• 31 de julho de 2026
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VALOR AGREGADO

Europa paga até 40% mais pela carne bovina de Mato Grosso do que a China

Apesar de seguir como principal destino das exportações, mercado chinês remunera abaixo dos países europeus, que valorizam qualidade, rastreabilidade e agregação de valor ao produto mato-grossense
Foto: Reprodução

A carne bovina produzida em Mato Grosso tem encontrado nos mercados europeus uma remuneração significativamente superior à paga pela China. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que, no primeiro semestre de 2026, a União Europeia pagou, em média, US$ 6.390 por tonelada da carne bovina mato-grossense, enquanto outros países da Europa desembolsaram US$ 6.667 por tonelada. Os valores são até 40% superiores aos US$ 4.745 por tonelada pagos pela China.

Embora os chineses permaneçam como os maiores compradores da carne bovina do Estado, respondendo por 55,2% das exportações no período, os mercados europeus se destacam por oferecerem maior valor agregado ao produto, impulsionados por exigências relacionadas à qualidade, rastreabilidade e conformidade socioambiental.

O cenário também é refletido no Índice de Atratividade das Exportações, elaborado pelo Imea, que mede o retorno econômico proporcionado por cada mercado em relação ao valor da arroba do boi gordo em Mato Grosso. Quanto maior o índice, maior é a capacidade do destino de agregar valor à cadeia produtiva.

A União Europeia lidera o ranking com índice de 108,49, seguida pelos demais países europeus, com 98,59. A China aparece com índice de 74,37, atrás também do Oriente Médio (76,58) e da América do Norte (75,47), demonstrando que, apesar do elevado volume adquirido, remunera menos pela carne mato-grossense.

Segundo o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, a consolidação da carne de Mato Grosso em mercados mais exigentes amplia a competitividade do setor.

“A China continuará sendo um parceiro estratégico pela capacidade de absorção de grandes volumes, mas o avanço da carne mato-grossense em mercados como a União Europeia demonstra que nossos produtores também estão preparados para atender consumidores que valorizam qualidade, rastreabilidade e regularidade no fornecimento. Isso aumenta a competitividade da cadeia e agrega valor à produção”, afirmou.

Ainda conforme Andrade, a diversificação dos mercados internacionais fortalece a pecuária mato-grossense ao reduzir a dependência de poucos compradores e estimular investimentos em tecnologia, genética, eficiência produtiva e programas de conformidade socioambiental.

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