Seis são condenados a 138 anos por assassinato brutal dentro da Penitenciária Major Zuzi em Água Boa
Vítima foi espancada durante horas dentro da unidade prisional; crime teria ligação com rivalidade entre facções criminosas Foto: Reprodução
O Tribunal do Júri da 1ª Vara Criminal de Água Boa condenou seis detentos pelo assassinato de Gabryel Eduardo Oliveira da Silva, ocorrido em março de 2024 dentro da Penitenciária Major Zuzi. As penas aplicadas aos réus somam 138 anos de prisão. O julgamento foi realizado nesta quarta-feira (6) e reconheceu que o crime foi praticado com extrema violência e motivado por rivalidade entre facções criminosas.
Os condenados são Ryan Aparecido Correa da Silva, Carlos Alberto Cavalcante da Silva, Rodrigo Cruz de Aguiar, José Cleiton Melo da Silva, Sávio Souza Mendes e Valdeilson Anastácio Sobrinho. Todos foram sentenciados por homicídio triplamente qualificado, com agravantes de motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
De acordo com as investigações, Gabryel foi submetido a uma sequência de agressões físicas durante várias horas dentro da unidade prisional. Laudos periciais apontaram que a vítima morreu em decorrência de hemorragia interna causada por ação contundente. O conjunto de provas apresentado no julgamento incluiu exames periciais, registros internos da penitenciária, depoimentos e outros elementos que comprovaram a participação coletiva dos acusados.
O julgamento contou com a atuação dos promotores de Justiça Fabison Miranda Cardoso e Eduardo Antônio Ferreira Zaque, integrantes do Grupo de Atuação Especial no Tribunal do Júri (GAEJúri), do Ministério Público de Mato Grosso.
Durante a sustentação, o Ministério Público defendeu que o crime foi marcado por elevado grau de brutalidade e executado de forma organizada dentro da penitenciária. “Trata-se de um crime marcado por elevada brutalidade, praticado de forma coletiva e com total desprezo pela vida humana”, destacou o promotor Fabison Miranda Cardoso após a condenação.
Na fixação das penas, o juiz presidente do Tribunal do Júri considerou a gravidade concreta dos fatos, o modo extremamente violento da execução e o contexto de atuação de organização criminosa dentro da unidade prisional. Ryan Aparecido Correa da Silva foi condenado a 20 anos de prisão. José Cleiton Melo da Silva recebeu pena de 22 anos. Já Carlos Alberto Cavalcante da Silva, Rodrigo Cruz de Aguiar, Sávio Souza Mendes e Valdeilson Anastácio Sobrinho foram condenados a 24 anos de reclusão cada um.
Ao final da sessão, o promotor Eduardo Antônio Ferreira Zaque ressaltou que a decisão reforça a importância do Tribunal do Júri nos crimes dolosos contra a vida e destacou a soberania dos veredictos populares.






