• 28 de maio de 2026
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POLÍTICA

SISPMUR leva oração de 20 minutos no CRAS Padre Lothar ao Ministério Público em Rondonópolis

Sindicato denuncia momento de reflexão antes do expediente e caso expõe até onde vai o nível de conflito ideológico dentro da estrutura pública municipal
Foto: Reprodução

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rondonópolis (SISPMUR) resolveu transformar um momento de oração realizado no CRAS Padre Lothar em caso de Ministério Público. A entidade protocolou denúncia formal questionando a realização de um encontro de reflexão e oração promovido às segundas-feiras, às 7h da manhã, antes do início do expediente na unidade ligada à Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social.

O detalhe que chama atenção é que o próprio procedimento instaurado pelo Ministério Público reconhece que a participação dos servidores não é obrigatória. Ainda assim, a denúncia foi suficiente para gerar abertura de Notícia de Fato pelo promotor Wagner Antonio Camilo, sob o número SIMP 002619-005/2026, com pedido de esclarecimentos à secretária municipal Fabiana Frederico Rizati Perez no prazo de dez dias.

Nos bastidores da prefeitura, o caso já é tratado como mais um episódio do clima de tensão ideológica que vem contaminando setores da administração pública. Enquanto servidores relatam problemas estruturais, demandas reprimidas e dificuldades históricas na assistência social, o foco da vez virou uma oração de aproximadamente vinte minutos antes do expediente.

A denúncia do sindicato sustenta que um servidor teria se sentido incomodado com a prática religiosa. O SISPMUR também afirma que uma servidora teria sido transferida de unidade dois dias após questionar internamente os encontros religiosos, levantando suspeita de possível retaliação administrativa. Até o momento, a prefeitura não comentou oficialmente o caso.

Embora o sindicato tente dar contornos mais graves à situação, transferências de servidores fazem parte dos atos administrativos previstos dentro da gestão pública e podem ocorrer por necessidade do serviço, reorganização interna ou critérios técnicos. A própria investigação do Ministério Público ainda está em fase inicial e não há qualquer conclusão sobre irregularidade.

O episódio, porém, abre uma discussão que vai além do processo administrativo. Em uma cidade marcada historicamente por forte presença religiosa e comunitária nas ações sociais, a judicialização de um momento voluntário de oração dentro de uma unidade pública já provoca reações nos corredores políticos e entre servidores municipais. Para parte da população, o sindicato estaria desviando o foco de pautas mais urgentes do funcionalismo para comprar uma guerra ideológica de baixo alcance social.

Enquanto isso, o Ministério Público aguarda as informações da Secretaria de Promoção e Assistência Social para decidir se o caso seguirá adiante ou se terminará apenas como mais um ruído político-administrativo transformado em denúncia formal.

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