E AS PESQUISAS? MDB entra em colapso em MT e deixa Janaína Riva isolada na disputa ao Senado
Saída de deputados federais, debandada de lideranças e dificuldade de montar chapa expõem fragilidade do partido e sinalizam perda de confiança interna no projeto político da sigla Foto: Reprodução
O MDB de Mato Grosso atravessa uma crise profunda e chega ao ciclo eleitoral de 2026 sem conseguir estruturar uma chapa competitiva para deputado federal — um cenário que atinge diretamente o projeto da deputada estadual Janaína Riva (MDB) ao Senado.
Sob sua liderança, o partido perdeu completamente a representação federal. Os dois deputados da sigla na Câmara deixaram o MDB: Juarez Costa já oficializou filiação ao Republicanos, enquanto Emanuelzinho caminha para o PSD. A debandada esvazia não apenas a bancada em Brasília, mas também a capacidade eleitoral da legenda.
Na prática, o MDB não consegue montar uma chapa viável para federal. Nos bastidores, a avaliação é clara: sem nomes competitivos e sem densidade de votos, a sigla dificilmente alcançaria o quociente eleitoral estimado, o que inviabiliza a eleição de qualquer representante.
O problema, no entanto, vai além dos números. A movimentação interna começa a revelar um sinal político mais sensível: a perda de confiança dentro do próprio partido. A saída de nomes com voto, somada à dificuldade de atrair novos candidatos competitivos, indica que parte da militância e das lideranças já não enxerga mais segurança no projeto eleitoral do MDB sob o comando atual.
A leitura é inevitável nos bastidores: se houvesse confiança consolidada na construção liderada por Janaína Riva, o movimento natural seria de adesão e fortalecimento da chapa — e não o oposto. A debandada, nesse contexto, passa a ser interpretada como termômetro político interno.
A crise também respinga na base estadual. Há incerteza entre deputados e lideranças regionais, que avaliam novas composições diante do risco eleitoral. O MDB, que historicamente sempre foi uma sigla de estrutura forte e capilaridade no interior, hoje enfrenta dificuldade para manter sua própria engrenagem funcionando.
Mesmo com capital eleitoral expressivo — Janaína foi uma das deputadas mais votadas do estado em 2022 — o cenário atual impõe um desafio estratégico: disputar uma vaga ao Senado sem o respaldo de uma chapa forte e sem a segurança de um partido estruturado.
Nos bastidores, cresce a percepção de que o MDB deixou de ser protagonista no estado e passou a depender de articulações externas para sobreviver politicamente. A disputa de 2026, nesse contexto, deixa de ser apenas uma corrida eleitoral e passa a ser um teste direto de sobrevivência para a legenda em Mato Grosso.
Esse movimento também começa a irradiar efeitos para além do MDB. A saída de Juarez Costa para o Republicanos, partido que integra a base política do vice-governador Otaviano Pivetta — apontado como um dos principais nomes na disputa ao Governo do Estado — é vista como um sinal claro de reposicionamento estratégico. Na prática, lideranças que antes orbitavam o MDB passam a migrar para um campo político adversário ao projeto do senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao governo e, ao mesmo tempo, figura diretamente ligada a Janaína Riva no cenário político e familiar.
Já a decisão de Emanuelzinho de se aproximar do PSD, com trânsito em campos mais alinhados à esquerda, amplia ainda mais a leitura de fragmentação. O movimento chama atenção justamente por romper com a lógica tradicional do MDB em Mato Grosso, historicamente mais pragmático e posicionado ao centro-direita, evidenciando que nem mesmo dentro da própria base há convergência sobre o rumo político da sigla.
Nos bastidores, a interpretação é dura: a debandada não atinge apenas o MDB, mas também sinaliza um ambiente de desconfiança mais amplo em relação aos projetos políticos que orbitam o grupo. Quando lideranças com mandato e densidade eleitoral optam por caminhos distintos — inclusive em campos ideológicos diferentes — o recado é direto sobre o nível de incerteza que domina a construção atual.
O que antes era um projeto ancorado em tradição partidária e alianças consolidadas, hoje enfrenta um ambiente de dispersão, reposicionamento e perda de confiança — elementos que, historicamente, costumam custar caro nas urnas. Soma-se a isso um ponto que intriga os bastidores: o curioso contraste entre nomes que aparecem bem posicionados em levantamentos eleitorais — como o senador Wellington Fagundes (PL) e a própria Janaína Riva — e, ao mesmo tempo, a perda concreta de lideranças e quadros políticos. O fenômeno levanta uma dúvida inevitável no meio político: até que ponto as pesquisas conseguem, de fato, refletir a realidade do ambiente interno e das articulações que estão moldando a eleição de 2026?





