Primavera do Leste gera empregos, mas quanto realmente ganha o trabalhador da cidade?
Dados oficiais mostram saldo positivo de vagas formais, mas média salarial revela desafios diante do custo de vida e do crescimento acelerado do município Foto: Reprodução
Os números mais recentes do mercado de trabalho formal indicam que Primavera do Leste segue em ritmo de crescimento na geração de empregos com carteira assinada. De acordo com dados do Novo Caged, o município encerrou 2025 com saldo positivo de aproximadamente 1.190 postos formais no acumulado do ano, consolidando-se entre os principais polos de geração de vagas no interior de Mato Grosso. O dado reforça a imagem de cidade dinâmica, impulsionada pelo agronegócio, comércio e setor de serviços.
Mas a pergunta que fica é outra: quanto ganha, de fato, o trabalhador de Primavera do Leste?
Levantamentos salariais baseados em vínculos formais e médias de mercado indicam que a remuneração mensal na cidade varia, na maior parte das funções operacionais e administrativas, entre R$ 2.000 e R$ 3.200. Cargos ligados à produção agrícola, logística e setores técnicos podem ultrapassar essa faixa, enquanto funções comerciais e de atendimento tendem a ficar abaixo da média geral. Em termos comparativos, a renda média formal no Brasil gira em torno de R$ 3.200 a R$ 3.500 mensais, o que coloca Primavera em posição próxima da média nacional, mas ainda distante de grandes centros.
O contraste é evidente: a cidade cresce, atrai famílias de outros estados e mantém saldo positivo de empregos, mas parte significativa dos trabalhadores ainda está concentrada em faixas salariais que exigem planejamento rigoroso diante do custo de vida urbano, que também avançou nos últimos anos com valorização imobiliária, aumento de aluguel e expansão do comércio.
Outro dado relevante é a composição setorial das vagas. O setor de serviços já supera o agro na participação do PIB municipal, o que indica mudança estrutural na economia local. Ainda assim, a base produtiva ligada ao agronegócio continua sendo motor indireto da renda, influenciando a abertura de vagas em transporte, armazenagem, comércio e manutenção.
A análise fria dos números mostra que Primavera do Leste vive um ciclo de crescimento consistente em termos de emprego formal. No entanto, o desafio agora é qualitativo: elevar a renda média, ampliar a qualificação profissional e consolidar setores com maior valor agregado. Gerar emprego é um passo importante. Garantir que ele pague melhor é o próximo.






