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Vereador sobe o tom da demagogia e ressalta renúncia de verba indenizatória

| Por Da Redação NMT

O vereador pelo PSDB em Rondonópolis, subtenente Guinâncio, se elegeu em 2016 pelo seu histórico militar, pelo grande lastro que conseguiu com o seu nome devido os cursinhos preparatórios para concursos públicos e vestibulares que está à frente há muitos anos, mas sobretudo pelo discurso da moralidade que conseguiu encaixar com a renúncia prometida dos R$ 10 mil mensais da verba indenizatória, que cada um dos 21 gabinetes na Câmara Municipal têm direito, além dos salários.

Passado já mais da metade do mandato, já próximo de entrar na sua chamada “reta final”, o discurso do vereador segue sendo seu histórico militar, seu grande lastro com os cursinhos preparatórios e a verba indenizatória que, de fato, nunca encostou a mão e abriu mão oficialmente em comunicação à mesa diretora da Casa de Leis. Ao que parece, Guinâncio deve repetir a mesma estratégia para tentar uma reeleição e seguir com seus R$ 7 mil líquidos, que é o salário de um vereador na maior cidade do interior de Mato Grosso.

Até aí, tudo bem, mas a grande verdade é que a limitação constitucional de um vereador é muito grande e aí é que muitos, para ter o que dizer, enveredam para o lado da mentira. Não é incomum ver e ouvir vereador por aí insistindo que trouxe escolas, universidades, hospitais e que asfaltou diversos bairros e etc… O cidadão mais informado resolve toda essa lorota com apenas uma pergunta: com qual dinheiro? A resposta, obviamente, deixa bem claro o constrangimento da situação. Por outro lado, tão grave quanto mentir é optar pela demagogia e Guinâncio, ao que parece, escolheu por este caminho.

Em fala ao jornal ATribuna, um dos veículos de comunicação mais tradicionais da cidade, o vereador deixou mais do que clara sua crítica aos outros 21 parlamentares ao dar como função fim à verba indenizatória o ato do assistencialismo, ou seja, da compra da dentadura, da instalação da calha, da prestação da moto, ou mesmo do pagamento da fatura de energia elétrica dos eleitores. Embora não exemplificou como faz este texto, foi exatamente isso que o tucano deixou no ar, em claro processo de denegrimento da imagem dos colegas.

O vereador não pode medir os outros por sua régua, até porque cada representante público eletivo tem seu modo de exercitar a arte de fazer política e é salutar que assim seja. Muitos parlamentares, inclusive, atendem comunidades rurais, se deslocam, provavelmente, mais que o subtenente e encampam lutas que precisam de idas e vindas mais rotineiras até Cuiabá e tudo isso justifica o uso da verba indenizatória. Óbvio que em tempos de vacas magras toda economia é muito importante, mas se tirarmos da máquina pública seu poder de funcionar ela ainda se tornará mais cara ao contribuinte.

Em outras palavras, um parlamentar que não tenha recursos pessoais de sobra e seja obrigado a tirar do próprio bolso caso queira realizar uma reunião em uma comunidade longínqua, provavelmente vai protelar este trabalho e entregar um mandato mais inoperante à cidade. Seria o mesmo que contratar um técnico de computador capacitado para servir a Prefeitura e, por economia, não lhe fornecer equipamentos de manutenção. O seu salário seria, no fim das contas, muito mais custoso ao bolso do povo, por sua improdutividade.

Se Guinâncio quer ressaltar que até o momento abriu mão de receber R$ 280 mil nos 28 meses que cumpriu até o momento e que até o final dos quatro anos chegará próximo de R$ 500 mil, que faça isso de maneira individual e sem atacar, da maneira como fez, os colegas que passam a ser “criminosos” na boca do cidadão que recebe essa notícia e adora um discurso raso. Mas já que o subtenente gosta de ser tão correto, deveria a informar à população que a partir do momento que abre mão da verba a mesma volta aos cofres da Câmara e ele não tem mais controle algum sobre sua destinação.

Desta maneira, afirmar na matéria que já falou com o prefeito da cidade para utilizar os recursos envolvidos para a compra disso, daquilo e de mais aquilo outro é extremamente oportunista de sua parte. Primeiro, porque com R$ 280 mil, dentro do custo burocrático para se executar uma compra em uma cidade igual Rondonópolis, talvez seja possível trocar, no máximo, as vassouras dos dignos trabalhadores da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis – Coder. Segundo e mais óbvio, porque como já foi dito tratam-se de gestões separadas, ou seja, caso o gestor legislativo, no caso o presidente da Câmara, não trabalhe para devolver recursos do duodécimo nenhum centavo, mesmo que indireto da parte de Guinâncio, voltará para qualquer outra aplicação.

Então, por mais que o tucano esteja lutando para transformar sua verba indenizatória em emenda parlamentar, isso ainda não foi possível por causa da maneira que a máquina funciona. Mas o parlamentar pode apresentar uma proposta, neste sentido, e criar uma interessante a discussão…

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