Encontro reúne mulheres e amplia debate sobre maternidade atípica, empreendedorismo e violência doméstica em Primavera
“Mulheres Raízes de Coragem” reuniu palestrantes e participantes na Aciple para compartilhar experiências, discutir desafios e fortalecer a rede de apoio às mulheres Foto: Reprodução
O encontro “Entre Elas – Mulheres Raízes de Coragem” reuniu mulheres na noite desta quinta-feira (3), na Associação Comercial e Empresarial de Primavera do Leste (Aciple), para uma programação voltada ao acolhimento, troca de experiências e discussão de temas como maternidade atípica, empreendedorismo feminino, violência doméstica e recomeços.
A programação contou com quatro palestrantes que abordaram diferentes realidades enfrentadas pelas mulheres. Entre os assuntos discutidos estiveram os desafios de conciliar os cuidados com filhos atípicos e a vida profissional, a importância da rede de apoio, a identificação de relacionamentos abusivos e a necessidade de denunciar casos de violência.
Diretora da Aciple e mãe atípica, Liciane Davila compartilhou sua própria história durante a palestra “Duda Eu e o Cubo Mágico”. Segundo ela, dividir experiências pode ajudar outras mães que estão começando a enfrentar os desafios da maternidade atípica.
“Tem muita mãezinha que às vezes não sabe nem por onde começar. E, às vezes, ouvindo a nossa história, a nossa vivência, as nossas lutas, a gente acaba sendo luz na vida delas”, afirmou.
Liciane também falou sobre a rotina de cuidados com a filha, que realiza terapias e frequenta a escola. Segundo ela, além da própria experiência, a busca constante por informações pode contribuir para melhorar a qualidade de vida não apenas da filha, mas de outras crianças e famílias que vivem situações semelhantes.
A professora doutora Simone de Paula abordou as possibilidades de inserção das mães atípicas no mercado de trabalho e no empreendedorismo. Durante a entrevista, ela destacou que conhecer essa realidade é fundamental para desenvolver estratégias capazes de permitir que essas mulheres conciliem maternidade e vida profissional.
Segundo Simone, com adaptações e estratégias adequadas, mães atípicas podem tanto empreender quanto permanecer ou ingressar no mercado formal de trabalho, contribuindo economicamente e socialmente sem deixar de considerar as demandas específicas da família.
Outro tema de destaque foi a violência doméstica. A coordenadora da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, Myrian Carla Cardozo, chamou a atenção para uma dificuldade adicional enfrentada por mães atípicas que vivem relacionamentos abusivos.
Ela explicou que a preocupação com os filhos e a maior demanda de cuidados podem fazer com que algumas mulheres sequer considerem a possibilidade de romper uma relação violenta, acreditando que a permanência naquele ambiente seria uma forma de preservar a família.
Myrian alertou, no entanto, que crianças que crescem em ambientes familiares marcados pela violência também podem sofrer consequências. Para ela, reconhecer os sinais de um relacionamento abusivo e buscar ajuda são passos fundamentais para romper o ciclo de violência.
Violência contra a mulher
A 1º sargento Vaneide, responsável pela Patrulha Maria da Penha em Primavera do Leste, apresentou as ações desenvolvidas pela Polícia Militar no acompanhamento de vítimas e reforçou a importância da denúncia.
A militar destacou que, apesar do encerramento do Agosto Lilás, as ações de enfrentamento à violência contra a mulher continuam durante todo o ano.
Segundo Vaneide, o registro do boletim de ocorrência e a solicitação de medida protetiva são fundamentais para que os órgãos de segurança tenham conhecimento dos casos e possam acompanhar as vítimas.
A sargento também apontou que o crescimento no número de registros pode estar relacionado, em parte, ao maior acesso das mulheres à informação e à conscientização sobre a necessidade de denunciar situações de violência e não permanecer em relacionamentos abusivos.
Empreendedorismo como alternativa
Parceiro da iniciativa, o Sebrae também participou do encontro. A coordenadora Mônia destacou que o empreendedorismo pode representar uma alternativa para mães que enfrentam dificuldades para conciliar uma jornada convencional de trabalho com os cuidados dos filhos.
Segundo ela, atividades desenvolvidas em casa ou negócios com maior flexibilidade podem permitir que essas mulheres obtenham renda sem deixar de acompanhar as necessidades das crianças.
O encontro buscou justamente aproximar diferentes experiências e mostrar que os desafios da maternidade, do trabalho e da violência não precisam ser enfrentados de forma isolada.
Além das palestras, o “Entre Elas – Mulheres Raízes de Coragem” teve caráter solidário, com a entrada mediante a doação de um litro de leite.






