• 24 de março de 2026
#Destaque #Polícia #Redes

OBSESSÃO E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Jornalista é condenado pela terceira vez por violência doméstica; vítima precisou deixar o país após perseguição

Maykon Feitosa Milas foi sentenciado a 2 anos e 6 meses de prisão por agressões e perseguição contra ex-namorada advogada; decisão é desta segunda-feira (23)
Foto:

Pela terceira vez, o jornalista Maykon Feitosa Milas foi condenado por violência doméstica. A decisão, proferida nesta segunda-feira (23) pela 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar de Rondonópolis, condenou o profissional a 2 anos de reclusão e outros 6 meses de detenção pelos crimes cometidos contra uma advogada, sua ex-namorada.

A nova condenação se soma a outras duas que já somam 4 anos, 4 meses e 26 dias. Com isso, existe a possibilidade de Maykon progredir para o regime fechado.

Os episódios de violência ocorreram entre novembro de 2021 e janeiro de 2022. O primeiro ataque aconteceu em Porto de Galinhas (PE), onde o casal fazia uma viagem que era para ser romântica. Em um acesso de fúria, o jornalista jogou o celular da então namorada — um iPhone avaliado em R$ 16 mil — da janela do hotel. Além disso, ele empurrou e arrastou a advogada pela areia, proferindo ameaças e palavras de baixo calão.

De volta a Rondonópolis, onde a vítima residia à época, a perseguição continuou. Segundo o relato da advogada, Maykon fazia dezenas de ligações por dia tentando reatar o relacionamento. Quando não era atendido, partia para as ameaças. Ele também a chantageava com prints comprometedores e enviava mensagens pelo WhatsApp, mesmo após a concessão de uma medida protetiva que impedia o contato e a aproximação num raio inferior a 500 metros.

Durante a audiência de instrução, a vítima fez um relato contundente sobre o impacto psicológico dos crimes:

“Tinha dias em que ele fazia cinquenta ligações e começavam as ameaças. […] Eu mudei até de país. Hoje eu não moro mais no Brasil, porque foi um ano infernizante na minha vida.”

O depoimento foi decisivo para a condenação. O juiz Antônio Bertalia Neto destacou que o réu praticou atos de “constrangimento, manipulação e humilhação” contra a vítima.

“O dano emocional e o prejuízo ao pleno desenvolvimento estão documentados pelo depoimento judicial: a vítima precisou mudar de país, teve impacto irreversível na carreira profissional e viveu sob estado prolongado de medo. A materialidade está comprovada”, escreveu o magistrado.

Durante o processo, Maykon Milas mudou de endereço sem comunicar a Justiça. A defesa também não se manifestou nos autos, e o julgamento ocorreu à revelia, com o réu sendo representado pela Defensoria Pública.

Em seu depoimento prestado na delegacia, o jornalista chegou a alegar que não tinha conhecimento do teor da medida protetiva — versão rejeitada pelo juiz, que lembrou que ele assinou o documento enviado por meio digital.

Além das três condenações por violência contra a mulher, Maykon Milas já foi preso pela Polícia Civil em fevereiro de 2016, durante a Operação Liberdade de Extorsão. Na ocasião, ele foi acusado, junto com o pai e o irmão, de exigir R$ 300 mil de políticos e empresários que mantinham contratos com o poder público. O grupo ameaçava divulgar na imprensa informações comprometedoras obtidas de forma ilegal.

Em setembro de 2025, a Vara de Execuções Penais de Cuiabá determinou o uso de tornozeleira eletrônica para que Maykon iniciasse o cumprimento das penas anteriores. Com a nova condenação, o regime estabelecido foi o semiaberto, mas há possibilidade de progressão para o regime fechado.

O caso segue sob acompanhamento da Justiça, enquanto a vítima, que hoje vive fora do país, busca reconstruir a vida após o período de terror imposto pelo ex-companheiro.