Inspetor Adriano aciona Justiça contra ataques de influenciadores e TRE manda remover conteúdo contra primeira-dama de Rondonópolis
Vice-presidente estadual do Podemos assina ação que aponta propaganda antecipada negativa contra Alessandra Ferreira; decisão mira atuação da Nexa Influencer LTDA Foto: Reprodução
A atuação de perfis de influenciadores digitais em Rondonópolis entrou no radar da Justiça Eleitoral após uma sequência de publicações consideradas ofensivas e com potencial de interferência no processo eleitoral. O alvo direto dos ataques foi a primeira-dama do município, Alessandra Ferreira, apontada como pré-candidata.
A decisão partiu do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, que determinou a remoção de conteúdo publicado em rede social por perfis ligados à empresa Nexa Influencer LTDA, apontada na ação como responsável pela divulgação de mensagens que induziam o eleitorado a rejeitar a pré-candidata.
O processo deixa claro que o problema não está apenas na crítica política, mas no formato adotado pelas publicações. Segundo os autos, os conteúdos ultrapassam o limite da opinião e passam a trabalhar com narrativa direcionada, ataques pessoais e construção de rejeição eleitoral fora do período permitido pela legislação.
Entre os exemplos analisados pela Justiça, há postagens que associam a imagem da primeira-dama a acusações graves e terminam com mensagens que, ainda que indiretas, funcionam como pedido de não voto — prática vedada antes do início oficial da campanha.
Na decisão, o juiz do TRE-MT reconheceu indícios de propaganda antecipada negativa e determinou que o conteúdo fosse retirado em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, podendo chegar a R$ 50 mil em caso de descumprimento.
Outro ponto que pesou foi o alcance da página. De acordo com o próprio processo, o perfil ligado à Nexa acumulava milhares de seguidores e alto volume de visualizações, com potencial de ampliar rapidamente a disseminação das mensagens — o que, na avaliação da Justiça, aumenta o risco de impacto no eleitorado.
A ação também descreve que a página mistura conteúdos comerciais com ataques políticos, estratégia que levanta questionamentos sobre o uso estruturado de perfis digitais para influenciar o debate público local.
Nos bastidores, o movimento judicial partiu diretamente da cúpula do Podemos em Mato Grosso. A representação foi formalizada com base em procuração assinada pelo vice-presidente estadual do partido, Adriano Carvalho, conhecido como inspetor Adriano, que assumiu a linha de frente na ofensiva jurídica contra os responsáveis pelas publicações.
A decisão ainda abre prazo para defesa dos envolvidos e mantém o processo em andamento, com possibilidade de aplicação de multa por propaganda irregular, caso as irregularidades sejam confirmadas ao final do julgamento.
O episódio expõe um novo cenário político em Rondonópolis, onde páginas de influenciadores passam a atuar como protagonistas no debate — e, ao mesmo tempo, começam a enfrentar os limites impostos pela legislação eleitoral.






