e urbanidade. Mesmo após a intervenção, a paciente manteve comportamento considerado desrespeitoso e chegou a proferir ameaças contra outros colaboradores da unidade.
Diante da gravidade da situação, a servidora registrou boletim de ocorrência para que o caso seja investigado e as medidas legais cabíveis sejam adotadas.
Na nota divulgada oficialmente, a Prefeitura de Primavera do Leste classificou o episódio como inaceitável e reafirmou que qualquer manifestação de racismo ou discriminação não será tolerada no serviço público municipal.
A administração municipal também manifestou solidariedade à servidora e a todos os profissionais da rede pública de saúde que atuam diariamente no atendimento à população. Segundo o comunicado, a gestão acompanhará o caso e prestará todo o apoio institucional necessário à trabalhadora.
Além de repudiar o episódio, a Prefeitura reforçou que o racismo constitui crime no Brasil, previsto na Lei nº 7.716 de 1989, com alterações posteriores que ampliaram as punições para práticas discriminatórias. A legislação brasileira estabelece que condutas racistas são consideradas crimes graves e não admitem tolerância no ordenamento jurídico.
O episódio também reacende um debate nacional sobre o crescimento dos registros de crimes raciais no país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou mais de 14 mil ocorrências de racismo em 2023, número que representa aumento expressivo nos últimos anos e indica maior formalização das denúncias.
Em Mato Grosso, os registros desse tipo de crime também têm apresentado crescimento. Levantamentos da Secretaria de Estado de Segurança Pública indicam que as delegacias do estado registram centenas de ocorrências anuais relacionadas a racismo, injúria racial e discriminação, reforçando a importância da denúncia e da responsabilização dos autores.
Para a Prefeitura de Primavera do Leste, casos como o ocorrido na unidade de saúde reforçam a necessidade de defesa permanente do respeito, da dignidade humana e da igualdade no atendimento público.
No comunicado oficial, a administração municipal foi enfática ao afirmar que práticas discriminatórias afrontam os princípios fundamentais da convivência em sociedade e do serviço público.
“Racismo é crime e não será tolerado”, conclui a nota institucional divulgada pela Prefeitura.






