Lula encosta em Flávio Bolsonaro: Quaest aponta 45% a 44% em uma das disputas presidenciais mais acirradas da história
Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (21) mostra diferença de apenas um ponto percentual entre os candidatos, a quatro dias do segundo turno; vantagem de Flávio cai pela metade e eleição segue indefinida Foto: Nelson Almeida/AFP
A corrida pela Presidência da República chega aos últimos quatro dias com um cenário de equilíbrio que promete transformar o segundo turno de 2026 em uma das disputas mais apertadas da história eleitoral brasileira. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encostou no senador Flávio Bolsonaro (PL), reduzindo para apenas um ponto percentual a diferença entre os dois candidatos. Flávio aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44%. Os números colocam os adversários em empate técnico e deixam completamente aberta a disputa que será decidida nas urnas no próximo domingo (25).
O novo levantamento revela uma redução da vantagem numérica de Flávio Bolsonaro em relação à pesquisa anterior, divulgada em 14 de outubro. Na ocasião, o senador registrava 46% das intenções de voto, contra 44% do presidente. Em apenas uma semana, Flávio oscilou um ponto percentual para baixo, enquanto Lula manteve seu desempenho. Com isso, a diferença entre os candidatos caiu de dois para apenas um ponto percentual, reforçando a possibilidade de uma definição por margem estreita de votos.
Apesar da aproximação do presidente, Flávio Bolsonaro permanece numericamente à frente na pesquisa Quaest. O senador liderou a votação do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando conquistou 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Na ocasião, aproximadamente 2,2 milhões de votos separaram os dois candidatos, uma diferença relativamente pequena diante do tamanho do eleitorado brasileiro. O resultado confirmou a força eleitoral de ambos e estabeleceu as condições para um segundo turno marcado por intensa polarização.
A comparação entre os levantamentos da Quaest também demonstra que a eleição permanece sem uma tendência estatisticamente consolidada de vitória para qualquer um dos candidatos. Na primeira pesquisa realizada após o primeiro turno, Flávio Bolsonaro aparecia com dois pontos percentuais de vantagem. Agora, essa distância foi reduzida pela metade. Embora a oscilação isolada não permita afirmar que houve uma mudança definitiva na preferência do eleitorado, os números mostram que Lula continua competitivo e que Flávio ainda não conseguiu estabelecer uma vantagem confortável sobre o adversário.
O cenário é particularmente importante porque a eleição entra em sua fase decisiva com um eleitorado majoritariamente definido. Na pesquisa Quaest divulgada em 14 de outubro, 91% dos entrevistados afirmaram que sua decisão de voto já estava tomada, enquanto apenas 9% admitiram a possibilidade de mudar de candidato. O dado indica que, além da conquista dos indecisos, a capacidade de mobilizar os próprios apoiadores e garantir o comparecimento às urnas poderá ter influência direta no resultado do segundo turno.
Outro fator que ajuda a explicar o equilíbrio é o elevado índice de rejeição dos dois candidatos. No levantamento anterior da Quaest, 54% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 53% disseram rejeitar Lula. A diferença de apenas um ponto percentual entre os índices mostra que ambos enfrentam dificuldades semelhantes para ampliar suas bases eleitorais. Com uma parcela expressiva dos eleitores contrária às duas candidaturas, conquistar votos fora dos grupos tradicionais de apoio tornou-se um dos principais desafios das campanhas.
A disputa também apresenta resultados apertados em levantamentos realizados por outros institutos. Pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro apontou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Já o levantamento BTG/Nexus divulgado na segunda-feira (19) apresentou o senador com 50,3% dos votos válidos, diante de 49,7% do presidente. A AtlasIntel/Bloomberg, por sua vez, registrou 51,1% para Flávio e 48,9% para Lula. Apesar das diferenças de metodologia e dos períodos de realização, os levantamentos reforçam a percepção de uma disputa extremamente equilibrada.
A redução da distância registrada pela Quaest ocorre depois do primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado no último domingo (18), pela Band. O confronto colocou os candidatos frente a frente em uma etapa decisiva da campanha, com discussões sobre economia, segurança pública, programas sociais e os rumos políticos do país. Embora não seja possível atribuir diretamente a oscilação dos números ao desempenho dos candidatos no debate, o levantamento foi divulgado em um período de intensificação dos confrontos políticos e da exposição das propostas de governo.
Para Flávio Bolsonaro, a reta final representa o desafio de preservar a liderança numérica que conquistou nas urnas no primeiro turno e manteve nas duas pesquisas Quaest divulgadas nesta segunda etapa da eleição. O senador busca consolidar o apoio dos eleitores que votaram em candidatos derrotados, além de mobilizar o eleitorado de oposição ao atual governo. A campanha também procura ampliar sua presença entre os eleitores que demonstram resistência ao presidente Lula, mas que ainda não haviam definido completamente o voto.
Do outro lado, Lula tenta transformar a redução da diferença nas pesquisas em uma virada eleitoral. O presidente aposta na mobilização de sua base política, na defesa dos programas sociais e na busca por eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. A campanha petista também trabalha para ampliar o apoio em regiões onde o presidente mantém desempenho mais favorável e reduzir a vantagem do adversário nos estados em que Flávio Bolsonaro apresentou maior força eleitoral.
A importância da participação dos eleitores ganha ainda mais relevância diante dos números registrados no primeiro turno. Com uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos entre os candidatos, alterações relativamente pequenas no comparecimento às urnas, na distribuição dos votos de terceiros candidatos ou na escolha de eleitores anteriormente indecisos podem modificar o resultado final. Em uma eleição nacional, oscilações de poucos pontos percentuais representam milhões de votos.
O equilíbrio também coloca a eleição presidencial de 2026 entre aquelas que merecem atenção especial na comparação histórica. Em 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10%, uma diferença de aproximadamente 2,14 milhões de votos. Foi a menor diferença percentual registrada em uma eleição presidencial de segundo turno desde a redemocratização. A disputa atual apresenta potencial para alcançar um resultado igualmente apertado, embora somente a apuração oficial permita estabelecer se o pleito de 2026 superará aquela marca histórica.
A pesquisa Quaest desta quarta-feira, portanto, não representa uma mudança de liderança, mas revela um estreitamento da disputa em um momento no qual resta pouco tempo para alterações significativas nas estratégias eleitorais. Flávio Bolsonaro mantém a dianteira numérica, enquanto Lula chega aos últimos dias de campanha praticamente empatado com o adversário. A margem de erro impede apontar qualquer um dos dois como favorito estatisticamente consolidado.
Com o segundo turno marcado para domingo, 25 de outubro, as campanhas entram na reta final diante de uma eleição que poderá ser definida pela capacidade de mobilização dos eleitores e por uma diferença mínima nas urnas. A quatro dias da votação, o retrato apresentado pela Quaest é de uma disputa presidencial aberta: Flávio Bolsonaro tem 45%, Lula aparece com 44%, e o próximo presidente da República será definido pelo voto dos brasileiros.





