• 2 de fevereiro de 2026
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TRABALHO

Mato Grosso entra na era do trabalho digital em 2026 e expõe risco real para profissões tradicionais

Avanço da inteligência artificial, automação e plataformas digitais começa a eliminar funções repetitivas em todo o estado, atingindo do comércio urbano ao agronegócio, enquanto novas ocupações surgem com exigência de mais qualificação.
Foto: Reprodução

O mercado de trabalho de Mato Grosso atravessa em 2026 uma transformação estrutural silenciosa, mas profunda. Da capital Cuiabá aos polos regionais como Rondonópolis, Primavera do Leste, Sinop e Lucas do Rio Verde, empresas, cooperativas, indústrias, escritórios e o próprio setor público já operam em um ambiente cada vez mais automatizado, conectado e orientado por dados. O efeito direto disso é uma mudança radical no tipo de profissional que o estado passa a demandar.

Funções baseadas em tarefas repetitivas, controle manual de informações e atendimento padronizado são as mais afetadas. Operadores de telemarketing, digitadores, caixas de supermercado, recepcionistas, auxiliares administrativos, agentes de viagem, atendentes de balcão, cobradores e funções similares vêm sendo substituídos por sistemas automáticos, aplicativos, totens de autoatendimento e inteligência artificial. O que antes exigia equipes inteiras hoje pode ser realizado por plataformas digitais integradas, com poucos operadores e alta eficiência.

Esse movimento já é visível no comércio de rua, nas grandes redes varejistas, nos escritórios contábeis, nas cooperativas do agronegócio, nos centros de distribuição e até nas prefeituras. Em vez de fichas, planilhas e atendimentos manuais, entram softwares de gestão, ERPs, bots de atendimento, automação fiscal e sistemas de controle em tempo real. A consequência é a redução de postos tradicionais e a valorização de quem sabe operar, interpretar e extrair valor dessas ferramentas.

A contabilidade básica, o controle financeiro, o cadastro de dados, a emissão de documentos e a organização de estoque estão entre as áreas que mais rapidamente perdem mão de obra operacional. Essas funções não desaparecem por completo, mas passam a ser executadas por tecnologia, exigindo menos pessoas e mais qualificação. O profissional que antes apenas lançava dados agora precisa entender sistemas, validar informações, auditar processos e tomar decisões.

No outro extremo, crescem com força as profissões ligadas à tecnologia, dados e comunicação. Programadores, analistas de sistemas, especialistas em automação, gestores de plataformas, profissionais de marketing digital, criadores de conteúdo, editores de vídeo, designers, especialistas em e-commerce, cibersegurança e análise de dados entram no radar de empresas de todos os setores, inclusive do agronegócio, que hoje depende de tecnologia para logística, monitoramento de lavouras, rastreabilidade, exportação e gestão financeira.

Mato Grosso, que já é uma potência produtiva, passa agora a enfrentar um novo tipo de disputa: a disputa por gente qualificada. Quem domina tecnologia, comunicação, interpretação de dados e processos digitais passa a ser mais valioso do que quem apenas executa tarefas. Isso cria uma pressão por requalificação profissional, cursos técnicos, formação em tecnologia e capacitação contínua, tanto para jovens quanto para trabalhadores que precisam se reinventar.

Essa transição também muda a lógica salarial. Profissões operacionais tendem a sofrer com estagnação e queda de renda, enquanto áreas ligadas a tecnologia, estratégia, vendas complexas, gestão e produção de conteúdo digital apresentam crescimento e maior valorização. A economia mato-grossense continua crescendo, mas com uma base de empregos cada vez mais sofisticada e menos dependente de mão de obra repetitiva.

Em 2026, o estado já não disputa apenas quem produz mais soja, milho ou carne, mas quem tem mais gente preparada para operar o mundo digital que sustenta essa produção. O futuro do trabalho em Mato Grosso está sendo decidido agora, e ele pertence a quem entender que tecnologia deixou de ser diferencial e passou a ser sobrevivência.

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