VERSÃO DO SUSPEITO ENTRA EM XEQUE: após feminicídio em Rondonópolis, perícia desmonta relato de “legítima defesa”
Nova atualização do caso no Pedra 90 revela inconsistências graves na fala do ex-companheiro; histórico de violência reforça linha de feminicídio Foto: Reprodução
A investigação sobre o feminicídio registrado ao meio-dia desta quinta-feira (26), no bairro Pedra 90, em Rondonópolis, ganhou novos desdobramentos e começa a desmontar a versão apresentada pelo principal suspeito. Após a repercussão inicial do crime, que chocou a cidade, os primeiros elementos técnicos da perícia colocam em dúvida a alegação de “legítima defesa” sustentada pelo homem.
Segundo informações repassadas pelas forças de segurança, o suspeito — que permanece internado no Hospital Regional após tentar tirar a própria vida — afirmou que teria sido atacado pela ex-companheira enquanto dormia. De acordo com o relato dele, a vítima teria iniciado as agressões com faca, obrigando-o a reagir para se defender.
No entanto, a análise preliminar da cena do crime aponta inconsistências relevantes. A faca que o suspeito disse ter utilizado na suposta defesa, de cabo preto, não apresentava vestígios de sangue, o que enfraquece diretamente sua narrativa. Em contrapartida, a perícia encontrou uma terceira faca, com marcas de sangue, posicionada sobre o painel da televisão — elemento que pode indicar outra dinâmica para o crime.
Além disso, duas facas foram localizadas próximas aos corpos, o que reforça a hipótese de uso de múltiplas armas durante a ação. A vítima foi encontrada já sem vida, com diversos golpes pelo corpo, incluindo ferimentos no pescoço, tórax e maxilar, enquanto o suspeito apresentava cortes nos pulsos e no pescoço, caracterizando tentativa de suicídio após o crime.
Outro ponto que pesa contra o suspeito é o histórico de violência. Ele já havia sido registrado em 2014 por violência doméstica contra a mesma vítima e, em 2015, por ameaça. Esse passado reforça a linha de investigação que trata o caso como feminicídio, afastando, ao menos neste momento, a hipótese de reação em legítima defesa.
A Polícia Civil segue à frente das investigações e deve aprofundar a reconstituição dos fatos com base nos laudos da Politec, depoimentos e análise técnica do local. A expectativa é esclarecer de forma definitiva a sequência dos acontecimentos e confirmar se houve tentativa de distorcer a realidade dos fatos por parte do suspeito.
Este é mais um capítulo de um caso que já mobiliza as forças de segurança e evidencia, mais uma vez, o padrão recorrente de violência contra a mulher que termina em tragédia. A reportagem segue acompanhando os desdobramentos e novas atualizações devem surgir à medida que a investigação avança.






