Direita fecha fileiras com Pivetta, Mauro e Medeiros; negativa pública exclui Janaína e discurso de Balbinotti reforça alinhamento do PL em Mato Grosso
Linha do tempo de fevereiro consolida grupo bolsonarista no Estado, confirma suplência com Odílio Balbinotti e evidencia ausência de espaço para projetos paralelos dentro da direita Foto: Reprodução
O cenário eleitoral de 2026 em Mato Grosso começou a ganhar contornos mais definidos ao longo do mês de fevereiro, com declarações públicas que delimitam campos políticos e reduzem o espaço para especulações.
A primeira sinalização relevante partiu da coluna Fogo Amigo, do MidiaNews, ao mencionar o nome da deputada estadual Janaina Riva (MDB) como possível vice em composições alternativas. A movimentação gerou repercussão nos bastidores, mas rapidamente foi esvaziada.
Na sequência, reportagem do Olhar Direto trouxe a negativa pública de articulação envolvendo Janaina dentro do projeto do grupo governista. A sinalização foi objetiva: não há construção em curso que inclua a deputada na chapa majoritária vinculada ao atual núcleo da direita estadual.
No dia 19 de fevereiro, o NMT – Notícias de Mato Grosso publicou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) havia definido a suplência da chapa do deputado federal José Medeiros (PL) ao Senado, consolidando-o como nome prioritário do bolsonarismo em Mato Grosso. Na mesma articulação, foi confirmado o empresário do agronegócio Odílio Balbinotti como primeiro suplente da chapa, reforçando o peso econômico e político do projeto.
Dias depois, em entrevista à TV Vila Real, repercutida pela Gazeta Digital, Medeiros afirmou que, na avaliação dele, apenas ele e o governador Mauro Mendes (União Brasil) receberão o apoio formal de Bolsonaro nas eleições de 2026. A declaração reforçou o entendimento de que o alinhamento político já está estabelecido no campo conservador.
O desenho que se consolida nos bastidores aponta para o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) como candidato ao Governo, Mauro Mendes (União Brasil) disputando o Senado e José Medeiros (PL) concorrendo à outra vaga, formando um palanque unificado, ideologicamente alinhado e com respaldo nacional.
Esse alinhamento ganhou reforço público no movimento Acorda Brasil, realizado em Cuiabá, quando Eugênio Balbinotti declarou que a direita voltou a ocupar “o espaço que tem que ocupar de direito” e afirmou que atende a uma convocação direta do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em seu discurso, Balbinotti foi enfático ao defender José Medeiros (PL) como o nome escolhido para representar o projeto no Senado.
Segundo ele, “Medeiros está bem posicionado, vai ser o campeão de votos em Mato Grosso. Essa é a nossa missão e é a pedido de Bolsonaro. Ele falou: a pessoa correta é Medeiros, a pessoa de coragem”. Balbinotti acrescentou que o Senado precisa de “gente de coragem” para os enfrentamentos políticos e declarou que estará envolvido diretamente na campanha.
O discurso chamou atenção também pelo que não foi dito. Em nenhum momento houve menção ao senador Wellington Fagundes (PL), reforçando a leitura de que o projeto prioritário do partido no Estado está concentrado no eixo Pivetta–Mauro–Medeiros.
Fora desse grupo, não há, até o momento, outro projeto estruturado dentro da direita.
De um lado, a esquerda tradicional se reorganiza. O PT, setores do PSD e aliados do governo federal trabalham para apresentar candidatura própria ao Governo e ao Senado. O nome do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), é citado como referência desse campo político, que deverá enfrentar diretamente o grupo liderado por Pivetta e Mauro.
No centro do tabuleiro permanece um bloco de perfil pragmático, com trânsito entre diferentes espectros, mas que não integra o núcleo conservador hoje consolidado. É nesse espaço que se encontram Wellington Fagundes (PL) e Janaina Riva (MDB). Embora adotem, em determinados momentos, discurso alinhado ao eleitorado bolsonarista, não fazem parte do grupo que hoje se apresenta como a direita organizada no Estado — e a negativa pública de articulação com Janaina, somada ao discurso enfático de Balbinotti em favor de Medeiros, reforça esse distanciamento político.
O cenário impõe desafios estratégicos. Uma eventual composição no âmbito do MDB poderia abrir espaço para rearranjos internos, inclusive com articulações envolvendo o senador Jayme Campos (União Brasil). No entanto, fora de uma engenharia política mais robusta, a montagem de uma chapa competitiva tende a enfrentar obstáculos estruturais.
Em Mato Grosso, onde o eleitorado majoritariamente se identifica com pautas conservadoras, o posicionamento claro pesa. A direita apresenta, neste momento, definição de projeto, nomes postos e suplência definida com Odílio Balbinotti. A esquerda trabalha para estruturar seu palanque. O centro precisa decidir seu rumo.
Quem estiver fora do eixo consolidado terá de definir rapidamente qual campo ocupar. A janela partidária se encerra no último dia de março, prazo que impõe urgência às decisões e deve acelerar os movimentos nos bastidores da política estadual.






