Juarez Costa diz que PRD ficou sem candidatos e vê movimento político como “natural” no pré-eleitoral em Mato Grosso
Deputado federal avalia que base governista segue intacta, projeta novo protagonismo de Pivetta no comando do Estado e descarta aproximação nacional do Republicanos com a esquerda Foto:
O deputado federal Juarez Costa (Republicanos) fez uma análise direta sobre a reconfiguração partidária envolvendo o PRD em Mato Grosso e deixou claro que, apesar do impacto institucional, o movimento não abalou a base política que sustenta o governo estadual. Para ele, o principal efeito da articulação foi o esvaziamento da legenda, que manteve a estrutura formal, mas perdeu seus quadros.
Segundo o parlamentar, a condução das mudanças surpreendeu principalmente o PL. “A surpresa ficou para o PL, porque levou a sigla e não levou os candidatos”, afirmou. Na prática, conforme sua leitura, os nomes que estavam ligados ao grupo foram redistribuídos em outras siglas, preservando a força política do bloco. “O PRD ficou só com a sigla. Os candidatos foram acomodados em outros partidos”, resumiu.
Juarez Costa destacou que não participou das reuniões que trataram diretamente da reorganização, mas afirmou que o cenário já se consolidou nos bastidores. Ele também indicou que a dificuldade agora será a formação de chapa dentro do próprio PRD, diante da saída de nomes relevantes.
Mesmo com a mudança, o deputado minimiza qualquer possibilidade de enfraquecimento do grupo político alinhado ao governo. Para ele, o processo é típico do período pré-eleitoral, quando partidos e lideranças buscam se reposicionar para garantir competitividade. “Não vejo como enfraquecimento. A chapa se manteve, os que apoiam o projeto continuam juntos, apenas mudaram de sigla”, afirmou.
Em tom mais crítico, embora sem direcionar ataques, o parlamentar também comentou o método adotado na condução da crise partidária, que envolveu a destituição de diretórios. “Cada um faz o que quer. Não é o meu estilo, não é o meu perfil, mas a gente entende o jogo da política”, disse, deixando claro que reconhece a dinâmica, ainda que não concorde com a prática.
Ao ampliar a análise para o cenário do Executivo estadual, Juarez Costa fez questão de destacar o papel do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que deve assumir o comando do Estado. Para ele, a mudança de posição vai marcar uma nova fase política. “Vocês vão ver um Pivetta diferente agora com a caneta na mão”, afirmou.
Segundo o deputado, Pivetta construiu sua trajetória com discrição e respeito institucional ao longo de mais de sete anos ao lado do governador Mauro Mendes (União Brasil). “Ele sempre soube se colocar no lugar de vice, nunca criou problema, nunca entrou em conflito. Agora é diferente, ele passa a ser o governador”, destacou.
Na avaliação de Juarez Costa, a expectativa é de um gestor mais ativo, com decisões próprias, mas mantendo a linha de continuidade da atual gestão. “Ele participou de tudo, ajudou a construir o que está aí. Agora vai assumir a frente, dar continuidade e também colocar as ideias dele em prática”, disse.
O deputado também comentou o cenário nacional e afastou qualquer possibilidade de aproximação do Republicanos com a esquerda. Segundo ele, não houve discussão interna nesse sentido. “Nunca existiu conversa de apoio ao PT”, afirmou.
De acordo com Juarez Costa, o partido chegou a discutir a possibilidade de lançar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato à Presidência da República, mas o projeto não avançou. “Ele quer disputar a reeleição em São Paulo. Agora o partido conversa com o Flávio”, acrescentou, sinalizando alinhamento com nomes ligados à direita.
A avaliação do parlamentar revela um cenário de intensa movimentação política em Mato Grosso, em que siglas mudam de comando, lideranças se reposicionam e alianças são redesenhadas. No meio desse processo, a leitura de Juarez Costa aponta que, mais do que as estruturas partidárias, o que define a força política neste momento é a capacidade de manter os grupos unidos ainda que sob novas bandeiras.
Redação – Chico Oliveira
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