Primavera do Leste vive colapso silencioso na saúde enquanto secretária insiste em discurso desconectado da realidade
Entre falta de médicos, escassez de medicamentos e denúncias recorrentes de negligência, moradores relatam abandono nos serviços públicos, enquanto a secretária municipal Laura Leandra mantém narrativa otimista que contrasta com o cotidiano de quem depende do SUS na cidade. Foto: Redes sociais
A saúde pública de Primavera do Leste atravessa um dos momentos mais críticos dos últimos anos, marcado por reclamações generalizadas da população, filas constantes nas unidades, dificuldade de acesso a consultas especializadas e, principalmente, ausência de medicamentos básicos na rede municipal. O cenário, descrito por usuários do sistema como “abandono institucional”, contrasta frontalmente com o discurso oficial da Secretaria Municipal de Saúde, que insiste em pintar um quadro de normalidade e avanços.
Na prática, o que se vê nas UBSs e na UPA é uma rotina de improviso. Pacientes relatam atendimentos sobrecarregados, profissionais exaustos, ausência de médicos em determinados turnos e uma estrutura que opera no limite. Casos de pessoas que retornam para casa sem medicação, mesmo após consulta, tornaram-se comuns, especialmente em tratamentos de hipertensão, diabetes e doenças crônicas, áreas que deveriam ser prioridade absoluta.
Segundo relatos colhidos pela reportagem junto a usuários do sistema, há situações recorrentes de pacientes que aguardam meses por exames simples, enquanto outros precisam recorrer a farmácias populares ou até a campanhas solidárias para conseguir remédios que deveriam ser fornecidos gratuitamente pelo município. Em bairros mais afastados, a sensação é de que a saúde pública simplesmente não existe, funcionando apenas como promessa institucional.
Apesar desse quadro, a secretária municipal de Saúde, Laura Leandra, tem adotado postura pública marcada por forte presença em redes sociais, com vídeos e falas institucionais que descrevem uma gestão eficiente, moderna e humanizada. Para muitos servidores e usuários, porém, o tom soa como uma encenação distante da realidade concreta, quase como se a secretária estivesse administrando um sistema de saúde europeu, enquanto a população enfrenta um serviço precário, desorganizado e insuficiente.
Nos bastidores, profissionais da própria rede relatam falta de planejamento, rotatividade elevada de equipes, contratos temporários instáveis e ausência de políticas consistentes de valorização dos trabalhadores. O resultado é uma máquina pública que não consegue reter médicos, enfermeiros e técnicos, comprometendo diretamente a continuidade do atendimento e a qualidade do serviço.
A crítica que ganha força na cidade é que a Secretaria de Saúde se tornou mais um palco de marketing pessoal do que um centro real de solução de problemas. Enquanto vídeos institucionais mostram discursos ensaiados e promessas genéricas, o cotidiano da população é feito de frustração, espera e, em alguns casos, agravamento de doenças por falta de acompanhamento adequado.
O sentimento predominante entre moradores é de que a saúde em Primavera do Leste está “à deriva”, sem comando efetivo, sem resposta rápida e sem transparência sobre metas, indicadores e resultados. A distância entre o discurso e a realidade virou símbolo de uma gestão que parece mais preocupada em construir imagem política do que em resolver o básico: garantir atendimento digno, contínuo e humano para quem depende exclusivamente do SUS municipal.
No fim, o retrato que emerge não é o de uma saúde modelo, mas de um sistema fragilizado, que sobrevive graças ao esforço individual de profissionais e à paciência forçada da população. Entre promessas, vídeos e falas otimistas, quem sente o peso real da crise é o cidadão comum, que continua enfrentando filas, falta de remédio e a amarga sensação de estar sozinho quando mais precisa do poder público.






