Simpósio Nutripura encerra conectando campo, mercados e consumo no debate sobre a carne do futuro
Em três dias de programação entre Rondonópolis e Cuiabá, evento destacou a análise de cenário de Alexandre Mendonça de Barros, painel internacional com parceiros chineses, pesquisa inédita sobre a percepção do brasileiro em relação à carne e discussões sobre ciência, nutrição, manejo, reputação e sustentabilidade Foto:
O 12º Simpósio Nutripura encerrou sua programação reforçando um diagnóstico cada vez mais claro para a pecuária brasileira: o futuro da carne será definido pela capacidade do setor de unir eficiência produtiva, leitura de cenário, ciência, comunicação e conexão com o consumidor. Com o tema “A Carne do Futuro”, o evento reuniu, ao longo de três dias em Rondonópolis e Cuiabá, produtores, pesquisadores, especialistas e empresários em uma jornada que integrou experiência prática no campo, debates técnicos e visão de mercado.
Um dos momentos de maior destaque foi a palestra do economista Alexandre Mendonça de Barros, que trouxe para o centro da discussão os efeitos da volatilidade global sobre o agro. Ao abordar custos, câmbio, macroeconomia e formação de preços na pecuária de corte, o especialista ajudou a dimensionar como fatores externos passaram a influenciar, de forma direta, as decisões dentro da porteira. Em um ambiente de incertezas, a mensagem que ficou foi clara: produzir bem continua essencial, mas compreender o contexto econômico e geopolítico se tornou parte estratégica do negócio.
A abertura do simpósio, no Centro de Pesquisa Nutripura (CPN), em Rondonópolis, mostrou na prática como esse raciocínio se traduz em resultado. No Dia de Campo, os participantes acompanharam de perto tecnologias aplicadas à nutrição, manejo e bem-estar animal, além de indicadores concretos de produtividade e eficiência desenvolvidos no centro de pesquisa. Entre eles, o avanço de 175% na produtividade a pasto em relação à média nacional, reforçando o papel da pesquisa aplicada na construção de uma pecuária mais rentável e sustentável.
Nos dois dias seguintes, em Cuiabá, a programação ampliou o debate para além da fazenda. O painel internacional “Pecuária brasileira no cenário global: percepção, exigências e oportunidades” reuniu parceiros chineses para discutir como um dos principais mercados compradores da carne brasileira enxerga temas como qualidade, exigências comerciais, padronização e potencial de expansão. O debate reforçou que competitividade, rastreabilidade e reputação caminham hoje lado a lado com produtividade.
Outro ponto alto do encontro foi a apresentação da pesquisa nacional “O que o brasileiro pensa sobre a carne”, encomendada pelo movimento A Carne do Futuro é Animal e realizada pelo Instituto Qualibest com 1.021 entrevistados em todas as regiões do país. O levantamento mostrou que 78% dos brasileiros consideram importante ou muito importante que a carne seja produzida de forma sustentável, enquanto 72% afirmam que pretendem manter o atual nível de consumo nos próximos seis meses. Também chamou atenção o fato de 80% avaliarem a carne brasileira como boa ou ótima, sinalizando que a confiança no produto segue alta, mas acompanhada de exigências crescentes em relação à origem, à transparência e à forma de produção. Para Luciano Resende, da Nutripura, “a carne do futuro, na percepção do consumidor, está ligada à forma como ela é produzida e à confiança na cadeia”.
A programação também abriu espaço para reflexões sobre reputação, marketing, ciência, sucessão familiar, nutrição, manejo e comportamento do consumidor, com participações de José Luiz Tejon, Miguel Cavalcanti, Richard Rasmussen, Marcelo Bolinha, Dr. Alexandre Duarte, Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio. A amplitude dos temas confirmou o posicionamento do simpósio como um fórum que extrapola o universo estritamente técnico e conecta a pecuária às transformações econômicas, culturais e sociais que moldam o setor.






