• 8 de fevereiro de 2026
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AGRICULTURA

Larva-minadora acende alerta em lavouras de soja de Mato Grosso

Praga atinge folhas da cultura, reduz área foliar e preocupa produtores quanto à disseminação nas próximas safras, apesar de impacto limitado na produtividade atual
Foto: Reprodução

A presença da larva-minadora em lavouras de soja de Mato Grosso tem mobilizado produtores e técnicos do setor agrícola, acendendo um alerta sanitário nas principais regiões produtoras do Estado. O inseto se aloja nas folhas da planta e se alimenta do tecido foliar, formando trilhas visíveis semelhantes ao chamado “bicho-geográfico”, o que compromete o desenvolvimento da cultura e enfraquece a estrutura da planta.

De acordo com especialistas, o ataque provoca redução da área foliar, prejudica a fotossíntese e cria ambiente favorável para a entrada de doenças, elevando o risco de desfolha e de enfraquecimento da lavoura. Apesar de registros em diferentes regiões produtoras, o setor avalia que, nesta safra, não houve perdas expressivas de produtividade. A maior preocupação, no entanto, está voltada para o futuro, diante do potencial de disseminação da praga nas próximas temporadas.

Técnicos alertam que a chamada “ponte verde” — continuidade de culturas como soja, feijão e algodão ao longo do ano — cria condições ideais para a sobrevivência e expansão da larva-minadora entre uma safra e outra, ampliando o risco de infestação em escala regional.

A pressão da praga, segundo relatos técnicos, já era conhecida em culturas como o feijão e começa agora a se manifestar de forma mais visível na soja. “Neste ano, a pressão é considerada média, mas já é um sinal de alerta. Quanto mais a praga evolui, menor é a área foliar da planta, e isso compromete o desenvolvimento da lavoura”, explica o técnico agrícola Cledson Pereira.

No meio-oeste de Mato Grosso, produtores confirmam a presença da praga em diversas áreas, ainda que em níveis baixos. Para o agricultor Gilson Antunes de Melo, o cenário exige vigilância permanente. “Mesmo em pequenas quantidades, já é motivo de atenção. É mais uma praga para monitorar e, se necessário, intervir no controle”, afirma.

O presidente do Sindicato Rural de Diamantino, Altemar Kroling, também destaca o caráter inédito da praga na soja. “Ela sempre foi comum em outras culturas, como a laranja. Na soja, não era algo que a gente via. Este ano apareceu, e agora vamos ter que conviver com ela e aprender a manejar”, declarou.

Do ponto de vista técnico, o controle é considerado viável e eficiente, desde que realizado no momento correto. “É uma praga de fácil controle. Com o produto adequado e no estágio certo da planta, o controle acontece logo nos primeiros trifólios. Em duas aplicações, a lavoura fica limpa”, explica Pereira.

Além do Brasil, a larva-minadora já foi identificada em áreas agrícolas de estados do Meio-Oeste dos Estados Unidos, como Missouri e Nebraska, o que reforça o caráter global do problema e a necessidade de estratégias preventivas.

Para o delegado coordenador da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Yuri Nunes Cervo, a informação é a principal ferramenta de enfrentamento. “Muitos produtores têm o problema na lavoura e não sabem identificar o que está acontecendo. Reconhecer os sintomas, antecipar o manejo e buscar soluções é fundamental. Pragas que começam pequenas podem se transformar em grandes problemas”, alerta.

Segundo ele, o monitoramento preventivo precisa se tornar rotina no campo. “Identificou, já age. Usa o produto adequado, controla essa e outras pragas. Isso precisa entrar no portfólio de manejo do produtor”, orienta.

O cenário reforça a necessidade de vigilância contínua, integração entre produtores, assistência técnica e entidades do setor, para evitar que a larva-minadora se consolide como mais um fator de risco estrutural à produção de soja em Mato Grosso.

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