• 12 de março de 2026
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LOGÍSTICA

Gargalos na BR-163 elevam frete e pressionam renda de produtores de Mato Grosso

Alta demanda no corredor até Miritituba, no Pará, amplia filas, encarece transporte e reduz competitividade da soja e do milho
Foto: Reprodução

Produtores de Mato Grosso atravessam uma safra marcada por incertezas no escoamento e custos logísticos mais altos. O principal ponto de pressão está no corredor da BR-163 até o distrito de Miritituba, no Pará, onde o aumento do volume exportado não foi acompanhado por melhorias estruturais na mesma proporção.

Em 2025, a movimentação em Miritituba chegou a 15,3 milhões de toneladas, avanço de 24,6% sobre 2024. O crescimento, porém, ocorre em meio a limitações de acesso aos terminais e saturação operacional, especialmente no trecho final, ainda com pontos não pavimentados e sensíveis às chuvas.

Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, o cenário reduz margens em um contexto de preços internacionais mais comprimidos. O frete entre Sinop e Miritituba gira em torno de R$ 20 por saca, enquanto a soja é negociada próxima de R$ 106 bruto — valor que cai para menos de R$ 100 líquidos após encargos, segundo o vice-presidente norte da entidade, Ilson José Redivo.

Além do frete, o setor aponta déficit de armazenagem — estimado em cerca de 52% da produção estadual — como fator que força a comercialização acelerada no pico da colheita, ampliando filas e custos. Produtores relatam espera de até quatro dias em armazéns e dificuldades já nas estradas regionais, sobretudo no norte do Estado, onde chuvas intensas e vias não pavimentadas dificultam o tráfego.

Um novo acesso pavimentado aos terminais está em construção, com previsão de conclusão em novembro de 2026. Até lá, o sistema permanece vulnerável ao alto fluxo de caminhões.

Como alternativa estrutural, o setor defende o avanço da Ferrogrão, vista como solução estratégica para transferir parte do transporte ao modal ferroviário, reduzir a pressão sobre a BR-163 e dar maior previsibilidade ao escoamento da produção destinada aos portos do Arco Norte.