Fachin nega pedido de Alexandre de Moraes e separa sessão sobre mensagens da PF e apuração contra André Mendonça
Presidente do STF manteve julgamento sobre relatório da Polícia Federal para 15 de setembro e marcou para 23 de setembro análise de questionamentos sobre a condução de Mendonça nos casos Master e INSS Foto: Gustavo Moreno/STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou neste sábado (12/09/2026) o pedido do ministro Alexandre de Moraes para que o Plenário decidisse conjuntamente sobre investigações que envolvem ele e o ministro André Mendonça. Em despacho assinado na corte, Fachin manteve a sessão de terça-feira (15/9) para examinar relatório da Polícia Federal que indica mais de 50 mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes e remarcou para 23 de setembro a análise dos questionamentos sobre a atuação de Mendonça, que constam em relatório de inteligência da PF enviado ao Supremo a pedido de Moraes. A decisão foi tomada com base no estágio distinto em que se encontram os dois procedimentos, segundo o presidente do Tribunal.
Alexandre de Moraes afirmou no requerimento que a divisão das pautas trazia “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual” e pediu a unificação dos processos, alegando ainda que André Mendonça fez uma “escolha seletiva” na divulgação de documentos, com omissão de cerca de 180 peças e arquivos do sistema do tribunal. Moraes sustentou que julgar sua situação isoladamente poderia resultar em decisões conflitantes e pediu a derrubada total do sigilo e a juntada das duas matérias para apreciação conjunta.
André Mendonça respondeu ao tribunal negando qualquer divulgação seletiva e afirmando ter tornado públicos todos os procedimentos disponíveis, ao mesmo tempo em que justificou a manutenção de sigilo sobre trechos como medida “prudente e responsável” para preservar investigações em curso e proteger dados pessoais, bancários e fiscais. Fachin explicou, no despacho, que o processo relativo às mensagens envolvendo Moraes já estava pronto e liberado para julgamento, enquanto o procedimento que apura a conduta de Mendonça ainda tem prazos em aberto para a colheita de informações e manifestações formais, o que inviabilizaria seu exame nesta semana.
As investigações em questão estão vinculadas a apurações da Polícia Federal sobre supostas fraudes no Banco Master e ramificações que envolvem repasses de emendas para entidades culturais e produtoras, inclusive para o financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex‑presidente Jair Bolsonaro. Esses desdobramentos motivaram disputas internas sobre a centralização de inquéritos e sobre qual relatoria deveria aglutinar os procedimentos relacionados ao tema.
Com a decisão de Fachin, a sessão de 15 de setembro terá caráter específico para examinar o relatório da PF sobre as mensagens de Daniel Vorcaro a Moraes, e o Plenário deverá retomar, em 23 de setembro, os questionamentos relativos à condução de Mendonça nos casos Master e INSS. A separação das pautas foi justificada pela presidência do STF como forma de preservar a completude das diligências em curso e evitar prejuízo à análise técnica dos autos; as próximas sessões deverão definir se os relatos da Polícia Federal serão convertidos em abertura de investigações formais ou em outros encaminhamentos processuais.






