• 15 de junho de 2026
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POLÍTICA

Eraldo Fortes questiona sucessivas trocas no primeiro escalão e recebe resposta de Gislaine Yamashita na Câmara

Vereador demonstrou preocupação com a saída de cerca de dez integrantes da gestão municipal em pouco mais de um ano e meio; parlamentar saiu em defesa da administração e apontou fatores pessoais, profissionais e políticos para as mudanças
Foto: Montagem NMT

A alta rotatividade no primeiro escalão da Prefeitura de Primavera do Leste foi tema de debate durante a sessão ordinária da Câmara Municipal realizada nesta segunda-feira (15). O assunto foi levantado pelo vereador Eraldo Fortes (PSDB), líder do prefeito Sérgio Machnic no Legislativo, que questionou a quantidade de mudanças promovidas na equipe de governo desde o início da atual administração. Em resposta, a vereadora Gislaine Yamashita saiu em defesa da gestão e argumentou que os desligamentos precisam ser analisados individualmente.

Durante seu pronunciamento, Eraldo afirmou que aproximadamente dez ocupantes de cargos estratégicos já deixaram a administração municipal em pouco mais de um ano e meio de mandato, entre secretários, procurador e consultores. Para o parlamentar, a frequência das substituições levanta dúvidas sobre a condução administrativa do município.

“Em menos de um ano e meio, dez secretários deixaram a gestão. Não se fala de uma mudança pontual, mas de uma mudança de toda uma equipe”, afirmou.

O vereador questionou se todos os ex-integrantes da administração realmente não corresponderam às expectativas da gestão e defendeu uma reflexão mais profunda sobre os motivos que levaram a tantas alterações em áreas consideradas fundamentais para o funcionamento da máquina pública.

“Será que todos estavam errados? Será que todos eram incompetentes e incapazes de estarem ocupando essa pasta? Será que nenhum desses secretários correspondeu às expectativas do gestor?”, questionou.

Na avaliação de Eraldo, a constante troca de gestores pode prejudicar a continuidade das políticas públicas e comprometer a execução de projetos planejados pela administração municipal.

“Uma gestão se pauta na continuidade das ações, na continuidade dos projetos. E essa alternância repetidamente é muito prejudicial para a gestão”, declarou.

O parlamentar ainda sugeriu que tanto a Câmara quanto o Executivo analisem se existe algum fator mais profundo contribuindo para a elevada rotatividade.

“Será que não existe algo mais profundo que precisa ser analisado tanto pela Câmara quanto pela atual gestão? De que forma está sendo conduzida essa gestão para que haja tanta troca, tantas pessoas deixando a gestão? Isso é muito preocupante”, afirmou.

Após o pronunciamento de Eraldo, a vereadora Gislaine Yamashita rebateu as críticas e defendeu que cada desligamento seja analisado dentro de seu contexto específico, sem que toda a responsabilidade seja atribuída ao prefeito Sérgio Machnic.

Segundo ela, alguns secretários deixaram os cargos em razão da pressão política e das críticas constantes recebidas durante o exercício das funções.

“Vereador Eraldo, nós temos que levar em consideração muitas coisas. Como, por exemplo, quando a secretária Tânia, da Assistência Social, pediu para sair. Não foi da vontade da secretária Tânia sair, mas muitos vereadores pediram para que ela saísse. Ela não aguentou a pressão. E era uma pessoa extremamente correta, que estava ali para ajudar a gestão”, declarou.

A vereadora afirmou ainda que os integrantes do primeiro escalão também sofrem com críticas públicas e ataques nas redes sociais, situação que pode influenciar na decisão de permanecer ou não nos cargos.

“Muitos secretários que saem não é porque eles querem. Nós não podemos esquecer que são pessoas, seres humanos, que também sentem quando há críticas e até deboches em redes sociais”, disse.

Gislaine reconheceu que o Executivo realiza mudanças quando entende serem necessárias, lembrando que os próprios vereadores frequentemente defendem substituições em setores que não apresentam os resultados esperados.

“O gestor segura, mas nós sabemos também que, quando é necessário, ele tem mudado. Porque é esse discurso que muitas vezes nós ouvimos aqui: ‘não está funcionando? Muda’. Ouvimos isso diversas vezes”, pontuou.

Durante a defesa da administração, a parlamentar citou exemplos de ex-integrantes da equipe que deixaram os cargos por questões pessoais e profissionais. Entre eles, mencionou o ex-secretário Victor, que precisou retornar aos seus negócios particulares, a ex-procuradora-geral Tainara Ravanello, que enfrentava dificuldades para conciliar a rotina de trabalho com a família, e a ex-secretária Luciane Cunha, que deixou a função para cuidar dos pais.

O debate evidenciou diferentes interpretações sobre as mudanças ocorridas no primeiro escalão da Prefeitura. Enquanto Eraldo Fortes vê a elevada rotatividade como um fator preocupante para a continuidade administrativa, Gislaine Yamashita sustenta que as substituições ocorreram por razões distintas e que não devem ser interpretadas automaticamente como falhas de gestão.

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