Mato Grosso consolida avanço do etanol e amplia protagonismo nacional na safra 2026/27
Expansão do etanol de milho, novos investimentos e preços competitivos fortalecem setor, apesar de desafios ambientais e de mercado Foto: Reprodução
Mato Grosso vem consolidando posição estratégica no mercado brasileiro de etanol, impulsionado principalmente pela expansão da produção à base de milho. Na safra 2024/25, o estado alcançou 6,7 bilhões de litros produzidos, crescimento aproximado de 17% em relação ao ciclo anterior, posicionando-se entre os maiores produtores do país.
O avanço ocorre em um cenário de transformação estrutural do setor. Dados da Datagro indicam que a maior oferta prevista para a safra 2026/27 deverá pressionar os preços ao longo do ciclo produtivo, especialmente com o aumento da moagem no Centro-Sul e a ampliação da capacidade industrial voltada ao etanol de milho.
A diversificação das matérias-primas tem sido um diferencial competitivo para Mato Grosso. Atualmente, a maior parte da produção estadual já é proveniente do milho, refletindo a integração entre agricultura e indústria energética. O modelo tem atraído investimentos robustos, como os realizados pela FS, uma das principais produtoras de etanol de milho do país, que mantém unidades industriais em operação no estado.
No plano nacional, levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que o crescimento do crédito privado no agro e a expansão dos instrumentos financeiros têm dado sustentação à ampliação da capacidade produtiva. Já o Ministério da Agricultura e Pecuária destaca que o estoque de financiamento privado do setor alcançou cerca de R$ 1,4 trilhão em 2024, reforçando a consolidação do agro como motor econômico.
No mercado interno, os preços do etanol em Mato Grosso permanecem entre os mais competitivos do país, reflexo da proximidade com as usinas e da eficiência logística. A tendência para 2026/27 é de maior paridade favorável ao biocombustível frente à gasolina, o que pode estimular o consumo e elevar a participação do etanol nos abastecimentos de veículos flex.
Apesar do cenário positivo, o setor enfrenta desafios, como a necessidade de assegurar sustentabilidade ambiental na cadeia produtiva e manter competitividade diante da volatilidade climática e de preços internacionais. Ainda assim, as projeções indicam que Mato Grosso deverá seguir ampliando sua relevância no mapa energético brasileiro, consolidando o etanol de milho como vetor estratégico de crescimento econômico e transição energética.






