• 26 de janeiro de 2026
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Primavera do Leste: ex-alunos e professores expõem uso oportunista de página criada na época da faculdade para ataques políticos

Perfil pessoal construído durante a graduação em Direito foi rebatizado e virou ferramenta de militância; relatos apontam que a manobra é conhecida nos bastidores acadêmicos e causa indignação.
Foto: Reprodução

A tentativa de transformar uma página criada na época da faculdade em instrumento político não passou despercebida em Primavera do Leste, embora a própria vereadora pareça agir como se ninguém tivesse notado a manobra. A mudança de nome e de finalidade do perfil, originalmente pessoal e acadêmico, gerou reação direta de alunos, ex-alunos e professores da instituição de ensino, que procuraram a redação do site para relatar indignação com a conduta.

A página foi construída anos atrás, quando a hoje vereadora ainda cursava Direito, reunindo colegas de turma, amigos, professores e pessoas interessadas em conteúdos ligados à vida universitária. Ao longo do tempo, acumulou seguidores de forma orgânica, chegando a quase 600 pessoas, sem qualquer vínculo com atividade política, mandato parlamentar ou debate institucional.

Com a entrada na vida pública, porém, o perfil teve o nome alterado e passou a ser usado quase exclusivamente para atacar a gestão do prefeito Sérgio Machnic, adotando tom agressivo, reiterado e sistemático. O detalhe que incomoda a comunidade acadêmica é que a audiência atual — formada muito antes da carreira política — passou a ser usada como base para militância, como se aqueles seguidores tivessem, em algum momento, optado conscientemente por acompanhar um projeto político.

Segundo relatos encaminhados à redação, “ela acha que ninguém sabe, mas todo mundo sabe”. Ex-alunos afirmam que a transformação da página é comentada abertamente nos corredores da faculdade e em grupos de ex-colegas, e que a estratégia é vista como uma forma de reaproveitar capital digital privado para fins políticos, fingindo que aquilo sempre foi um espaço institucional.

Nos bastidores acadêmicos, o caso já ganhou até apelido. Ex-alunos ironizam que a antiga “TV” da faculdade agora virou uma espécie de “TV política”, onde o cenário mudou, o roteiro mudou, mas o elenco é o mesmo. Saiu a vitrine universitária, entrou o palanque digital — sem aviso prévio ao público e sem qualquer transparência sobre a transformação.

Professores e antigos colegas de curso classificam a postura como oportunista e dissimulada. “Na frente das câmeras é dócil, fala mansa, discurso educado. Mas por trás é completamente outra pessoa”, relatou um ex-docente. Outro ex-aluno foi mais ácido: “É personagem de boa moça para o público, mas nos bastidores articula ataque, constrói narrativa e age como aquelas bruxas de história em quadrinhos”.

O ponto que mais chama atenção, segundo quem conhece a origem da página, é a contradição entre discurso e prática. A vereadora vive pregando em vídeos conceitos como “boa gestão”, “política nova”, “combate aos politiqueiros” e “renovação”, mas adota exatamente os métodos que diz combater. Ataca adversários usando artifício, reaproveita base alheia e constrói engajamento artificial — tudo aquilo que costuma condenar publicamente.

Na avaliação de ex-alunos, trata-se do velho fenômeno da projeção política: acusar os outros exatamente daquilo que se faz. Falar de ética, mas agir com oportunismo. Discurso de transparência, mas prática de disfarce. Política nova na retórica, política velha na execução.

Para muitos, o gesto de usar uma página de faculdade para atacar o prefeito é simbólico. Mostra não só uma tentativa de enganar o público, mas também uma subestimação da inteligência coletiva. Como se quase 600 pessoas que acompanharam toda a trajetória da página não fossem perceber a mudança repentina de identidade, propósito e conteúdo.

Para quem acompanhou desde o início, a sensação é de estar assistindo ao mesmo canal com outra programação: antes, conteúdos acadêmicos e pessoais; agora, ataques políticos em série. A “TV” mudou de pauta, mas manteve a audiência herdada, como se trocar o nome fosse suficiente para reescrever a história.

Nos bastidores acadêmicos, a situação já virou constrangimento público. Muda-se o nome, troca-se a foto, altera-se a bio — mas a história permanece registrada na memória de quem estava lá desde o começo. E, como resumiu um ex-colega: “Ela até pode fingir que ninguém percebeu. Mas todo mundo percebeu. E é justamente isso que torna tudo ainda mais feio”.

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