Discurso fácil, conta difícil: 2026 chegando e o eleitor precisa abrir o olho em Mato Grosso
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2026 está logo ali. E junto com a proximidade da eleição começa aquele velho roteiro que quem acompanha política já conhece de cor: promessa que soa bonita, discurso que encaixa perfeito no ouvido do eleitor e uma enxurrada de ideias que, na prática, não param em pé quando a gente coloca na ponta do lápis. É justamente nesse momento que vale dar uma freada, respirar e prestar atenção no que está sendo dito.
Tem candidato falando em reduzir receita do Estado e, ao mesmo tempo, ampliar gastos. E isso, dito assim, parece ótimo. Quem não quer pagar menos e receber mais? O problema é que essa conta não fecha. Não é questão de opinião, é matemática básica. Se entra menos dinheiro e sai mais, alguém vai pagar essa diferença lá na frente — e normalmente é a própria população, principalmente a mais simples.
E aqui entra um ponto que pouca gente fala com clareza: para cuidar de quem mais precisa, precisa ter dinheiro. Não existe política pública sem recurso. Não existe saúde funcionando, escola aberta, estrada sendo mantida, assistência chegando na ponta, se o caixa do Estado estiver comprometido. Quem depende do serviço público sabe disso na pele.
Quando alguém aparece prometendo cortar bilhões de arrecadação e, ao mesmo tempo, ampliar despesas, é preciso acender o alerta. Porque muitas vezes quem está falando isso sabe que não vai conseguir cumprir. Sabe que, sentado na cadeira, a realidade é outra. Mas fala mesmo assim, porque rende aplauso, gera identificação e ajuda a ganhar voto.
É aí que mora o risco do tal do estelionato eleitoral. A promessa é feita sabendo que não vai ser entregue. E quando a conta chega, não é quem prometeu que paga — é o Estado inteiro.
Mato Grosso vive hoje um momento diferente. É um estado forte, que cresceu, que se organizou, que ganhou protagonismo no Brasil. Mas isso não caiu do céu. Veio de decisões, muitas vezes impopulares, de controle de gasto, de responsabilidade na condução das contas. Não foi fácil e não é automático manter isso.
O eleitor precisa entender que governar não é falar o que todo mundo quer ouvir. É tomar decisão difícil. É, muitas vezes, dizer “não” quando o cenário não permite. Quem promete só facilidade, normalmente não está mostrando o caminho completo.
Então, mais do que nunca, o momento é de atenção. Não dá pra entrar na onda do discurso bonito sem perguntar o básico: de onde vem o dinheiro? Se vai tirar receita, qual entra no lugar? Se vai aumentar gasto, como sustenta isso?
Porque no fim, eleição passa rápido. O mandato é que fica. E quando a conta não fecha, não tem discurso que resolva.
* Chico Oliveira é jornalista em Mato Grosso.






